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Veganas e maratonistas: como 3 amigas combinam dieta e corrida

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Divulgação

As maratonistas Ingrid (22), Emily (28) e Andrea (38) se conheceram no fim de 2016 por meio de um grupo atletas amadores veganos apaixonados por corrida e esportes em geral. Após alguns encontros, elas notaram que tinham pensamentos bem parecidos: todas queriam disseminar o veganismo e acreditavam que, alinhado ao esporte, ele seria a base para uma vida mais saudável e feliz. Assim, se aproximaram, viraram amigas e decidiram criar a página Veganas no Esporte no Instagram e Facebook.

Quem vê as três hoje correndo ultramaratonas e provas de montanha não suspeita que elas só começaram a percorrer longas distâncias recentemente, após a conversão delas ao veganismo. Sim, elas são prova de que é possível alinhar uma dieta sem alimentos vindos de animais ao esporte – inclusive, desafios que duram mais tempo do que nosso expediente de trabalho. O site Boa Forma realizou uma entrevista incrível com as meninas:

Quando você começou a correr?

Ingrid: Desde o começo de 2015. Para mim, o esporte era uma estratégia para emagrecer. No entanto, desenvolvi anorexia e posso afirmar que a corrida me salvou, já que comecei a me alimentar melhor por causa dela. Sabia que precisava dessa mudança no cardápio para evoluir como corredora.

Emily: Sou fisicamente ativa desde os 12 anos. Pratiquei esportes como dança, trekking, musculação e corria para manter a forma. Em 2015, descobri a corrida de rua e fiz minha primeira prova só para mulheres, um percurso de 8K. Terminei muito emocionada e feliz! A partir daí, comecei a baixar planilhas para melhorar o condicionamento físico, pois já queria completar uma meia maratona.

Andrea: Comecei esporadicamente em 2015 para queimar gordura, na esteira na academia. Um ano depois, li uma matéria sobre atletas veganos nos Estados Unidos e achei aquilo o máximo! Decidi que, além de ser vegana, queria ser atleta. Fiz a inscrição para a Meia Maratona de São Paulo daquele ano mesmo sem nunca ter corrido mais do que 10 km. Treinei muito, do meu jeito, e completei a prova muito feliz, sem andar. Depois, encarei uma maratona e comecei a diversificar a corrida, incluindo provas de montanha (que hoje são minha paixão).

Como o veganismo entrou na sua vida?

I: Achei artigos sobre os malefícios da carne e o maltrato dos animais quando decidi melhorar a minha alimentação. A partir daí, foi um caminho sem volta. Virei vegana depois de uma semana como vegetariana. Desde então, comecei a fazer a troca dos meus cosméticos, sapatos etc.

E: Já não comia carne vermelha desde os 10 anos de idade e, lendo livros sobre alimentação saudável e formas de curar minha gastrite nervosa, descobri documentários e livros sobre veganismo e alimentação vegana crua. Desde aquele momento, em 2015, entrei de cabeça no veganismo (e na corrida). Foi a descoberta de um mundo novo e, após entrar nele, meu rendimento e recuperação só melhoraram. Curei minha gastrite e várias doenças de pele que tinha, além de perder peso de forma saudável.

A: Penso sobre o assunto desde meus 10 anos, quando ouvi um animal sendo morto. Sempre fui muito apegada aos bichos e após resgatar meu primeiro cachorro de rua, aos 22 anos, fiquei na mente que queria fazer mais por eles. O meu despertar foi quando vi uma imagem de um cachorro e de um porco que dizia: “Por que você ama um e come o outro?”. Decidi que nunca mais colocaria carne na minha boca. Passei 3 meses como vegetariana e decidi que ainda assim não poderia ajudar os animais como queria enquanto continuasse a consumir produtos derivados deles. No começo, meus motivos eram pura e simplesmente amor, compaixão e empatia pelos animais. Hoje é muito mais do que isso, é qualidade de vida, saúde, redução de impactos no meio ambiente e incentivo e apoio a outras pessoas.

Que diferenças sentiu em seu corpo desde que aderiu ao veganismo?

I: Minha imunidade melhorou muito! Também tinha enxaqueca e gastrite crônica. Ficava doente todo mês porque não me alimentava bem. Depois de 2 meses sendo vegana, já senti a diferença! Hoje em dia é muito raro eu ficar doente e, normalmente, isso só acontece quando eu como glúten ou soja (porque tenho intolerância). O controle de peso também virou uma tarefa muito mais fácil.

