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Escritora viaja mais de 4 mil km para salvar filhote de urso

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Um filhote de urso de um mês de idade foi resgatado quando estava na cidade de Kizil, na Sibéria, Rússia. A mulher, que o levava no colo, não soube dizer a origem do animal, o que se transformou em uma suspeita de ligação com caçadores que teriam matado os pais do filhote de urso, ou até mesmo uma possível venda do animal para um zoológico ou circo.

Pelo fato de não existirem abrigos ou refúgios para ursos em Kizil, uma petição foi lançada nas redes sociais pela Agência Estatal de Controle dos Recursos Naturais para conseguir algum refúgio de ursos que acolhesse o animal.

E foi então que duas histórias se entrelaçaram. A defensora dos direitos animais e escritora Anna Arbátskaia, oriunda de Kizil, havia se mudado para São Petersburgo há algum tempo. Mas ela teve que voltar à sua cidade para pegar o resto de alguns pertencentes. Quando ela ainda vivia em Kizil ela era integrante de uma comunidade de proteção de animais, onde ela leu o anúncio sobre o filhote de urso que não tinha para onde ir.

“Em poucos dias, o pequeno urso deixou o apartamento [em Kizil] de pernas para cima. Agora, terei que trocar os móveis e fazer alguns reparos. Dei a ele o nome de ‘Adyg’, que na língua tuvana significa urso”, conta a protetora que adotou temporariamente o ursinho.

Filhote se alimentando dentro de gaiola de madeira
O urso foi adotado temporariamente por Anna até que fosse levado a um refúgio de ursos (Foto: Reprodução / Stanislav Chákhov)

Em busca de um lar

Anna e alguns voluntários começaram a pesquisar refúgios para o pequeno urso e descobriram que na Rússia, existe somente um centro de reabilitação para ursos, que fica próximo à Moscou, do outro lado do país. Contudo, para a sorte do filhote, os funcionários do Parque Nacional da Bachkíria estavam à procura de um filhote de urso para integrar o grupo.

O refúgio já abrigava um filhote, mas precisava de outro para melhorar o processo de reabilitação, uma vez que a espécie tende a aprender rapidamente quando está na companhia de seus semelhantes. E foi assim que ficou decidido que era para lá que o jovem urso deveria ir.

A escritora pediu que levasse pessoalmente Adyg para o novo lar. E para realizar a viagem de maneira segura, os voluntários e amigos de Anna a ajudaram a construir uma gaiola de madeira bem espaçosa, além de comprarem uma caixa repleta de comida para filhotes de urso, como farinha de aveia e trigo-sarraceno.

Anna posando ao lado de ursinho que está dentro de gaiola de madeira
Anna levou viajou com o filhote de urso por 4 mil km (Foto: Reprodução / Stanislav Chákhov)

O ursinho teve que tomar diversas vacinas para fazer a viagem, mas após isso, ele já estava liberada para seguir viagem rumo a seu novo lar. “Viajamos cerca de mil quilômetro por dia. A cada três horas, parávamos para alimentar Adyg. Por quase todo o caminho tive a companhia de amigos caminhoneiros que seguiam na mesma direção. Eles me mostravam o caminho, ajudavam a arrumar a gaiola, e eu dormia em seus caminhões”, disse Anna.

Adaptação

Anna chegou com Adyg no parque quando já era noite. “Naquele dia tinha viajado quase 1.500 quilômetros e estava exausta”, diz Anna. Segundo ela, o primeiro contato entre os dois filhotes de urso foi estressante para ambos, “mas, depois de passaram a primeira noite juntos, os gritos de estranhamento se dissiparam”, contou.

Os dois ursos sendo alimentados dentro do parque nacional
Quando amanheceu os filhotes de urso já estavam acostumados com a companhia do outro (Foto: Reprodução / Anna Arbátskaia)

A partir de agora, os jovens ursos irão ser reabilitados para aprenderem a viver na natureza e a procurar comida sem interferência humana. “Para os animais não habituados a seres humanos, apenas duas ou três pessoas podem se aproximar deles, sempre vestindo as mesmas roupas e com rosto coberto”, explica Vladímir Kuznetsov, o diretor do parque.

“Também não é recomendável falar com eles, pois os filhotes de urso poderiam se acostumar e parar de temer a fala humana, algo que iria prejudicá-los em um ambiente selvagem. Se tudo correr bem, em agosto ou setembro deste ano, eles serão soltos para viver em total liberdade por nosso parque”, acrescenta o diretor.

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