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Por que a intolerância a imitações veganas de alimentos de origem animal pode atrapalhar o entendimento sobre o veganismo

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Depois que foi noticiado que foi aberto um açougue vegano nos EUA e que abrirá outro em Curitiba, pude ver uma reação contrária de algumas pessoas, que foi além da simples questão do gosto pessoal. Afinal, segundo elas, é inaceitável, imoral, consumir produtos que lembrem sensorialmente (em termos visuais e gustativos) alimentos oriundos do sofrimento animal. A postura tem uma intenção bondosa, mas pode atrapalhar o entendimento de muitas pessoas sobre o veganismo e a essência dos Direitos Animais.

Quando se diz que é “errado” comprar e consumir versões veganas de produtos como linguiças, salsichas, hambúrgueres, bifes, queijos, leites e mel – às vezes referidas como imitações ou mimeses -, promove-se uma confusão sobre o que o veganismo enfoca e considera antiético. Promove-se uma desnecessária dúvida: o veganismo é simplesmente contra a exploração e morte evitável de animais ou também é contra o consumo de produtos que lembrem em visão e paladar os frutos de exploração animal?

Produtos como carne de proteína texturizada de soja, queijo de mandioquinha, leite de aveia, maionese vegetal, vegarela (mussarela vegetal) e mel de engenho (melaço de cana-de-açúcar) não implicam o tratamento de animais como seres inferiores, coisas, recursos, e a consequente morte violenta deles. Apenas parecem alimentos de origem animal. Logo, não há objeções éticas e não subjetivas, no âmbito vegano-abolicionista, a se fazer de seu consumo.

Assim sendo, a imoralidade de ingeri-los é, ou deveria ser algo estritamente individual, de preferência pessoal, de se sentir psicologicamente bem ou mal em pensar em consumi-los. Ou seja, tudo bem alguém dizer que não se sente bem em comer um bife de glúten por parecer muito, em textura e sabor, uma carne vermelha. Passa a ser um problema quando a pessoa diz que comer bifes de glúten é objetivamente errado, antiético, já que essa crítica não se sustenta sob o ponto de vista vegano.

Atribuir desvio de ética ao consumo desses alimentos distorce o conceito do veganismo. O faz deixar de focar a abolição da exploração animal. Torna-o não mais algo de cunho estritamente ético, mas sim um conjunto de ditames moral-culturais, sem implicações éticas obrigatórias, a serem mandatoriamente seguidos, sob pena de reprovações alheias, uma vez que não implica prejuízos à integridade de outrem mas mesmo assim é considerado “inaceitável”.

Além disso, acaba por “interditar” uma generosa diversidade de alimentos vegetarianos (livres de ingredientes de origem animal) muitas vezes saudáveis. E isso pode atrapalhar seriamente o crescimento do veganismo entre a sociedade, uma vez que muitas pessoas teriam muito mais dificuldade na transição vegana se não contassem com a ajuda das imitações de alimentos de origem animal.

É preciso moderação quando se lidar com mimeses veganas de produtos animais. Não há problema em ter nojo pessoal de uma carne vegetal ou de mel de engenho, mas todo cuidado é pouco quando se acredita ser “errado” consumir algo que lembre visualmente frutos de sofrimento animal. Pode-se estar prejudicando o entendimento sobre o que é realmente ser vegan e o que promove e favorece a continuidade da exploração animal. E o que definitivamente não se precisa é de confusões e distorções sobre o veganismo.

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  1. Esse é um ponto muito importante.
    Considero um extremo exagero criticar quem come um produto vegetal que lembre um produto fruto da exploração animal.
    Pelo amor de Deus. Já é muito difícil convencer as pessoas que consumir cadáver de animal é errado, agora querem convencer que consumir qualquer coisa vegetal que lembre um animal morto seja errado também. Se alimentem de ar então. Dizem que amam tanto os animais, mas agindo dessa maneira estão prejudicando seriamente a libertação deles.
    Esse é um assunto a ser discutido e repetido, antes que tome proporções que prejudiquem o movimento.

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