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Três razões para feministas apoiarem os direitos animais

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Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

“Feminismo” ultimamente tem se tornado uma palavra menos “impopular”, à medida que mais pessoas o reconhecem como sendo a crença na igualdade de gênero. Qualquer um pode ser feminista. De acordo com a educadora sexual Laci Green, se você acredita que as mulheres são seres humanos, você é uma feminista. É simples assim.

Ou é mesmo? Melanie Joy, autor de “Por que amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas: Uma Introdução ao Carnismo”, afirma que qualquer visão que vai contra a ideologia dominante também está associada à outras características, fazendo parte do sistema de crença maior de alguém que apenas não é como todos os outros. Como a maior parte do mundo ainda é dominada pelos homens, as feministas, assim como os vegetarianos, mantém uma visão alternativa. É por isso que não há palavras suficientes para não-feministas ou não-vegetarianos. Claro, poderíamos chamá-los de anti-feministas e comedores de carne, mas esses termos não encapsulam adequadamente as crenças hegemônicas sutis que entram em jogo. Ideologias dominantes são invisibilizadas, tomadas como “a norma.”

Mesmo assim, o clima social mudou nos últimos anos, com movimentos como o SlutWalk e HeForShe. A crença de que homens e mulheres merecem direitos iguais (e, por extensão, de que todas as pessoas o merecem) está ganhando aceitação mundial. Mas ainda não se traduziu na maneira que nos relacionamos com os outros seres vivos. Aqui está porquê, se você se identificar como uma feminista, você também deveria lutar pelos direitos animais.

1) Existe uma ligação intrínseca entre sexismo e especismo.

Os corpos das mulheres têm sido usados ​​para vender produtos ao longo de décadas. Nestes anúncios sexistas, os corpos das mulheres são ferramentas de marketing; a mulher é um objeto, não uma pessoa. Intercambiáveis, não individual. É por isso que anúncios muitas vezes apresentam apenas partes específicas do corpo das mulheres, tais como os seus seios ou pernas, e as mulheres estão muitas vezes sem rosto – até mesmo sem cabeça. A mulher é um “pedaço de carne”. Há uma desconexão entre o corpo da mulher e a mulher como uma pessoa – a mulher é o seu corpo, e seu corpo existe para satisfazer o olhar masculino.

O sexismo anda de mãos dadas com o especismo, a crença de que a supremacia humana barra animais dos direitos aos quais os seres humanos são intitulados. A ideia de que animais existem para o consumo humano é semelhante à ideia de que as mulheres existem para o prazer masculino. Como existe uma desconexão entre o corpo feminino e o ser humano do sexo feminino, há também uma desconexão entre aquele “pedaço de carne” que vemos na mesa e o ser vivo do qual ele veio, apesar de que cada animal é um ser individual com sua própria personalidade única.

2) A maternidade é significativa.

As feministas reconhecem o valor da maternidade, que tem sido há muito tempo subestimada pela sociedade. Embora as donas de casa são estereotipadas negativamente, quando uma mãe opta por trabalhar, a questão de se as mulheres “podem ​​realmente ter tudo” tem sido debatida a sério por décadas, e ainda é uma coisa comum de se perguntar para atrizes no tapete vermelho. Por outro lado, se uma mulher escolhe não ter filhos, ela é egoísta. O subtexto é que uma mulher deve saber o seu lugar, esse lugar é a maternidade, e, portanto, a maternidade é subestimado porque as mulheres são o sexo “mais fraco.”

Mas existe um vínculo mais forte do que a maternidade? Vacas sentem a mesma separação que as mães humanas quando são separadas de seus bezerros dentro de dias para que elas possam produzir mais leite em fazendas leiteiras comerciais. Vacas saudáveis ​​vivem por mais de vinte anos, mas as vacas leiteiras vivem até cerca de quatro anos de idade, altura em que elas são vendidas para se tornar carne. É um processo brutal que a indústria da carne se esforça para manter longe dos olhos do público.

A autora Melanie Joy expressa que sistemas de exploração são mantidos invisíveis por uma razão, do Holocausto nazista à escravidão americana. Estes sistemas requerem a cooperação de todos os níveis da sociedade. Durante o Holocausto, burocratas elaboraram decretos, igrejas forneceram evidências de ascendência ariana, os operadores ferroviários levaram as vítimas para os campos de concentração. Mas uma vez finalmente exposta, ideologias arraigadas anteriormente vistas como o senso comum são reveladas como absurdas.

3) A carne não é “masculina”.

O “feminino” está associado com a emoção, empatia e tolerância, ao passo que o “masculino” é construído como racionalidade, foco e estabilidade. Joy afirma que ambas as características masculinas e femininas são igualmente importantes e, na verdade, elas andam lado-a-lado, ainda assim a feminilidade é desvalorizada porque as mulheres são vistas como inferiores. Isso também explica por que as mulheres são colocadas em anúncios sexistas para vender a carne como o “alimento dos homens”, e por que o icônico seriado Seinfeld tem zombado de homens que encomendam saladas.

A ideia de que a carne é viril não é só perpetuada pela cultura pop. A indústria fitness exibe a carne como necessária para a construção muscular, apesar da abundância de proteína em vegetais, grãos, nozes e feijão. Mesmo assim, a indústria fitness usa o mito da proteína para vender produtos repugnantes, como shakes de proteína de carne bovina. Será que qualquer pessoa sensata beberia um milk-shake feito de carne?

Sim, se ele fosse comercializado o suficiente. A cópia do anúncio para os produtos Carnivor elogiado no site do GNC cita o “voraz apetite” que homens de músculos tiveram ao longo da história para a carne bovina, de gladiadores romanos para os presentes atletas olímpicos. Mas embora o conceito de Gladiador está de acordo com o paradigma “homem sobre a natureza” igualmente pronunciado em outros esportes de sangue, como as touradas e a caça, em que os homens afirmam a sua superioridade sobre os animais matando-os, os gladiadores eram historicamente um grupo oprimido. Gladiadores eram muitas vezes escravos ou criminosos condenados, e sua dieta vegetariana consistia principalmente de carboidratos simples e proteínas de origem vegetal.

Muitos atletas têm prosperado em dietas veganas, então a carne não é necessária para a manutenção da capacidade atlética. E se pensarmos que precisamos dela para nos sentirmos viris, precisamos questionar o significado de “masculinidade.”

Os animais são nossos amigos, e não comida, e somos destinados a viver com eles juntos em harmonia, não hegemonia. Qualquer um que pode se levantar contra a desigualdade de gênero também deve lutar contra a crueldade aos animais.

*É permitida a reprodução total ou parcial desta matéria desde que citada a fonte ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais com o link. Assim você valoriza o trabalho da equipe ANDA formada por jornalistas e profissionais de diversas áreas engajados na causa animal e contribui para um mundo melhor e mais justo.

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