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Estudantes criam métodos para prevenir colisões‏ de pássaros em janelas

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Tradução: Monika Schorr/ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Universidade de Duke
Foto: Universidade de Duke

Uma pesquisa realizada por estudantes da Universidade Duke (Duke University) em Durham, Carolina do Norte, está incentivando ações para diminuir a colisão de aves contra janelas em todos os campus universitários do país. As informações são da própria universidade.

Publicado em primeiro de fevereiro no PeerJ, importante jornal científico, o estudo identifica aspectos arquitetônicos e geográficos do campus de Duke que contribuem para as mortes decorrentes dessas colisões.

Segundo Natalia Ocampo-Peñuela, estudante do curso de doutorado, é muito importante a forma como o trabalho descreve a interação entre pesquisadores, dirigentes da Universidade e de toda comunidade científica no intuito de prevenir esses impactos potencialmente letais.

Natalia destaca que um dos resultados positivos dessa pesquisa é que grupos de outras universidades e corporações estão procurando a equipe de Duke para aprender como passar do “levantamento de dados para a ação”, a fim de reduzir a mortandade de pássaros em seus respectivos campus universitários.

O choque contra o vidro das janelas é o responsável pela morte de cerca de um bilhão de aves ao ano nos Estados Unidos, o que representa uma perda de algo entre dois e nove porcento da população total estimada de aves na América do Norte. Espécies migratórias, especialmente as que voam à noite, são as mais atingidas, com um maior número de óbitos.

O risco de colisão é mais elevado em muito campus, porque seus edifícios de altura geralmente entre média e baixa, e construídos com grandes extensões de vidro, são circundados por áreas florestais, fartamente arborizadas.

Estudantes de pós-graduação da escola Nicholas de Meio Ambiente da Universidade Duke (Duke’s Nicholas School of the Environment) começaram escolhendo seis prédios do campus para conduzir pesquisas diárias, em 2014, com o objetivo de identificar a quantidade de pássaros e suas espécies que colidiam com cada um dos edifícios no auge dos períodos migratórios, a cada primavera e outono. Para aumentar ainda mais a população estudada e obter resultados mais confiáveis, a equipe também incluiu dados sobre as mortes ocorridas em outras épocas do ano.

“Constatamos o que já era esperado: as construções com mais vidros, ou seja, as que apresentavam maior percentual de vidro em relação às paredes sólidas e cercadas por grandes extensões de áreas florestais, foram as grandes responsáveis pela morte da maioria dos pássaros”, disse o estudante de doutorado Scott Winton.

Foto: Universidade de Duke
Foto: Universidade de Duke

Outro fato importante que chamou a atenção, foi que os prédios com janelas com vidros jateados, decorados ou com tratamento diferenciado com cerâmica apresentaram um número significativamente menor de mortes do que os construídos com janelas comuns. Esse resultado manteve-se inalterado e independente do tamanho da construção, de sua altura ou proximidade de áreas muito arborizadas e até mesmo quando os vidros decorados constituíam a maior área da parte externa do prédio.

Munidos dos resultados do estudo, os pesquisadores foram ao encontro dos dirigentes da Universidade, pedindo-lhes para que se mobilizassem para impedir os acidentes com as aves, através da aplicação de películas decoradas nas janelas que provocavam a maioria das colisões e consequente maior número de mortes. Winton esteve à frente na apresentação do projeto junto ao Conselho de Pós-Graduação que aprovou as medidas propostas. Os pesquisadores também concederam entrevistas às emissoras de TV locais e aos jornais para conscientizar a comunidade sobre o problema e sua potencial solução.

Os administradores da Universidade concordaram imediatamente com as medidas propostas. “Eles foram muito receptivos às nossas conclusões e recomendações”, disse Ocampo-Peñuela.

Ao final do verão de 2015, trabalhadores já começavam a aplicar as películas nas vidraças das quatro torres e em toda fachada externa dos quase 30 mil metros quadrados do Fitzpatrick Centro de Engenharia Interdisciplinar, Medicina e Ciências Aplicadas (Fitzpatrick Center for Interdisciplinary Engineering, Medicine and Applied Sciences), prédio responsável pela maioria das colisões fatais documentadas no estudo. Os pontos estampados na película reduzem o reflexo, assim como a ilusão visual de amplitude dos pássaros em vôo, mantendo 98% da claridade para quem trabalha no interior do edifício.

Desde que a fase inicial da pesquisa foi completada, Ocampo-Peñuela e seus colegas de equipe tomaram conhecimento de que estudantes de muitas outras universidades, assim como arquitetos e dirigentes de corporações como a Cary’s SAS Institute estavam interessados em repetir o sucesso da Universidade Duke.

“Nosso estudo lhes fornece um documento científico que pode ser citado”, disse Peñuela.

Com os resultados da primeira fase da pesquisa já publicados, os estudantes voltaram sua atenção para encontrar respostas para novas questões como por exemplo, qual a magnitude da influência das condições meteorológicas nas colisões das aves em vidros e quais as espécies mais vulneráveis.

Nicolette Cagle, conferencista e ecologista formada pela Nicholas School, trabalhou junto à equipe de pesquisa e agora coordena um projeto de acompanhamento para verificar quais as características que fazem com que algumas espécies de pássaros sejam mais propensas às colisões que outras.

“Muitas vezes as pesquisas, especialmente pesquisas realizadas por estudantes, não resultam, necessariamente, em soluções aplicáveis na vida prática, mas dessa vez aconteceu o contrário”, disse Nicolette. “É muito bom fazer parte disso”.

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