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Lixo provoca 48,7% das mortes de tartarugas

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É de janeiro a março o período em que tartarugas
mais aparecem (Foto: Irandy Ribas/ A Tribuna)

De 200 tartarugas marinhas acolhidas e tratadas em Santos nos últimos dez anos, 124 morreram e 76 foram recuperadas. Quase a metade das que morreram — 48,7% delas — tinham “corpos estranhos no trato intestinal”. Em outras palavras: foram vítimas da ingestão de lixo depositado no mar.

Os números fazem parte de uma pesquisa realizada pelo médico-veterinário Gustavo Dutra, que faz parte do corpo clínico do aquário santista. Ele é um dos responsáveis pelo acompanhamento dos animais acolhidos. O lixo não é o único a causar problemas para as tartarugas marinhas.

“As tartarugas que recebemos geralmente se encontram em fase juvenil e estavam tentando se alimentar entre Santos e Guarujá”, explica. Quando algum tipo de lixo não é bem digerido pelo animal, começam os problemas.

“Uma das últimas que nós atendemos não conseguia afundar, porque estava cheia de gases. Para viver, uma tartaruga precisa beber água do mar. Se ela para de fazer isso, vai entrando em um movimento de fraqueza, começa a consumir a sua musculatura e seu organismo acaba tomado por uma infecção bacteriana”, resume o especialista.

O veterinário argumenta que o recolhimento de tartarugas marinhas ocorre mais de janeiro a março, que são meses quentes. Seu estudo indica que 41,6% das tartarugas marinhas acolhidas também tinham algum tipo de enfermidade causada pela poluição das águas. São doenças como fibropapilomatose ou parasitismos por tremátodos.

Animais como tartarugas têm hábitos de vida fixos: nascem em ilhas oceânicas, ficam flutuando no mar até chegar a 30 centímetros de diâmetro e, depois, seguem para se alimentar em áreas costeiras. Nesse estágio juvenil, chegam às praias da região.

E é justamente neste momento que tomam contato com o lixo e a poluição causada por ocupações irregulares em áreas que margeiam o estuário de Santos. “As ocupações irregulares fazem com que o esgoto humano seja destinado para a água do mar. O esgoto a céu aberto aumenta a presença de algas indesejadas que produzem substâncias tóxicas, como o ácido ocadaico”, explica o veterinário do Aquário.

Segundo Dutra, esse ácido transforma o herpes vírus da tartaruga em tumores. “Esse ácido provoca o crescimento tumoral. É a fibropapilomatose, uma doença descrita desde os anos 1930. A prevalência dela se consolidou nos anos 1990. Quase metade dos animais que socorremos tem esses tumores”.

Outro dano recorrente às tartarugas marinhas acolhidas e tratadas no Aquário é o trauma, geralmente causado por colisão com embarcações — 11,7% dos atendimentos. “O casco de uma tartaruga é feito de osso. Não é uma fratura simples de recuperar”, destaca o médico-veterinário.

Aves

No mesmo período, o profissional coletou informações sobre 395 aves. Em dez anos, 158 foram recuperadas.

Pelo estudo, 61% das que morreram apresentavam alterações gastrointestinais; 36%, problemas respiratórios; e 3%, ortopédicos. Elas são mais recorrentes no mês de junho.

Fonte: A Tribuna

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