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Por dentro da castração química de cães machos

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Por Fátima ChuEcco*

Divulgação

A esterilização de cães machos por meio da castração química (não indicada para gatos) surgido em 2009 no Brasil, divide opiniões, ainda mais agora em que foi sancionada a Lei Nº 13.426/2017, que determina que o controle da natalidade de cães e gatos em todo o território nacional, deve ser feito mediante esterilização permanente por cirurgia ou por outro procedimento que garanta eficiência, segurança e bem-estar ao animal.

A castração química disponível no Brasil é feita com o medicamento Infertile, licenciado pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Como são duas injeções, uma em cada testículo, com o animal imobilizado, mas não anestesiado, o método tem gerado insegurança entre protetores e tutores de animais, especialmente com relação à dor local e possíveis efeitos colaterais.

Segundo o fabricante, o Infertile (composto de gluconato de zinco e DMSO – dimetilsulfóxido) é resultado de seis anos de pesquisa, não precisa de anestesia e nem de cuidados após a aplicação, e não tem efeitos colaterais. Mais alguns estudos, incluindo o da Unesp de Botucatu, publicado no site do infertile, sugerem controle da dor com administração de um analgésico antes do procedimento e, em alguns casos, no decorrer de algumas horas, dependendo da sensibilidade do animal.

A Universidade Estadual do Norte do Paraná também fez um estudo com base na escala de dor da Universidade de Melbourne (UMPS – University of Melbourne Pain Scale) e concluiu: “É recomendado o uso de analgésico e anti-inflamatório antes da realização da castração química, mesmo que não haja um evidente reconhecimento das alterações de comportamento exibidas pelo animal, para garantir seu bem estar após o procedimento”.

Entre as vantagens anunciadas pelo fabricante do Infertile está a questão econômica, já que o produto tem um custo mais baixo que a castração cirúrgica, sem despesas, por exemplo, com anestésicos. Porém, cães de médio a grande porte, agressivos ou muito assustados, podem dificultar bastante a realização desse método. Esses casos exigiriam uma anestesia, assim como na castração cirúrgica?

O cãozinho Sadan, por exemplo, morreu devido a um estresse muito grande durante uma microchipagem seguida de castração química. Seu tutor, o aposentado Paulo Lejne, de Americana (Interior de SP) levou o animal para necropsia e o laudo apontou “morte por asfixia com hemorragias cardíaca e pulmonar causadas por grande estresse e lesões de contenção”.

“Vi que estavam apertando muito o focinho dele e ele morreu antes de terminarem a castração. O CCZ esteve na minha casa porque fomos obrigados a castrar e microchipar, mas o despreparo das pessoas que manusearam meu cãozinho acabou tirando a vida dele. Adorava aquele bichinho. Às vezes deixava de comprar coisas pra mim para dar a ele”, conta o aposentado que, inclusive, deu parte na delegacia, mas até hoje não teve nenhum retorno do caso.

Esse episódio serve para alertar que a castração química não é tão simples. Deve ser feita apenas por veterinários devidamente treinados e jamais por outras pessoas como funcionários de pet shops e muito menos pelos próprios tutores. O método exige uma aplicação lenta e com agulha fina especial. Além disso, ninguém pode ser “obrigado” a submeter seu animal à castração química ou microchipagem.

Dose maior em animais abandonados

Em países como EUA e Reino Unido, por exemplo, esse tipo de castração é usada, geralmente, em animais jovens, com até um ano de idade, para garantir a eficiência. No Brasil, pelo menos até o momento, não há restrição de idade. No Exterior, como a resposta ao medicamento é tratada como individualizada, recomenda-se exames para checar o nível de fertilidade algum tempo depois das injeções.

Além do gluconato de zinco, o que há de comum entre o produto liberado para a castração química no Brasil e seus similares como o Neutersol, usado em outros países, é que se faz necessária uma segunda aplicação para garantir a infertilidade do animal.

