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Lares temporários se profissionalizam e viram hotéis para cães e gatos

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Por: Fátima ChuEcco*

Cão hóspede do Hotel da Paula Canazza
Cão hóspede do Hotel da Paula Canazza

Os famosos “LTs” ou lares temporários, geralmente mantidos por protetores de animais, estão passando por uma mudança benéfica tanto para os animais quanto para toda a sociedade. É que vários desses locais estão conseguindo investir em uma infraestrutura capaz de receber “hóspedes” que podem pagar por uma estadia segura e de qualidade e, desse modo, manter, paralelamente, o trabalho de resgate de animais abandonados ou vítimas de maus-tratos.

São LTs que recebem animais oriundos de outros protetores ou de pessoas que simplesmente encontram um animal abandonado, mas não têm condições de ficar com ele porque trabalham o dia todo fora ou outras razões. É cobrado valor pela permanência do animal no local, bem como pela ração, cuidados básicos e veterinários (se necessário), castração e o que mais for preciso até que o “cliente” seja adotado. Acaba sendo uma solução para quem deseja ajudar um cachorro ou gato que encontrou pelo caminho ou que foi largado em sua casa na surdina. Enquanto a pessoa busca adoção nas redes sociais, um profissional da causa animal o hospeda e cuida dele.

Espaço para animais idosos no Hotel do Juka
Espaço para animais idosos no Hotel do Juka

Diferentes dos LTs mais antigos ou que ainda não puderam ser reformados, os novos LTs não mantêm os animais presos em diversos compartimentos a não ser que seja absolutamente necessário por razão de convalescência ou motivo de adaptação com outros animais. Por isso esses LTs são chamados de hotéis que poderiam, a grosso modo, ser comparados a um “hostel” – um hotel mais simples, com opção de dormitórios e banheiros coletivos, como acontece no caso de “hostel” para humanos.

O publicitário Juka Sobreiro há anos alimentava o sonho de criar um hotel para cachorros em SP. Quando retornou de um dramático resgate de cães que estavam sendo assassinados ou abandonados para morrer numa ilha em Santa Cruz do Arari, no Pará, resolveu colocar seu sonho em prática. Aliás, do Pará, Juka trouxe dois cachorros (um deles sem os braços apelidado de Boneco) e um gato, que estão com ele até hoje. Inicialmente, junto com outra protetora, a Paula Canazza, montou uma estrutura em Mairiporã voltada para resgates para fins de eventos de adoção. Hoje, cada um deles tem seu próprio, digamos, “hotel solidário”.

Carmem Portela
Carmem Portela

“A proposta é continuar ajudando os animais abandonados ou em péssimas condições com a renda obtida com lar temporário para protetores ou ONGs que já estão sem espaço para abrigá-los. É uma opção também para pessoas que encontraram algum animal abandonado, querem ajudar e até arranjar lar para ele, mas não podem cuidar dele ou mantê-lo em suas casas. Um cão de hotel, por exemplo, banca um de resgate e, assim, todos ganham”, comenta o protetor.

No Hotel do Juka, em Cotia (SP), os cães ficam soltos, mas são divididos em matilhas, cada uma vivendo em uma casa com quintal, área coberta e também espaço para tomar sol. Tem até piscina! Os velhinhos têm um lugar especial só para eles. “Quando chega algum novo cão mais medroso ou filhote, por exemplo, normalmente fica com os mais velhos. Não trabalho com baias. Aqui todos são livres e recebem alimentação três vezes por dia”, conta.

Cão Boneco no Hotel do Juka
Cão Boneco no Hotel do Juka

Juka também trabalha a adoção dos animais, mas somente depois de plenamente recuperados e castrados. O valor da hospedagem varia entre R$ 300 e R$ 350 dependendo do porte do animal, com ração, vermifugação e vacinação inclusas. A castração é cobrada à parte. “É muito importante escolher um LT confiável e profissional. Infelizmente tem gente que oferece LT só visando lucro, amontoa os animais, deixa que adoeçam ou coisa pior”, ressalta.

O LT de Paula Canazza é em Terra Preta (SP): “É uma casa de passagem enquanto os animais não são adotados. Aqui eles se recuperam física e emocionalmente. Trabalho com animais soltos e juntos para socializarem e terem mais chances de adaptação. Minhas baias são apenas para tratamento, mãe com filhotes ou recuperação de alguma cirurgia. Faço eventos de adoção todo os sábados”, relata a protetora.

Hóspede do Hotel Paula Canazza
Hóspede do Hotel Paula Canazza

Paula também cobra em média R$ 300 incluindo ração, vermifugação, vacinação e idas e vindas aos eventos de adoção. Castração à parte. “Todos eles têm acesso ao interior da casa e quintal. A ração e água ficam sempre à vontade, assim eles aprendem a não disputar comida, já que esse é um dos problemas quando o cão chega, pois, na rua ficam acostumados a disputar tudo. Também faço resgates e com o valor dos LTs mantenho as contas”. Paula já resgatou muitos gatos recentemente e, como ainda está tratando da recuperação e adoção deles, agora só oferece LT para cães.

No bairro da Água Funda, SP, a radialista e protetora Carmem Portela mantém o LT ou Hotel Mamas Dog que segue a mesma logística do Hotel do Juka, separando os animais em matilhas. “Gosto de mantê-los soltos, mas para realizar um trabalho assim, dando total liberdade aos animais, é preciso muita experiência e sensibilidade. Eu atuo com resgates e adoção há mais de 20 anos. Resolvi aproveitar essa habilidade para transformar minha casa em um hotelzinho para quem precisa de um lugar para manter um animalzinho até conseguir adoção para o mesmo”. Carmem oferece a ração e vermifugação. Vacinas ela inclui quando ganha de alguma empresa. Castração também à parte.

Serviço:
Hotel do Juka  (11) 98344-1596
Hotel da Paula Canazza – (11) 98630-3541
Mamas Dog – (11) 99275-2455

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e da causa animal.

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