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Caminhos para um ensino de qualidade, moderno é ético

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Por Fátima ChuEcco

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Segundo Silvana Andrade, fundadora e presidente da ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais, a primeira agência do gênero no mundo e a maior da América Latina, não há a mínima necessidade do uso de animais vivos na educação com tantos métodos substitutivos disponíveis: “Com todos os recursos existentes já há bastante tempo, as universidades não têm justificativa ética, financeira e tecnológica para continuarem com essa prática cruel e obsoleta de explorar animais no ensino. É preciso que os professores saiam do obscurantismo e ensinem de uma forma ética, eficiente e moderna. Essas práticas são na verdade, do ponto de vista didático, um processo de dessensibilização dos futuros profissionais que, ao invés, de humanizarem o atendimento aos pacientes, acabam se tornando frios”.

E ela lembra que, “a Lei Federal de Crimes Ambientais N º 9.605/98, em seu artigo 32, parágrafo 1º, diz que incorre em penas de maus-tratos contra animais quem realiza a experiência dolorosa ou cruel em um animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos quando houver recursos alternativos. E no parágrafo 2º diz ainda que a pena aumenta de 1/6 para 1/3 se ocorrer morte do animal”.

Nos Estados Unidos, mais de 90% das faculdades de Medicina não utilizam mais animais em experimentos, entre elas, instituições conceituadas, como Harvard, Stanford e Yale. Na Grã-Bretanha e Alemanha 100% as faculdades de medicina não utilizam mais animais em experimentos.

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Segundo o Comitê Médico para a Medicina Veterinária Responsável (com sede em Whashington), apenas quatro faculdades nos EUA e Canadá ainda usam animais vivos das 187 existentes.

“Hoje, já existem métodos substitutivos que dispensam o uso de animais, garantindo plena eficácia de aprendizado. Essa substituição é prevista por lei no Brasil, mas poucos estabelecimentos de ensino a cumprem, preferindo, ainda, consumir vidas de milhares de animais num processo que visa somente a passagem de conhecimento, não a obtenção dele. Nas melhores universidades europeias e inglesas, o uso de animais já foi abolido, demonstrando respeito para com a vida dos animais e para com os estudantes, que, desse modo, valorizam mais a vida, como um todo”, comenta Nina Rosa, presidente do Instituto Nina Rosa, em seu site.

O Brasil mostrou-se rumo a essa tendência ao ter a professora Júlia Maria Matera, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP premiada em fevereiro pela World Animal Protection, uma das entidades mais respeitáveis do mundo. A professora ficou em primeiro lugar no concurso “Métodos substitutivos ao uso prejudicial de animais no ensino humanitário da Medicina Veterinária e Zootecnia na América Latina”. O terceiro lugar do prêmio ficou para a professora Simone Tostes de Oliveira Stedile, da disciplina de Semiologia da Faculdade de Medicina Veterinária – Universidade Federal do Paraná.

Na USP eram utilizados cerca de 300 animais por ano recolhidos do CCZ e isso incomodava muito a professora Julia. “Pesquisamos alternativas e encontramos uma técnica para embalsamar cadáveres no século 18. Com a introdução dos cadáveres cedidos pelo Hospital Veterinario da FMVZ com autorização dos tutores, todos os alunos passaram a poder realizar os procedimentos e, inclusive, repeti-lo. Além disso você tem um aluno muito mais concentrado, que consegue prestar atenção e pode repetir o procedimento sem culpa”, declarou ao boletim da USP.

Rosângela Ribeiro, gerente de programas veterinários da World Animal Protection Brasil, disse por ocasião do concurso da instituição: “A professora Julia Matera revolucionou a forma de ensinar cirurgia porque passou do uso de animais vivos para o uso de cadáveres de fonte ética”.

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O site da World Animal diz ainda sobre a USP: “Os alunos aprendem a fazer incisões (cortes), suturar (costurar), conter hemorragias (sangramentos) e treinam técnicas cirúrgicas importantes antes de tratar animais que realmente precisam de atendimento. Frequentemente, nos cursos de medicina veterinária e zootecnia, o uso de animais em sala é feito de forma prejudicial. Isto significa que milhares de animais são submetidos a algum tipo de dor, estresse físico e/ou psicológico, privados de suas funções biológicas ou mesmo mortos para fins didáticos. Os métodos humanitários não prejudicam os animais. São simuladores (realidade virtual), manequins, impressoras 3D, vídeos de treinamento cirúrgico e uso de cadáveres de origem ética”.

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, por exemplo, tecidos sintéticos e bonecos são utilizados para simulação no treinamento de suturas, pontos e punções vasculares, como conta o professor Brasil Silva Neto, do departamento de cirurgia. “Acreditamos que para o treinamento necessário dos alunos isto seja suficiente, antes que os mesmos tenham contato com pacientes. No último mês, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) inaugurou um centro de simulação virtual em cirurgia, onde não somente habilidades básicas, mas procedimentos mais avançados podem ser praticados em realidade virtual”.

O curso de veterinária da PUC-Campinas também aboliu o uso de animais vivos. “O uso de animais vivos em sala de aula dessensibiliza o aluno”, diz a professora Odete Miranda, da Faculdade de Medicina do ABC que não utiliza mais animais desde 2007 na graduação de Medicina. “O padrão internacional de ensino vai nessa direção”, diz Karen Abrão, diretora da Escola de Ciências da Saúde da Faculdade Anhembi-Morumbi que não utiliza animais vivos em seu curso de Medicina desde2008.

“Várias inovações foram divulgadas pelo veterinário Hassen Jerbi, um apaixonado pelo ensino de Medicina Veterinária. Entre as réplicas, há órgãos diversos, sistemas digestivos de cavalos, modelos de cães, vacas e até um bezerro para simular o parto”, diz a bióloga Karlla Patrícia no Blog Diário de Biologia.

Para saber mais – Algumas matérias que saíram na ANDA sobre universidades e testes em animais:

Faculdades desistem de usar animais vivos em cursos de medicina do país

Universidade britânica que explorava animais como cobaias começa investigação interna

Universidade na Escócia é criticada por testes em animais

Cientistas conceituados recomendam que o Brasil proíba testes de cosméticos em animais

Universidade de Oklahoma cede a ativistas e anuncia fim de programa de testes com babuínos

USP de Ribeirão Preto (SP) cria ‘rato virtual’ para substituir cobaias vivas em testes

USP desenvolve pele artificial para abandonar testes com animais

*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e ativista da causa animal

 

 

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