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Agentes criam saída humanizada para ‘explosão’ de gatos em presídio de Campo Grande (MS)

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O que gatos, presos e política em saúde pública tem a ver? Quando esses três elementos são discutidos em penitenciárias, cada um se relaciona e há muito o que fazer.

No Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, no bairro Noroeste, em Campo Grande, por exemplo, existem cerca de 150 felinos. A permanência deles nas redondezas é proibida, mas impedi-los de ficar por ali é algo bem mais difícil do que parece. Primeiro porque não há para onde levá-los, a não ser o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) que nem sempre pode receber essa quantidade.

Fazer doação é complicado porque o volume de animais é grande e não se trata de tarefa fácil encontrar novos lares para eles. E mesmo quando alguns somem logo outros futuros moradores aparecem e vão ficando.

Eles aparecem na penitenciária principalmente para procurarem restos de alimentos. Outro motivo, é que ali há certa concentração de ratos e o instinto de caça desses animais fala mais alto nessa hora.

Por isso que, apesar de proibidos, esses felinos fazem um grande favor à população carcerária ao manter certo controle na quantidade de roedores e outras pragas no prédio.

Os gatos conseguem acesso à penitenciária por meio do esgoto ou aproveitam uma pequena brecha que encontram quando algum portão de acesso se abre para transferência ou chegada de novos detentos

Contudo, há outro lado. Como os felinos que vão para lá acabam ficando, eles reproduzem-se sem controle. Uma fêmea, por exemplo, pode ter 200 filhotes ao longo da vida e há um número considerável de gatas por lá. O resultado é que em longo prazo essa situação pode gerar um problema grande.

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Controle sem maus-tratos
Observando a realidade dos felinos na Máxima de Campo Grande, duas agentes penitenciárias propuseram à Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) projeto para castração como forma de evitar uma “explosão” da população felina.

“Matá-los não era uma opção. E se fizessem isso não resolveria porque outros mais apareceriam. O melhor é mantê-los aqui, mas sem que se reproduzam. Os gatos ainda ajudam muito em vários aspectos”, explicou Carla Fonseca, que junto com Edilena Rocha, criou o projeto.

O diretor-presidente a autarquia, Airton Stropa, avaliou a proposta e conseguiu costurar parceria com o CCZ da Capital. A iniciativa é relativamente simples. Regularmente, o centro de controle libera duas vagas para que os gatos da penitenciária sejam castrados. Essas visitas passaram a acontecer desde 1º de agosto.

O trabalho, então, fica para as agentes penitenciárias que ofereceram a ideia. Elas levam os animais para serem castrados e retornam com eles para a Máxima.

Em um médio prazo, o crescimento de gatos vai se estabilizar. Já a aparição de “novos moradores” acaba sendo controlada entre os próprios felinos. Por questões de demarcação de território, os mais antigos nem sempre permitem a chegada de novatos.

“Foi uma importante iniciativa que os próprios servidores tiveram. Os gatos estavam se tornando um problema, mas agora passaram a ajudar”, analisou o diretor-presidente da Agepen, Airton Stropa.

Ele contou que a proposta exigiu que o efetivo encontrasse formas de arrecadar recursos para ajudar na operacionalização. Por exemplo, levantar o dinheiro para custear as idas ao Centro de Controle de Zoonoses, que fica a mais de 14 quilômetros de distância da Máxima.

“Eles se organizaram entre si, fizeram rifa para obter recursos. Foi uma grande iniciativa”, ressaltou Stropa, que ficou responsável por garantir as vagas regulares para castração no CCZ.

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Laços de afetividade
A função de ajudar na “limpeza” contra pragas não é o único trabalho dos gatos na Penitenciária da Máxima de Campo Grande. Bem mais do que isso, muitos desses animais tornam-se a única relação afetiva de presos. Eles têm acesso aos gatos principalmente quando estão trabalhando dentro da unidade prisional e com isso circulam por áreas de trânsito.

“Naquele ambiente hostil, acaba sendo o único laço afetivo que os internos constroem”, revelou Carla Fonseca, que já foi humana de dois gatos e dois cachorros, mas depois de se casar e mudar para um lugar menor, precisou deixa-los na casa da mãe. “Agora estou só com um cachorro”, disse.

Edilena Rocha, parceira de Carla na empreitada, tem grande ligação com os gatos. Para garantir que fosse levantado dinheiro, doou para a rifa que foi feita na Máxima uma joia que tinha.

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Expansão necessária
O funcionamento da ideia na penitenciária de Campo Grande ainda não resolveu o problema crônico de animais nas proximidades de unidades prisionais.

Carla contabilizou que em todo o Estado há a mesma ocorrência de gatos e cachorros abandonados que se abrigam em estabelecimentos penais. O complicado no interior é que o Centro de Controle de Zoonoses das outras cidades não oferecem o serviço de castração gratuita.

“Pesquisamos e descobrimos que projetos com o castramóvel. É um ônibus equipado para fazer os procedimentos. Queremos garantir a compra de um desses para percorrer outros lugares”, disse Carla Fonseca.

Outras localidades, como Sorocaba (SP), Juiz de Fora (MG) e Rio de Janeiro levaram a diante essa proposta e já estão com o equipamento em funcionamento. “Identificamos também que a Holanda foi um dos primeiros países a não ter animais abandonados na rua e fomos entender como isso aconteceu para tentar adaptar para cá”, comentou.

Conquistar essa nova etapa, contudo, ainda depende de mais parcerias. Edilena Rocha e Carla Fonseca estão conversando com organizações não governamentais de defesa do direito dos bichos para encontrar a força necessária. Um veículo adaptado desse jeito está avaliado em cerca de R$ 100 mil.

Fonte: Correio do Estado

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