A: Foram muitas mudanças no aspecto da saúde. Saí do estágio pré-diabetes para um nível normal e também controlei a pressão. Além disso, eliminei 14 kg, baixei a porcentagem de gordura e aumentei a de massa magra. Os calos nos pés, rachaduras entre os dedos, resfriados e dores de cabeça semanais viraram memórias distantes! Hoje, minhas unhas e cabelo crescem muito mais rápido e fortes que antes, diminuí minhas crises de alergia a alimentos e produtos de limpeza e o intestino funciona direitinho. Também não tenho mais problemas de estômago (sempre tomava antiácidos e remédios para dores).

Sua performance mudou desde que adotou a nova dieta?

E: Mesmo sendo amadora, minha performance aumentou consideravelmente, principalmente quando penso em na recuperação, que é muito mais rápida hoje. Isso permite com que eu consiga treinar intensamente após curtos períodos de descanso e render bem nos treinos e provas.

Você acredita haver desvantagens para veganos no esporte?

I: Não mesmo! O veganismo nos ensina não só a proteger os animais mas a ter uma consciência muito maior daquilo que colocamos em nosso corpo. Isso nos ajuda de uma forma geral na nutrição. Além do mais, já existem estudos que comprovam que seguir uma dieta vegetariana melhora a performance do atleta.

E: A única desvantagem é que aqui no Brasil o mercado de suplementação e artigos esportivos veganos, infelizmente, ainda é muito restrito. Temos que pesquisar bastante e comparar valores e tabelas nutricionais. Mas, em relação rendimento, não perdemos em performance para os onívoros se seguirmos uma dieta balanceada.

Quais são as maiores dificuldades da dieta?

I: Como sou intolerante a glúten e à soja, não posso provar vários quitutes veganos (risos)! Mas aprendi a lidar com isso.

A: Hoje a maior dificuldade ainda é comer fora de casa, principalmente em cidades onde o costume de consumir carne é muito arraigado, já que ela está presente no feijão, no grão-de-bico, na abóbora… Isso dificulta muito as viagens, mas, aos poucos isso está mudando. Felizmente, a demanda por opções veganas está aumentando e o mercado está respondendo.

Quais suas expectativas para para a próxima prova, o Desafio The Rock?

I: O Desafio [que acontece dia 05 de agosto, em São Roque (SP)] é uma prova legal tanto pra quem está começando na montanha quanto para quem tem mais experiência. Eu, por exemplo, vou para lá treinar com um quarteto e estou esperando bastante subida!

A: Gosto muito de corridas em montanhas, no meio do mato, trilhas e novos desafios. Creio que esse seja o espírito da The Rock e acho que vai corresponder à nossa vontade constante de conhecer lugares novos e percursos diferentes, que desafiam nosso corpo a se desenvolver e a estar cada vez melhor para os próximos desafios.

E: Acredito que será uma prova ótima, com clima favorável e um percurso bem desafiador! Depois que você faz sua primeira corrida de montanha, é difícil entender porque não começou antes — assim como é tornar-se vegana. Pode parecer complicado e difícil no início, mas depois que você descobre quão prazeroso é, se arrepende de não ter entrado nessa antes.

Dicas

Para manter a alimentação durante uma viagem para correr, elas precisam se organizar. Confira os alimentos preferidos e dicas das atletas:

• “Meu ‘kit de primeiros socorros’ contém muitas frutas secas, sementes, pasta de amendoim e aveia (faço pão com ela). Normalmente consigo me virar bem!”, Ingrid.

• “Levo purê de batata-doce, cará ou mandioquinha, castanhas variadas, azeitonas, rapadura de cacau. Às vezes, dependendo da distância e do tipo de corrida, abro exceção para um carboidrato em gel vegano (não costumo ingerir suplementos)”, Andrea.

• “Sempre compro toda minha alimentação pré, intra e pós-prova antes de viajar, pois preciso seguir com o que já estou acostumada para evitar qualquer indisposição gástrica. Mas durante a viagem, pesquiso restaurantes na cidade e, caso não tenha nenhuma opção, as quitandas e mercados são a salvação para comprar alimentos orgânicos”, Emily.

Fonte: Boa Forma 

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