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Idosa que espancou cão perde guarda de outros animais no ES

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O cachorro Carlos Ambrósio foi levado ao plenário da Câmara durante a reunião da CPI dos Maus-Tratos aos Animais (Foto/ ​Alissandra Mendes)
O cachorro Carlos Ambrósio foi levado ao plenário da Câmara durante a reunião da CPI dos Maus-Tratos aos Animais (Foto/ ​Alissandra Mendes)

O cachorro Carlos Ambrósio reencontrou na manhã desta sexta-feira (19), Cremilda da Silva Conceição Caetano, de 61 anos, que o espancou com um pedaço de pau no último dia 28 de julho, no bairro Boa Vista, em Cachoeiro de Itapemirim. O animal reconheceu e abanou o rabo ao se aproximar da idosa no plenário da Câmara de Vereadores, durante a reunião da CPI de Maus-Tratos aos Animais da Assembleia Legislativa.

A reunião foi conduzida pela presidente da CPI, a deputada Janete de Sá (PMN), e pelo vice-presidente, o deputado Hércules Silveira (PMDB), e contou com a presença dos veterinários do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Cachoeiro, ONGs de proteção animal, Polícia Militar Ambiental, Polícia Civil, representantes de clínicas veterinárias de Cachoeiro e do veterinário Marcos Lesqueves e o biomédico que deu nome ao cachorro, Carlos Ambrósio.

O titular da Delegacia de Infrações Penais e Outras (Dipo), Felipe Vivas foi o primeiro a falar. O delegado contou que a idosa foi conduzida até a delegacia no dia do crime para garantir sua integridade física. “Um policial levou o vídeo ao meu conhecimento, e como as pessoas estavam exaltadas, pedi que a Cremilda fosse conduzida até a delegacia, onde foi ouvida, assinou um Termo Circunstanciado (TC) e foi liberada”, explica.

O vídeo em que a idosa aparece espancado o cachorro foi gravado e postado por um vizinho e já teve mais de 17 milhões de visualizações. “O caso tomou grande proporção por ter sido filmado. As denúncias de maus-tratos em Cachoeiro são poucas. De janeiro até agora, encontramos na delegacia 2.400 ocorrências, sendo somente 10 dessas de maus-tratos com animais e duas são desse caso especifico”, explica Felipe.

Cachorro estava debilitado

O veterinário Marcos Lesqueves, que cuida do cachorro em uma clínica particular da cidade, foi o segundo a ser ouvido. Ele contou que ao tomar conhecimento do vídeo, entrou em contato com os veterinários do CCZ pedindo para cuidar do animal.

“Quando vi o vídeo, liguei imediatamente para o CCZ e pedi para trazerem o cachorro, que tinha o nome de ‘Campeão’, para cuidarmos na clínica, já que o órgão não possui estrutura necessária para atender o caso. Ele foi levado até lá pelo veículo do CCZ”, comentou.

Segundo Lesqueves, o caso do Ambrósio não é isolado. “Recebo em minha clínica de um a três cachorros por semana em situação semelhante ou pior. No caso do Ambrósio foi diferente, por ter sido filmado o espancamento. Quando o levei para clínica, até pedi no CCZ que não fosse divulgado o local onde estava, para preservar o animal”, continua.

Marcos ressaltou que o cachorro chegou debilitado ao local. “Ele estava com doença de carrapato e com uma condição corporal não aceitável. Ele fez os exames laboratoriais, cedidos pelo Dr. Carlos Ambrósio, os exames de fundo de olho, feitos pelo Dr. Paulo Ney Viana, e ganhou um plano de saúde para custear o tratamento. Não estamos pedindo ou recebendo doações, todo o atendimento foi gratuito. O Ambrósio merece ir para uma casa que tenha carinho e amor, porque ele é um cachorro tranquilo e não demonstra em momento nenhum, nem mesmo com dores, ser agressivo”, ressalta o veterinário.

