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Falecimento de animais pode desencadear processo de luto em tutores

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Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Milly foi adotada em 2001 | Foto: Jennefer Nunes/ Arquivo pessoal

A relação entre humanos e animais mudou radicalmente nos últimos anos. Há poucas décadas animais eram adotados apenas com a finalidade de servirem às imposições humanas, como vigiar propriedade e residências ou para a caça. Felizmente, o nível de consciência da humanidade tem evoluído e hoje animais têm sua senciência reconhecida e são amados e tratados como verdadeiros membros da família.

Os animais que antes eram mantidos nos quintais de casas, hoje em dia fazem parte da rotina de seus tutores e até chegam a vivenciar momentos importantes ao lado deles, de acordo com o psicólogo de Ipatinga (MG), Leonardo Morelli. Um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que 44,3% dos lares brasileiros têm a presença de ao menos um cão.

Morelli afirma que a relação é tão intensa que alguns tutores quando perdem seus animais domésticos, passam por um processo de luto: “O luto caracteriza um processo de perda. Não pode ser considerado uma doença, portanto não existe um tratamento. Esse sentimento de perda pode ocorrer tanto em relação a um ente querido ou um animal. O luto é único, cada pessoa tem o tempo de recuperação e reações diferentes. No caso da morte de um animal doméstico, a pessoa que perdeu, geralmente, considera o animal como um membro da família, muitas vezes como filho, então é totalmente compreensivo a dor”.

Como é o caso da estudante de administração Jennefer Oliver Nunes. Seu animal doméstico, uma cadela da raça dachshund chamada Milly, que foi adotada em 2001, faleceu há seis meses. Segundo ela, no início foi difícil conviver com a perda, mas com o tempo ela conseguiu superar e atualmente permanece a saudade: “A morte da Millynha foi muito difícil para todos nós da família, afinal 15 anos não são 15 dias. Sofri e chorei muito, porque é difícil olhar para os cantinhos da casa que ela ficava e não vê-la ali. Acreditamos que ela morreu de velhice. Na fase adulta ela teve algumas doenças, mas fizemos os tratamentos adequados, o que prolongou o tempo de vida dela. Certo dia estava tomando café e vi ela passando mal, corremos para a clínica, mas infelizmente ela não resistiu. Foi doloroso, é um processo de recuperação”, contou.

Fotos e até um quadro de Milly ainda permanecem na casa de Jennefer. Segundo o psicólogo Leonardo, para muitas pessoas que não criam laços profundos com os animais, o luto pode parecer algo estranho: “Uma outra pessoa que não tem relação de tanta afetividade com o animal, jamais vai entender o sentimento daquele tutor que perdeu o cão ou gato. Portanto, muitas vezes essa não compreensão gera um certo preconceito de quem está de fora, com a pessoa enlutada. Isso é ruim, porque os tutores dos animais se sentem culpados por estarem sofrendo pela morte deles, e acabam reprimindo o sentimento. Essa repressão pode gerar uma doença, a depressão.

Bruce foi adotado por Jennefer após a morte de Milly | Foto: Jennefer Nunes/ Arquivo pessoal

Leonardo diz que o processo do luto pode levar de três meses a um ano. O profissional alerta que é preciso avaliar se esse sentimento está atrapalhando o dia a dia da pessoa que perdeu o animal: “Passando o determinado tempo, é preciso avaliar o comportamento da pessoa, porque o luto não pode atrapalhar a retomada da vida dela. E como não há um tratamento, é somente a força de vontade de quem perdeu para voltar às atividades rotineiras”, concluiu.

Para Jennefer que hoje superou a saudade de Milly, apesar de ter adotado outro animal, o amor que sentia pela cadela não será substituído: “Nenhum cão substitui outro que morre, mas preenche o vazio que fica por causa desta ausência. No início tive resistência em adotar outro animal, porque ainda estava sofrendo com a morte da Milly. Então comecei a cuidar de alguns animais abandonados que ficavam na porta da minha casa. Tentei salvar um cachorro que estava muito doente, mas acabou morrendo. Hoje adotei o Bruce, um cachorro muito dócil e carente, que vivia nas ruas do bairro”, contou ao G1.

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