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Afinal, quais gorilas estão em extinção?

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Por Fátima ChuEcco*

Filme  “A Montanha dos Gorilas”
Filme “A Montanha dos Gorilas”

Na verdade todos, mas recentemente a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) divulgou uma Lista Vermelha que causou confusão para quem não entende de gorilas. Aqueles gorilas que ficaram famosos no filme “A Montanha dos Gorilas”, que conta a história da primatóloga Dian Fossey, são os mais ameaçados, pois, além de restarem apenas 880 indivíduos, eles estão numa região que é uma das mais pobres e violentas do mundo: nas Montanhas de Virunga, na junção entre Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo, na África. Sua permanência na Terra está por um fio.

Mãe e bebê gorila da montanha
Mãe e bebê gorila-da-montanha

Os gorilas-das-montanhas (do filme) são uma subespécie do “gorila-do-oriente” e o nome científico é “gorilla beringei beringei”. Não existe nenhum em zoo. O gorila-do-oriente tem ainda uma segunda subespécie, a “gorilla beringei graueri” que só existe na República Democrática do Congo. Essa subespécie é que acaba de entrar na Lista Vermelha da IUCN porque teve uma drástica redução da população e hoje está em cerca de 3.800 indivíduos, mas ainda é bem mais numerosa que os gorilas-das-montanhas retratados no recente “Virunga”, que concorreu ao Oscar de melhor documentário ano passado e pode ser visto no Netflix.

Harambe
Harambe

Na Lista Vermelha entram ainda os gorilas-do-ocidente e para ficar fácil de identificar é só lembrar do gorila Harambe (vide foto), morto no Zoo de Cincinnati (EUA) quando um menino de três anos caiu no poço dos gorilas. O gorila-do-ocidente é também chamado de gorila-das-planícies e há cerca de 300 deles em zoos espalhados pelo planeta. No entanto, também entraram na Lista Vermelha. A diferença mais visível entre o gorila da montanha e o da planície é o corpo. O primeiro costuma ser mais pesado, com até 220 quilos e é também mais peludo para enfrentar o frio das montanhas.

Os gorilas-das-montanhas vivem em terras altas e vulcânicas de Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo. Os gorilas-das-planícies se encontram na Guiné Equatorial, Angola, Camarões, República Centro Africano, Congo, Gabão e República Democrática do Congo. Ambas espécies são herbívoras, com apenas 3% da alimentação composta por formigas, cupins e larvas – o restante é composto por folhas, sementes, brotos, caules, raízes, flores e folhas.

Líder Costas Prateadas
Líder Costas Prateadas

Com temperamento completamente diferente do descrito em filmes como o clássico “King Kong”, os gorilas tendem a ser pacíficos. O líder, chamado de dorso prateado por ter as costas acinzentadas, decide a direção do grupo durante o dia, o local do descanso à noite e defende a todos diante de ameaças. Em boa parte, sua extinção se deve ao fato de não reagir de forma violenta. Primeiro ele demonstra sua força urrando, quebrando galhos e batendo no peito. O ataque corporal é a última alternativa diante de um inimigo, mas como seu único inimigo é o homem e, geralmente, ele está armado, a defesa do gorila é praticamente ingênua e inútil.

Os gorilas são muito parecidos com os humanos. A gestação dura entre 8 e 9 meses. A amamentação dura um ano. A maturidade só é alcançada por volta dos 11 anos de idade quando os jovens deixam a família para se unir a outros grupos. Isso acontece porque gorilas não se reproduzem com membros da família (pelo menos na natureza). E, muito parecido com algumas culturas humanas, o dorso prateado mantém um harém e detém todas as fêmeas que, também a exemplo dos humanos, de vez em quando se encontram as escondidas com jovens gorilas.

As famílias costumam ter de 20 a 40 indivíduos que, também diferente de como são retratados em filmes, andam pelo chão e não em cipós. Apenas para dormir eles costumam fazer camas com galhos e folhas em árvores, mas nunca em lugar muito alto. Vivem até 35 ou 40 anos, mas com a situação atual, numa vida cercada de perigos, dificilmente chegam a essa idade. Além de serem alvo de caçadores, são também mortos por agricultores e, em meio a países em guerra, sofrem ainda com os conflitos armados. Como se não bastasse, são vítimas também de doenças humanas como o ebola.

Elo perdido

E vale lembrar: gorila não é macaco, mas “grande primata”, da mesma linha evolutiva que o homem junto com os chimpanzés, os bonobos e os orangotangos. São todos hominídeos. Nenhum deles tem rabo que é característica comum dos macacos. A extinção dos gorilas é a perda irreparável de um tesouro sobre nossa evolução. Como gigantes herbívoros e pacíficos, os gorilas, se protegidos e observados, poderiam dar a chave para a prevenção ou cura de diversas doenças. O que eles comem provavelmente tem tudo a ver com sua força, saúde e temperamento.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e ativista da causa animal

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