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Taji, a baía da vergonha

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Por Paulo “Oceans” Santana – Redação ANDA

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Divulgação

A pequena cidade costeira japonesa chamada Taiji, localizada em Wakayama no Japão, é palco de um grande massacre. Todos os anos, de setembro a março, mais de 20 mil golfinhos são levados para uma pequena enseada e mortos covardemente por um grupo pequeno de pescadores.

Para atrair os animais até a enseada os pescadores fazem uma espécie de barreira sonora que acaba desorientando os golfinhos, fazendo-os nadar em direção à morte. A partir daí, começa uma verdadeira história de horror.

Mães e filhotes são separados por cordas e devido ao pânico muitos acabam gravemente feridos, além dos que morrem devido ao estresse ou cansaço. Durante a noite e toda a madrugada, os golfinhos são capturados e abatidos de forma tão desumana que só pode ser descrito como um massacre sangrento.

Estes pobres golfinhos são submetidos a uma verdadeira tortura psicológica antes de serem assassinados, pois são obrigados a assistir a morte da sua família. Em seguida, são atingidos por lanças ou então arrastados até os barcos, onde suas gargantas são cortadas. Eles acabam ficando sufocados e sangram até a morte. É uma morte lenta e dolorosa de aproximadamente 20 a 30 minutos.

O mar de sangue se espalha por toda a enseada, dando lugar a um cenário grotesco e assustador. Outros golfinhos são “poupados” e vendidos para aquários e parques aquáticos do mundo inteiro como SeaWorld, Marine Land e países como Dubai e China, onde viverão presos em cativeiros. O preço do golfinho pode chegar a 200 mil dólares cada um.

A carne é vendida no Japão rotulada como carne de baleia e os que consomem não imaginam o risco para a saúde, já que a carne de golfinho tem alta concentração de mercúrio.

Enquanto o pequeno grupo de pescadores, acobertados pela prefeitura de Taiji defende a caça de golfinhos, alegando ser parte da tradição, apesar de não ser verdade já que muitos japoneses desconheciam esta atrocidade, muitas pessoas inocentes, principalmente crianças, podem estar sendo lentamente intoxicadas com o seu consumo.

Porém, a indústria dos golfinhos infelizmente é muito lucrativa. Só nos EUA, movimenta aproximadamente quase 9 bilhões de dólares. O mais revoltante é saber que estes animais estão totalmente desprotegidos por entidades como a Comissão Baleeira Internacional (CBI), razão pela qual a matança ainda continua sem que os responsáveis sejam punidos.

No entanto, após um documentário realizado por ativistas chamado The Cove (A Enseada), o mundo inteiro descobriu o segredo trágico que Taiji tentava esconder.

The Cove, é praticamente um “filme de espionagem internacional”, ganhou o Oscar de melhor documentário em 2010 e aborda a matança e o comércio de golfinhos para cativeiro que acabaram se tornando coisa rotineira em Taiji. Além de mostrar o belo trabalho de um grupo ativista chamado “Guardiões da Enseada”.

Apesar de ser praticado apenas por um pequeno grupo de pessoas, esse ato criminoso é acobertado pela polícia e tem a proteção da Yakuza, máfia japonesa. Isso significa que qualquer tipo de intervenção por parte dos ativistas tem graves consequências como serem presos e deportados, como aconteceu recentemente com o diretor do documentário The Cove e fundador da Dolphin Project , Ric O’Barry.

The Cove ainda traz muitos esclarecimentos sobre o que se passa naquela enseada e com a repercussão na mídia, facilitou a tentativa de impedir essa tragédia, embora ela ainda continue em menor escala. O filme causou tanta indignação no mundo todo que milhares de protestos foram realizados nas embaixadas japonesas de vários países, inclusive por japoneses que também são contra a matança dos golfinhos.

Quando perguntados sobre os motivos que os levam a cometer tal atrocidade, as respostas dos pescadores são variadas, uns dizem que é por causa da carne, mesmo estando conscientes de que a carne é contaminada com altos níveis de mercúrio. Outros alegam que seria para o “controle de pragas”, pois consideram os golfinhos e as baleias como concorrentes para a indústria da pesca. Na verdade, por trás está o lucrativo comércio dos golfinhos para parques aquáticos, já que no local são vistos muitos treinadores vindos de todas as partes do mundo.

The Cove também ressalta que muitos japoneses desconheciam o que acontecia em Taiji e portanto, não se deve culpar uma nação inteira pela desumanidade de alguns cidadãos.

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Coletivo VOZES EM LUTO organiza manifestação contra a matança de golfinhos em Taiji
O Coletivo VOZES EM LUTO em parceria com 269life Brasil, Vegan Brazil e 269life Campinas, irá às ruas para conscientizar e mostrar a realidade dos golfinhos no Japão, através da distribuição de panfletos e da exibição do documentário The Cove.

A manifestação será no dia 13 de Março, das 11:00 hs até aproximadamente as 15:00 e será feita de forma pacífica, pois a intenção dos grupos envolvidos é conscientizar a população sobre a importância da proteção dos cetáceos em Taiji.

O VOZES EM LUTO faz questão de lembrar que o mesmo ocorre em nosso território, mas precisamente na Amazônia, onde aproximadamente 2.500 botos cor de rosa são mortos por ano para servirem de isca para a pesca da Piracatinga, e ainda a possível extinção dos golfinhos da espécie Maui do Hawai, onde menos de 50 animais da espécie sobrevivem hoje em dia.

Para o ato, pede-se que os participantes venham de camiseta preta simbolizando o luto, tragam seus cartazes/banners, e que venham com o espírito de união pelos animais.

Todos os detalhes da manifestação estão no evento aberto ao público 1° Ato Contra o Holocausto Asiático Taiji/Japão

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Nota da Redação: Tamanha atrocidade só terá fim quando as pessoas pararem de consumir os produtos oriundos da indústria baleeira e de frequentar parques aquáticos.

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