Carlos Ambrósio chegou à clínica com trauma-crânio-encefálico, com perfuração em um dos olhos e estava inconsciente. Ainda, de acordo com o veterinário, ele está em tratamento no olho afetado e por perder a visão. A medicação está sendo ajustada ao tratamento e as melhoras do animal são visíveis.

Reencontro

Por causa de boatos espalhados na internet de que o cachorro apresentado não seria o mesmo que foi espancado pelo idosa, foi feita uma acareação entre Ambrósio e Cremilda. Ao se aproximar da mulher, o cachorro abanou o rabo, demonstrando reconhecer a agressora. A idosa também reconheceu o cachorro como sendo seu e chorando, disse estar arrependida.

“Eu não posso ter mais esse cachorro. Ele me causou muitos problemas. Ele persegue motos e as crianças do bairro. Estou doando, não quero mais ficar com ele. As pessoas de onde moro me julgam e falam de mim por causa das atitudes do cachorro. Um vizinho jogou o carro em cima de mim, mas disse que a intenção não era me atingir, e sim matar o cachorro”, conta a idosa.

Durante o depoimento, Cremilda entrou em contradição algumas vezes. Alegando problemas psiquiátricos, ela disse que perdeu a cabeça no dia da agressão. “Esse cachorro está comigo há 12 anos, mas sempre foi manso. Por causa de ficar correndo atrás das pessoas, pedi ao meu marido para prendê-lo na corrente. Naquele dia, perdi a cabeça. Peguei um pau, que não tinha pregos igual estão falando, e bati. Me arrependi muito e dou graças a Deus que ele não morreu”, completa. Os outros dois cachorros de Cremilda estão no CCZ.

A deputada Janete de Sá (PMN) disse que entregará os documentos registrados pela CPI no Ministério Público de Cachoeiro pedindo a interdição de guarda de Cremilda. “No dia da agressão, familiares dela estavam em casa e não impediram o ato. Então, vamos recomendar a interdição de guarda de animais dela e dos familiares. Peço aos veterinários do CCZ, responsáveis por escolher quem ficará com o cachorro que tenham critérios na escolha e não o deixe ficar na região próximo ao local onde aconteceu a agressão”, frisa.

Além disso, a CPI vai recomendar ao MP que a idosa preste serviços comunitários nas ONGs de proteção dos animais da cidade. “A Justiça vai decidir a pena que ela merece. Isso é algo grave. As pessoas precisam denunciar esse tipo de crime”, completa o deputado Hércules Silveira (PMDB).

Fonte: Folha Vitória

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  1. Penso que deveriam colocar ela limpar alguns canil, para aprender a conviver com os animais, quem sabe assim ela aprenda a ter amor e respeito pelo bichinho.

  2. Se todos os casos de agressão aos animais fossem tratados assim, não teríamos índices tão altos de maus tratos a quem tem os mesmos direitos a uma vida digna.

  3. Com ou sem problemas psiquiatricos, isso é inadmissivel e além do mais ela tem uma familia omissa.
    Parabéns a todos que levaram este caso adiante para que haja punição. Realmente espero que a adoção seja criteriosa e bem longe deste local. Melhoras cada dia mais ao valente Carlos Ambrosio que mesmo depois de todo este sofrimento ainda lembrou da sua “tutora” que o feriu.

  4. Quem é essa coisa para falar que graças a Deus ele não morreu? Onde está o poder público nesta hora em que se tem a prova nua e crua para o mundo ver? É os vizinhos que filmaram e se quer desceram para retirar o pau e impedir que a coisa continuasse. Tá tudo errado e mais uma vez nossos animais ficarão a mercê de covardes como essa coisa e essa “justiça” que se pende para o lado dos mais “fortes”

  5. Ontem eu vi um video no Face que mostrava uma mulher queimando vivo com um maçarico um cachorro todo amarrado, pensem numa cena diabolica! Portanto não tê uma punição ha altura do diabo nesses casos diabolicos é o fim do mundo, é andar pra traz e ninguem merece.

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