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Veganismo lúdico

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Por Carol M. Palma
palmacarolmanzoli@gmail.com

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Dia desses assistia a versão Francesa de Bela e a Fera, com um tom de encantos e mistérios. Na história, viva de cores e detalhes, a Fera, ainda homem, casa-se com uma Ninfa da floresta, transformada em humana para ter uma experiência amorosa. A princesa pede ao seu companheiro que deixe de caçar o cervo dourado que habita a região, mas a ganância do cidadão é sem limites e ele percorre alucinadamente os campos e as matas atrás do animal.

Na sequência, que é de tirar o fôlego e partir o coração, o animalzinho corre desesperado, com seu olhar puro, sem compreender o que se passa, tentando se proteger. Fugindo em direção ao castelo, o rei lhe encurrala e lhe atira uma flecha (na alma e no corpo), esvaindo-se a vida da mágica criatura. Cheio de orgulho, o rapaz se aproxima para olhar nos olhos do cervo agonizante e eis que ele se transforma em sua querida esposa. É só assim, nesse momento, quando paira uma terrível dor, percebe a unidade das coisas. Daí que a fúria da natureza lhe cobre com um feitiço em que todos os seus amigos e ele próprio, são convertidos em seres assustadores.

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Transpondo-se os limites de tempo e espaço, tiro o final de semana de folga em Brotas/SP, e me sinto dentro do filme: coelhos andando soltos, pequenos macacos nas árvores e o espanto de uma tempestade que se aproxima, uma aranha nadadora faz ballet no laguinho e a trilha mágica leva a sons de animais escondidos em meio às plantas.

No caminho à piscina, escuto uma história das funcionárias sobre uma filhote “bambi” recém resgatada. A terrível pressão que exercemos sobre a natureza através dos novos desertos verdes de cana-de-açúcar está criando cada vez menos espaços de convívio dos nossos irmãos. Os bombeiros resgataram a pequena e a levaram ao hotel. Tenho que confessar: senti tanta ternura ao encontra-la, tanto amor e misericórdia, com desejos de que encontrassem sua mãezinha, perdida no meio da cana. Foi tão triste quanto o filme, pois não a localizaram, mas a bebê foi adotada. Lhe fiz carinho e ela parecia sorrir para mim.

Ao olhar nos olhos daquele animal, de pura luz e inocência, senti a necessária integração entre Direitos Animais e Direito Ambiental. É preciso compreender sobre sinergia. De nada adianta plantar árvores isoladamente, sem olhar para a existência como um todo, inclusive um todo metafísico, em que não há separação entre o eu e o você. O planejamento urbano deve incentivar a noção de circularidade sustentável das árvores. O que vemos hoje são pequenos fragmentos isolados. Nos tornamos tão fera quanto a Fera do filme, vivendo isoladamente em nossos castelos de cimento. Cimento que nos leva às mais variadas doenças pelo distanciamento com o natural.

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As “coincidências” brincam significados ocultos. No caso, entendi que escrever seria um ativismo. Sem perder a esperança e inocência de uma criança, mas com a firmeza e tecnicismo de uma profissional que busca retomar a consciência da Unidade em todos os seres humanos. Por ela e por todos nós.

* Carol M. Palma é artista, advogada, terapeuta corporal e educadora ambiental. Mestre em Direito e Doutoranda em Educação.

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