Por isso, no que se refere à castração química como controle populacional, seria necessário fazer algum tipo de marcação e capturar duas vezes o mesmo animal em situação de rua para as duas doses do produto. Então o fabricante do Infertile recomenda, nesses casos, uma dose maior, para a qual já existe estudo, porém não a longo prazo.

“A dose aumentada (na média, 50% superior à dose prevista em bula) torna os animais estéreis, segundo tese de mestrado defendida na UFRA – Universidade Federal Rural da Amazônia. Essa dose não altera a segurança para o animal. Hoje recomendamos duas doses conforme a bula em cães domiciliados e uma dose aumentada em cães não domiciliados”, comenta Ricardo Lucas, veterinário responsável pela Rhobifarma Indústria Farmacêutica, fabricante do Infertile.

A opinião de políticos engajados na causa animal

Controle populacional dos animais abandonados deve priorizar a castração das fêmeas, segundo o deputado estadual Feliciano Filho (PSC), de SP. Ele argumenta que a castração permanente por meio de cirurgia ainda é a melhor solução: “O grande problema da castração química, com relação a sua efetividade, sem entrar no mérito técnico que hoje gera uma grande polêmica, é matemático, pois, sabemos que a procriação de cães e gatos se dá de forma geométrica, ou seja, em caráter exponencial”.

Ele aponta uma possível consequência da castração química como controle de natalidade: “Se o município castrar quase todos os machos da cidade, sempre ficará um residual que fecundará as fêmeas. Com isso, tanto o trabalho quanto o dinheiro investidos serão perdidos. A melhor forma de controle populacional se dá por meio da castração das fêmeas em forma de mutirão por saturação, ou seja, bairro a bairro”.

A deputada estadual Regina Becker Fortunati (Rede), do Porto Alegre (RS), desenvolveu várias ações em defesa dos animais ao longo de mais de dez anos, incluindo a Secretaria Especial dos Direitos Animais (SEDA): “Chegamos a fazer 28 mil castrações, todas cirúrgicas. A castração química é um perigo para a saúde dos animais. Jamais apoiamos programas de castração em massa com esse método”.

O vereador Guto Machado (PHS) de Jaú, Interior de SP, cria parcerias para conseguir castrar e doar os animais de rua, incluindo uma ação bem inovadora com o shopping da cidade, onde vende chinelos e outros produtos com fotos dos animais prontos para adoção: “Nossa média é de 200 castrações por mês, mas, por enquanto, fazemos apenas a cirúrgica por ser um método com segurança comprovada”.

A vereadora Kátia Dittrich , conhecida como a Kátia dos Animais de Rua (SD),de Curitiba (PR), há oito anos na proteção animal e com uma plataforma que inclui castração de animais como forma de controle de natalidade, também prefere a cirurgia: “Nunca usamos outro método. Não posso falar tecnicamente, pois, desconheço a castração química, mas a cirúrgica, sem dúvida, dá resultado”.

Algumas fontes de pesquisa utilizadas nessa matéria:

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/castracao-quimica-e-aprovada-por-conselho-3ixrxbl2vu3c31rdt57chrxhq

http://latecoracao.blogspot.com.br/2011/07/ong-e-parceira-castracao-quimica-inicia.html

http://www.tede2.ufrpe.br:8080/tede/handle/tede2/4665

http://www.cbra.org.br/pages/publicacoes/rbra/v35n2/RB369%20Oliveira%20pag262-265.pdf

http://www.eventosufrpe.com.br/jepex2009/cd/resumos/R0688-1.pdf

http://www.veterinariosnodiva.com.br/infertile-dis.htm

http://www.cinofiliapaulista.org.br/leis/controledecaes.asp

https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=https://www.pets4homes.co.uk/pet-advice/is-chemical-castration-an-option-for-your-dog.html&prev=search

http://www.uenp.edu.br/certificados/propg/2015/Joic%20V%20-%20UENP/Ciencias%20Agrarias/Larissa%20Meyer%20de%20Figueiredo%20-%20CA%20JOIC%20FINAL.pdf

*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

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