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Governo dos EUA acoberta realidade sombria das fábricas de filhotes

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Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Companion Animal Protection Society (CAPS)

A luta para salvar cães de fábricas de filhotes sofreu um grande revés depois que informações relacionadas à Lei de Bem-Estar Animal (AWA) anteriormente disponibilizadas online desapareceram de um site do governo norte-americano.

Os relatórios de inspeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) – a agência governamental que supervisiona a execução da AWA – não estão mais disponíveis para o público. Esses relatórios detalham infrações contra o bem-estar animal em todos os tipos de instalações – incluindo fábricas de filhotes, zoológicos e circos – e estavam acessíveis há mais de uma década.

Ativistas pelos direitos animais estão profundamente preocupados sobre como isso vai afetar seu trabalho para tornar a vida dos cães melhor. Alguns já estão planejando maneiras de resistir à ordem.

New Jersey “irá contrariar a remoção de informações do USDA, proibindo qualquer loja de animais de exibir mais vítimas a menos que o criador renuncie ao seu direito de privacidade e tenha seus relatórios de inspeção no site do USDA “, disse Raymond Lesniak, que trabalha para acabar com esses criadouros desumanos que fornecem cães para lojas de animais na região.

Embora o USDA continue suas inspeções em instalações em todo o país, as pessoas temem que, devido a esta nova política, o público pode nunca saber o que os inspetores irão encontrar. Isso significa que as condições de vida esquálidas de cadelas mães e filhotes em criadouros em massa podem nunca vir à tona.

“Temos sido o cão de guarda do USDA há 20 anos. Uma maneira de usar relatórios de inspeção é para que possamos monitorar as inspeções do USDA”, disse Deborah Howard, presidente da Companion Animal Protection Society (CAPS) ao The Dodo. A CAPS envia investigadores para estas instalações de reprodução e observa atenciosamente o que o USDA reporta.

Em alguns lugares, como Nova York, as lojas de animais são obrigadas a fornecer os relatórios de inspeção às pessoas que compram cães, disse Howard. Agora não está claro se isso será possível. “Eles colocaram os relatórios online sob o governo Obama e foi muito útil para todos, comparamos nossas descobertas com os inspetores, se não tivéssemos esses relatórios, não poderíamos fazer nossas inspeções”, apontou Howard.

Agora, se as pessoas quiserem ter informação sobre grandes fábricas de filhotes – juntamente com qualquer outro tipo de instalação que usa animais e está sob o USDA – elas terão que emitir um pedido através da Lei de Liberdade à Informação (FOIA), o que poderia envolver longas esperas.

Howard, em suas duas décadas de trabalho, testemunhou em primeira mão como os pedidos de informação eram arquivados no passado. Às vezes, demorava um ano e meio para obter os documentos de que ela precisava. Outras vezes “demorou tanto tempo, acabamos por desistir”, disse.

Para os repórteres preocupados com o bem-estar animal, por exemplo, isso torna qualquer reportagem sobre maus-tratos de animais  – em cerca de nove mil instalações supervisionadas pelo USDA – muito mais difícil.

Foto: Vimeo/CAPS

“Todas as informações foram removidas, incluindo relatórios de inspeção para criadores, expositores e instalações de pesquisa”, afirmou Tanya Espinosa, especialista em assuntos públicos para assuntos legislativos e públicos no USDA-APHIS.

No anúncio na página onde esses registros já foram acessíveis, o USDA disse que a decisão foi “baseada em nosso compromisso de ser transparente…e manter os direitos de privacidade dos indivíduos”. Alguns observaram que muito pouca informação sobre indivíduos foi divulgada nesses relatórios.

Muitos defensores do bem-estar dos animais estão chocados em ver que a transparência que ajudou a proteger os animais transformou-se rapidamente em uma questão politizada.

“Esta ação do USDA serve apenas para proteger as fábricas de filhotes que são pegas abusando ou negligenciando animais. No ano passado, esses relatórios de inspeção expuseram criadores que ameaçaram agredir fisicamente os inspetores, permitiram que os cães sofressem com lesões dolorosas e não tratadas e, em um caso, até atiraram em um cachorro na cabeça. O USDA deve trabalhar para parar esta crueldade em vez de acobertá-la”, declarou John Goodwin, diretor sênior da Humane Society da campanha Stop Puppy Mills dos EUA.

“Esta parece ser uma situação em que o USDA age conforme interesses especiais em detrimento da transparência e do bem-estar animal. Esta é uma informação pública e está sujeita à FOIA, por isso é espantoso que o USDA tome medidas para dificultar ainda mais o acesso a estes dados. Estamos profundamente preocupados, pois este é um esforço para proteger aqueles que estão fazendo mal aos animais” completou Nancy Perry, vice-presidente sênior das relações do governo para a ASPCA.

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