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“Os animais nos ensinam os sentimentos mais nobres como o amor incondicional, a gratidão e o perdão”

Veterinária Patricia Fittipaldi

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Veterinária Patricia Fittipaldi
Arquivo Pessoal

Desde que era criança,  a veterinária Patricia Fittipaldi  descobriu seu amor e sua vontade de se dedicar aos animais. Em 2008, ela fundou o Santuário das Fadas, localizado na região Serrana do Rio de Janeiro.

Hoje, o santuário é o lar de cerca de 150 animais resgatados principalmente de fazendas e de outras situações abusivas. São vacas, bois, galinhas, porcos, bodes, cães, entre outros, que receberam uma nova chance graças ao local. Nesta entrevista exclusiva à ANDA, Patricia explica mais sobre o trabalho desenvolvido pelo santuário e seus principais desafios.

 

ANDA: Além de vegana, você é veterinária e ativista. Em que momento soube que queria se dedicar aos cuidados dos animais e à defesa dos seus direitos?

Patricia Fittipaldi – Desde pequena sempre me dediquei aos animais. Resgatava animais abandonados e os levava para casa e meus pais me ajudavam a cuidar deles. Depois, colocávamos a maioria deles para adoção pois não podíamos ficar com todos. Essa escolha foi natural pra mim e, em 2008, pude fundar o Santuário das Fadas e continuar desempenhando essa missão em uma escala maior .

ANDA: O Santuário das Fadas foi criado em 2008. Como surgiu a ideia de criar um santuário e qual é o seu objetivo com ele?

Patricia Fittipaldi – Sempre sonhei em ter um local como esse desde pequena. Quando me mudei para o sítio em Itaipava, no Rio de Janeiro, pude colocar em prá tica o projeto.Meu objetivo é resgatar e acolher principalmente animais vítimas de maus-tratos em fazendas e lhes dar uma vida digna com o respeito que todos os seres deveriam ter.

ANDA: Quantos animais vivem no santuário atualmente e como é o dia a dia do local?

Patricia Fittipaldi – Aproximadamente 150 animais. O dia começa cedo com a alimentação dos animais, limpeza dos recintos e medicação dos que precisam de cuidados.

ANDA: Você trabalha principalmente com animais resgatados de fazendas. Como é o trabalho para cuidar desses animais traumatizados? Que tipo de precauções devem ser adotadas?

Patricia Fittipaldi – O trabalho é bem delicado, pois esses animais frequentemente chegam muito traumatizados e com muito medo do ser humano por todos os abusos e agressões sofridas. É um trabalho de muito amor, paciência e dedicação. Primeiramente, quando esses animais chegam, eles são medicados para os problemas físicos e logo depois para os psicológicos .Utilizamos homeopatia,florais e outras terapias alternativas. Criamos todo um processo de aproximação aos poucos com esses animais fazendo com que eles possam retomar a confiança no ser humano.

ANDA: Quais são os principais desafios desse trabalho?

Patricia Fittipaldi – O maior desafio é o financeiro, pois para manter esse projeto, os gastos são enormes e não temos apoio governamental e nem patrocinadores e todo mês precisamos fazer campanhas na internet com o objetivo de conseguir recursos financeiros para manter os animais. Vivemos exclusivamente de doações e com a crise fica cada vez mais difícil arrecadar recursos para manter nosso trabalho e muitas vezes nos endividamos pegando empréstimos para pagar os boletos de ração.

ANDA: Atualmente, o veganismo é cada vez mais difundido. Desde que começou a atuar na defesa animal, como você analisa o movimento hoje? Que tipo de ações acredita que podem ajudar a conscientizar as pessoas sobre a exploração animal?

Patricia Fittipaldi – O movimento vem aumentando a cada dia mas, infelizmente, permanece muitas vezes no espaço virtual ou em ações não efetivas. Muitas vezes as pessoas preferem se envolver em brigas de ego ao invés de realizarem atos que realmente mudarão a realidade dos animais. Se todas as pessoas veganas e vegetarianas se unissem para ajudar os santuários e abrigos de animais, as dificuldades seriam muito menores, mas não é o que acontece. Além da divulgação na mídia sobre o que acontece aos animais nas mais diversas áreas da exploração, ações como esta ajudam os santuários e são as mais efetivas ao meu ver para conscientizar as pessoas.

ANDA: Nesses quase 10 anos desde a fundação do Santuário das Fadas, qual é a avaliação que você faz da trajetória do local e o que ainda espera alcançar com este trabalho?

Patricia Fittipaldi – A trajetória do Santuário das Fadas sempre foi de muita luta, trabalho, garra, amor e esperança. Se não tivéssemos todos esses ingredientes não conseguiríamos estar até hoje de pé com o nosso trabalho.
Espero alcançar ainda o tão grande e desejado sonho da compra da nova sede, pois, desde de fevereiro de 2016, estamos abrigados temporariamente no Núcleo Crer Sendo, já que perdemos nossa sede devido às chuvas.

ANDA: Poderia compartilhar alguma história que te tocou sobre um animal resgatado?

Patricia Fittipaldi – Uma história bem comovente foi a da cabra Brita que foi resgatada nas ruas do Rio de Janeiro com vários punhais cravados em seu corpo, com as orelhas cortadas, vítima de um ritual religioso. Ela foi resgatada quase morta e, mesmo depois de tanto sofrimento que passou nas mãos de certos humanos, sempre teve um temperamento doce e amável.

ANDA: Como veterinária e ativista, qual foi seu maior aprendizado durante esses anos e quais são suas perspectivas agora?

Patricia Fittipaldi – Meu maior aprendizado foi e continua sendo com os animais. Eles nos ensinam os sentimentos mais nobres como o amor incondicional, a gratidão e o perdão. Minha perspectiva é continuar com esse trabalho a cada dia podendo dar a chance de uma nova vida para esses animais que já sofreram tanto.

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