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Mata Ciliar registra aumento de 25% de animais em dois anos

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Foto: Rui Carlos

O principal centro de conservação e reabilitação de animais silvestres da Região, Associação Mata Ciliar, está sofrendo uma sobrecarga no atendimento por causa do constante aumento de animais que chegam à instituição, incluindo animais exóticos vítimas do tráfico de animais silvestres.

Nos últimos dois anos, a associação registrou o aumento de 25% no número de animais necessitando de atendimento, passando de 2.166 em 2014 para 2.726 no ano passado. Se não bastasse este aumento, a Mata Ciliar começou o ano com a notícia de cortes nos convênios com três prefeituras da Região, Cabreúva (que possui 41,19% de área tombada da Serra do Japi), Cajamar (0,37%) e Valinhos.

Segundo a médica veterinária e coordenadora de fauna da Mata Ciliar, Cristina Harumi Adania, a sobrecarga no trabalho e a queda na arrecadação têm prejudicado o trabalho principal da instituição, que é a reabilitação. A veterinária, que presta serviço voluntário à instituição, não sabe informar a porcentagem dos animais que chegam ao local e conseguem retornar à vida livre, porém afirma que no ano passado soltaram menos animais nas matas se comparado aos dois anos anteriores.

“A sobrecarga do nosso trabalho prejudica na eficiência da reabilitação e a soltura dos animais. Além disso, estamos presenciando cada vez menos áreas de mata nativa para eles serem soltos com segurança”, alerta.

A questão do desmatamento é outro fator preocupante que tem colaborado para o aumento da chegada de animais. Segundo a coordenadora de Fauna da associação, a questão do bem-estar do animal silvestre tem piorado significativamente. Além dos animais vítimas de maus-tratos e do tráfico, a associação tem se assustado com o recebimento de animais silvestres livres em estado crítico e de muito sofrimento.

“Temos recebido cachorros do mato e lobo-guará com sarna. Isso é preocupante, o aumento do desmatamento está acabando com as áreas onde eles possam viver com qualidade”, explica, acrescentando que o crescimento de doenças emergentes, como as que estamos presenciando com a volta da febre amarela, também são proporcionadas pelo desequilíbrio ambiental.

Animais exóticos

O trabalho de origem da Associação Mata Ciliar de conservar a vida silvestre brasileira também tem se desvinculado ao receber animais exóticos, que são resgatados em alfândegas, nos Correios ou vítimas de abandono. É o caso de duas tartarugas mordedoras americanas e dois emus australianos, que chegaram no mês passado. Além disso, o local teve de se adaptar para receber sete jacarés-açu apreendidos em Piracaia.

Crise financeira

As dificuldades financeiras na Associação Mata Ciliar são outro fator preocupante. A veterinária Cristina critica as prefeituras que cancelaram o convênio, principalmente as que possuem territórios dentro da Serra do Japi. “Isso mostra que a fauna não é prioridade para essas prefeituras”, analisa.

Das três prefeituras citadas, apenas Cabreúva respondeu e informou que os esforços financeiros da administração estão voltados à implantação de um Centro de Reabilitação Animal para o município.

Programas e convênios

Uma das principais formas de manter a excelência no trabalho é o apoio de empresas privadas, através do programa Guardiões da Mata. A entidade também conta com profissionais que prestam serviço no local, através de convênio com universidades, por meio do Programa de Aprimoramento Profissional. Também há o concorrido programa de estágio, que neste ano receberá duas estudantes de Portugal.

A veterinária Jéssica Paulino, 25 anos, passou dois anos de treino na Mata Ciliar como aprimoranda e passou recentemente como médica veterinária oficial da entidade. Ela é natural de São José do Rio Preto e passou a morar dentro da associação por amor aos bichos. “Me sinto orgulhosa de fazer parte da equipe.”

A Associação Mata Ciliar também conta com o programa Adote um Animal, em que o interessado pode apadrinhar um animal com um valor a partir de R$ 20 por mês. Segundo informações da Mata, cerca de 300 pessoas já aderiram ao programa, porém informa que a colaboração representa cerca de 5% dos custos da entidade.

Fonte: Jornal de Jundiaí

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