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Descubra a importância da adoção responsável de animais

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Carla Brandão é bióloga, tem 58 anos de idade e desde criança cultiva o amor pelos animais. Sua casa no Bairro Vermelho, em Natal, pode ser identificada ao longo do quarteirão pelo latido dos cachorros. Atualmente a protetora tem 21 animais dentro de casa. Dentre eles 14 estão temporariamente enquanto fazem algum tratamento e aguardam a adoção. Os outros sete são de Cláudia. Ela afirma que esse número devia ser de três, mas que existem animais idosos que deveriam ficar temporariamente, mas acabam ficando por não terem perspectivas de serem adotados.

“Eu sempre fiz isso. Minha brincadeira de criança era alimentar os animais, levar para casa e brincar com eles. Todos os dias eu dizia aos meus pais que ia ser veterinária”, explica Carla. Como em Natal não há oferta de cursos de veterinária, a protetora de animais foi ao Rio de Janeiro em meados dos anos 70 para tentar realizar o sonho de infância na UFF (Universidade Federal Fluminense). Ela conta que por não ter conseguido ingressar em medicina veterinária voltou a Natal onde se formou em Biologia na UFRN com qualificação em Biologia Nuclear.

Com o passar dos anos, Carla passou a resgatar os animais na rua e buscar tratamento para depois doá-los. “Eu nem sabia sobre o processo de adoção. Só resgatava, cuidava deles e quando estavam recuperados doava para conhecidos”, explica Carla. Há aproximadamente dez anos este trabalho de proteção aos animais foi formalizado através da criação do grupo DogCat (Cão e Gato em tradução livre do inglês).

O seu grupo trabalha com em parceria com outras instituições e ONGs de proteção aos animais. “Trabalhamos em conjunto. Eu não resgato mais animais na rua, por exemplo, mas a minha casa funciona como lar temporário e hotel para os animais resgatados pelos outros grupos. É muito caro manter em clínica veterinária até que sejam adotados”, explica Márcia.

A protetora cobra uma média de R$ 15 pela diária dos animais para as despesas com mão de obra, produtos de limpeza e demais custos para a manutenção do espaço, como água e luz. A área externa da sua casa é dividida entre um espaço grande onde ficam os animais que já estão integrados e um canil onde os recém chegados ficam divididos em pequenas celas até que possam socializar com os outros.

Carla explica que a cobrança do valor pode ser flexibilizada de acordo com a necessidade do animal e as condições do protetor que o resgatou. Além da ajuda com os gastos, ela também conta com a doação de ração de outros grupos e protetores.

Na última semana, por exemplo, eu recebi uma cadela que acabou de fazer uma cirurgia e precisava de um lar. Eu sei que a protetora que resgatou não tem como me pagar agora pela hospedagem, mas a cachorra precisa então ela fica aqui e a outra cuidadora me ajuda com a alimentação”, explica.

Ela afirma também que ração e complementos alimentares estão entre os maiores gastos para os cuidadores. De acordo com Cláudia, outro problema enfrentado é que muitas vezes as rações recebidas em campanhas são de baixa qualidade e acabam gerando novos custos por serem prejudiciais para saúde do animal.

A protetora conta que por ser um trabalho de custo elevado, os grupos atuam de forma interligada e costumam promover eventos e campanhas para arrecadar ração e verba para o tratamento dos animais.”O mais difícil mesmo é o processo de adoção. Todo resto nós conseguimos resolver. Fazemos campanhas, bazares, eventos, rifas, parcerias com veterinários e sempre tem gente disposta a ajuda”, explica Carla. Ainda de acordo com a cuidadora, o problema da adoção consiste em conscientizar as pessoas para o que chama de adoção responsável.

A protetora ressalta a importância de que a pessoa que se dispõe a adotar tenha consciência da responsabilidade e escolha o animal de acordo com as suas necessidades e dentro de suas possibilidades.

Ela acredita que a conscientização é importante para que os animais não voltem a ser abandonados. “Um cachorro não é um brinquedo de pelúcia. Se você adota um animal, precisa estar ciente da responsabilidade. Muitas pessoas adotam por impulso, porque é de graça ou para satisfazer as crianças, por exemplo. Eu acredito que é por isso que as pessoas continuam abandonando. Já deixaram um cachorro amarrado no portão da minha casa pouco tempo após a adoção”, ressalta Carla.

“Não compre, adote”

O veterinário Milano Máximo é dono de uma das clínicas potiguares que desenvolvem trabalhos junto a ONGs de proteção, a saúde animal. De acordo com ele, não existem estatísticas sobre o número de animais abandonados.

Ele diz que estes dados são estimados de forma empírica por grupos, ONGs e veterinários que se engajam na causa da adoção.”Um animal que vive na rua dificilmente tem uma vida longa. Então quando olhamos os números de cachorros e gatos na rua imaginamos que as taxas de abandono são altas, mas não existem dados concretos sobre isso”, explica Milano.
Ele afirma ainda que sua clínica recebe uma média de 30 animais resgatados por mês. Na maior parte dos casos os cachorros e gatos apresentam apenas problemas nutricionais ou parasitas e que nessas circunstâncias o tratamento costuma ser mais fácil.

Também são atendidos casos mais graves, como fraturas, machucados e queimaduras, mas de acordo com Milano geralmente estes animais também conseguem se recuperar e terminar sua vida de forma saudável.

Ele acredita que a adoção é fundamental, pois é o início e o fim de todo o processo.

“A adoção é como se fosse o ápice. Quando a gente vê que o trabalho teve um resultado e que aquele animal vai conseguir viver de forma plena”, explica o veterinário.

Não há também um mapeamento para o número de animais adotados em Natal. O veterinário acredita que são aproximadamente 100 por mês, considerando a sua relação com os grupos, ONGs e outras clínicas que atuam em parceria.

Além do DogCat, estão entre as principais organizações de proteção ao animal em Natal: Amor de Quatro Patas, Patamada, Adote, Amigos do Pelo e Amor Sem Raça Definida, por exemplo.

Só na casa de Cláudia Brandão o número chega a ser entre três e quatro por semana, dependendo do período do ano. Ela explica que dezembro é o mês mais crítico porque o número de adoções tende a ser menor e enquanto no número de resgates aumenta.

De acordo com a protetora, durante as férias de verão muitas famílias viajam e deixam seus cachorros, gerando denúncias e resgates por maus tratos.

Cláudia defende que a adoção é fundamental para o combate ao abandono de animais. Além disso, a bióloga acredita que a adoção traz benefícios para o  do animal.

“Eles fazem muito bem para a pessoa. Você desenvolve laços, cuida, se dedica. Existem pesquisas que apontam esse elo no combate a depressão e outras doenças, por exemplo” declara.

Um cachorro não é um brinquedo de pelúcia. Se você adota um animal, precisa estar ciente da responsabilidade. Muitas pessoas adotam por impulso, porque é de graça ou para satisfazer as crianças, por exemplo. Eu acredito que é por isso que as pessoas continuam abandonando. Já deixaram um cachorro amarrado no portão da minha casa pouco tempo após a adoção.”

Fonte: Novo Jornal

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