• Home
  • Na contramão: Unitau continua realizando testes em animais

Na contramão: Unitau continua realizando testes em animais

0 comments

Ratinho em uma caixa de Skinner | Reprodução

Uma denúncia recente realizada pela Federação das Associações e Sociedades Protetoras dos Animais do Estado de São Paulo (Faos SP) afirma que uma professora do curso de Psicologia instituiu o uso de ratos em testes de condicionamento operante em uma caixa de Skinner. O teste se divide em condicionamento positivo e negativo. No positivo, os ratinhos são privados de água por dois dias e colocado na caixa onde eles precisam pressionar uma barrinha para assim receberem água. No negativo, o ratinho ganha descargas elétricas para evitarem certas partes da caixa. “Têm métodos substitutivos para isso, a maioria das faculdades de psicologia não usam isso, porque é do tempo dos dinossauros”, afirma Adriana Khouri, presidente da Faos SP.

Devido a insistência da Unitau em realizar testes que contrariam a Lei 9.605 e a diretrizes do CONCEA, a Faos ingressou com uma ação civil pública contra a instituição de ensino, a professora e a Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA). No entanto, segundo Adriana Khouri, em um ato de desrespeito aos direitos animais e à vida, o promotor do município considerou que os testes eram inofensivos e que a maior parte dos alunos apoiavam a professora na realização de testes que privavam os animais de água e e os atingiam com choques.

O que diz a lei

Taubaté (SP) conta com uma lei municipal em vigor que proíbe a utilização de animais em qualquer tipo de prática experimental que cause sofrimento físico e psicológico às vítimas, seja para fins pedagógicos ou de pesquisa científica. A lei afirma ainda que em casos de descumprimento existe a punição de uma multa no valor de R$ 4.000 por animal explorado e em caso de reincidência, a instituição ou estabelecimento terá o alvará de funcionamento cassado.

Resposta da Unitau

Entramos em contato com o setor de comunicação da Unitau e solicitamos o esclarecimento de algumas questões como se a universidade tinha abolido todos os testes em animais, mas recebemos apenas respostas genéricas e não afirmativas através da assessora de imprensa da universidade.

Segundo o posicionamento oficial, a Unitau estaria reduzindo o uso de animais em aulas práticas em disciplinas como farmacologia e fisiologia os substituindo por softwares ou outras modalidades. A instituição, que oferece cursos de graduação em áreas como Medicina, Biologia e Psicologia, confirmou o fechamento do biotério e afirma existir um investimento para a implantação de métodos substitutivos conforme as normativas éticas do CONCEA, com aprovação da Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA).

A universidade se negou a confirmar a abolição de todos os testes em animais na instituição e se negou a dizer quais cursos utilizam testes in vivo atualmente e quais tipos de testes são realizados.

Uma luz no fim do túnel

O debate sobre testes em animais no país ganhou relativa importância após o caso Instituto Royal em São Roque, interior de SP. Na ocasião, ativistas pelos direitos animais entraram nas dependências do laboratório e resgataram beagles abusados em testes de cosméticos. No local, foram registradas cenas chocantes de maus-tratos, negligência e animais mutilados, mortos e congelados.

Beagles eram vítimas de crueldade no Instituo Royal | Divulgação

Após este episódio, uma série de cidades brasileiras, como Porto Alegre (RS), promulgaram leis que proíbem testes em animais para fins cosméticos e produtos de limpeza, mas isso era apenas o começo. Atualmente segue em análise o projeto do deputado Ricado Izar (PP), a PLC 70/2014, que proíbe testes em animais para fins cosméticos em todo território nacional. Já aprovada na Câmara dos Deputados e na Comissão de Ciência e Tecnologia, o texto está em análise na Comissão de Meio Ambiente (CMA).

Um passo a frente

No dia 22 de junho, a ANDA publicou com exclusividade uma notícia que encheu de esperança ativistas pelos direitos animais de todo o país: a aprovação do Projeto de Lei que proíbe o uso de animais no ensino. De autoria do deputado estadual Feliciano Filho (PSC), o PL 706/2012 foi aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e aguarda a sanção do governador. Se aprovado, São Paulo se tornará o primeiro estado do Brasil a abolir o uso e exploração de animais no ensino e abre precedente para uma onda de conscientização e evolução por todo o país.

Para dar força à aprovação do projeto, uma campanha está sendo realizada nas redes sociais. Trata-se da divulgação das hashtags #LeiAntiCobaias e #SancionaAlckminPL706. O número de compartilhamentos é importante para demonstrar ao poder público que a sociedade é contra métodos arcaicos no ensino e que todos querem viver em um país que defende e respeita seus habitantes, humanos e animais.

Nota da Redação: É lamentável que um dos principais polos de ensino de todo o Vale da Paraíba, a Unitau, se recuse a fornecer informações que são de direito da sociedade e que impactam significativamente na escolha ética de alunos, futuros alunos, professores e funcionários. A abolição de testes em animais é uma tendência mundial que precisa ser acompanhada pelas instituições de ensino. É preciso que as universidades sejam transparentes sobre os seus métodos educacionais. Optar por um ensino ético e que respeita todas as formas de vida é também uma forma de moldar cidadãos conscientes e mais humanos.

About the Author

Follow me


{"email":"Email address invalid","url":"Website address invalid","required":"Required field missing"}
>