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Em defesa da espécie animal

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Divulgação

Trata-se de uma iniciativa simples, mas extremamente eficaz, que consiste em colorir de cor de rosa os chifres dos rinocerontes com uma matéria inofensiva para os animais mas desastrosa para os homens. Além do mais, essa tinta cor de rosa torna os chifres inutilizáveis para os fins a que se destinam, um factor com que, contam os autores da campanha, possa levar ao abandono dessa prática.

Essa organização, cuja missão é de salvaguardar a segurança da espécie animal na África do Sul, iniciou esta campanha em 2011, o que motivou desde então uma significativa baixa no número de rinocerontes mortos por caçadores furtivos que trabalham em cumplicidade com traficantes que depois levam os chifres, em especial, para o continente asiático. Na verdade, a tinta cor de rosa é colocada no interior do chifres e apenas pode ser detectada com “scanners” habitualmente em uso nos aeroportos, mesmo que eles sejam previamente esmagados.

Deste modo as autoridades alfandegárias sul-africanos, nos últimos quatro anos, detiveram em número muito significativo de traficantes quando pretendiam abandonar o país e que, depois, por se sentirem enganados, acabaram por denunciar onde e a quem adquiriram o produto.

Contrariamente ao que sucede com as presas dos elefantes, os chifres de rinocerontes não são de marfim, mas sim de uma substância que se assemelha às unhas humanas. O tráfico deste produto é um negócio muito rentável em mercados asiáticos, onde os chifres dos rinocerontes são usados para diversos tipos de medicamentos tradicionais substancialmente caros.

Outro país que está a levar muito a sério a necessidade de defender a sua fauna animal é o Zimbabwe, que acaba de aprovar uma legislação especialmente adequada para punir caçadores furtivos. Neste país, os grandes alvos desses caçadores são os elefantes e os leões que constituem um dos “cartões de visita” do turismo nacional movimentando anualmente vários milhões de dólares.

O Parque Nacional de Hwangue, um dos maiores de toda a África Austral, está agora a ser vigiado por meios aéreos e terrestres, através de recursos que foram recentemente adquiridos na China ao abrigo de um acordo de cooperação assinado entre os dois países.
A força de segurança que vigia esse parque foi também ela remodelada e melhor preparada, estando agora melhor habilitada para responder de modo muito mais eficaz aos grupos de caçadores furtivos que, anteriormente, subornavam os guardas para melhor atuarem.

Existe, neste momento, um acordo de cooperação entre o Zimbabwe, o Bostwana e a Zâmbia que permite a um destes países ajudar o outro no caso de um caçador furtivo atravessar as fronteiras comuns. Este acordo, em vigor há cerca de um ano, inclui ainda uma troca constante de informações e a disponibilização de ajuda em meios técnicos e humanos, sempre que tal se mostre necessário.

A Namíbia e o Quénia, países onde a espécie animal funciona como símbolos nacionais, estão igualmente a precaver-se contra os caçadores furtivos, reforçando as suas acções de vigilância enquanto aguardam pela aprovação de uma legislação mais rigorosa para lidar com este tipo de problema. O Quénia, onde o turismo é a principal indústria, acaba de formar novos vigilantes para as áreas preservadas, reforçou os seu meios de vigilância, mas precisa de uma legislação que faça os caçadores furtivos pensar duas vezes antes de entrarem no país.

Desde há uma década que a Namíbia, por seu lado, conta com o auxílio directo da África do Sul para defender a segurança da sua fauna animal, fator que tem contribuído para o sucesso na luta contra os caçadores furtivos. Desde há cera de dois anos que organizações de defesa dos direitos animais têm vindo a trabalhar no sentido de denunciarem aquilo que consideram ser a indústria do “turismo da morte” e que consiste na existência de agências que organizam, clandestinamente, expedições a determinados países africanos para a prática da caça furtiva.

Essas agências foram atempadamente denunciadas junto de diversas entidades policiais internacionais e continentais, mas não existem notícias sobre tentativas feitas para o seu desmantelamento. Por essa razão, essas mesmas organizações estão a pensar levar o assunto às mais altas instâncias da União Africana e das próprias Nações Unidas, de modo a que algo possa ser feito, imediatamente, para defender as espécies animais mais ameaçadas.

Trata-se de um trabalho quase clandestino, por força de outros valores que se elevam mais alto, mas que tem de continuar a ser feito, sob o risco de muitos países africanos serem irreversivelmente afectados pelo desinteresse político de quem julga ter coisas mais importantes em que pensar.

Para certas economias africanas, como as dos países aqui referidos, a defesa da espécie animal e o combate aos caçadores furtivos são, absolutamente, determinantes para as suas economias e para a defesa e a salvaguarda dos seus valores culturais.

Fonte: Jornal de Angola

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