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Aumenta o número de mortes de animais em viagens aéreas

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Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Animais são transportados como bagagem ou carga, o que gera muito estresse e provoca mortes e incidentes. Foto: Life with Dogs
Animais são transportados como bagagem ou carga, o que gera muito estresse e provoca mortes e incidentes. Foto: Life with Dogs

Em agosto do ano passado, uma cachorra de 5 anos de idade chamada Cleo foi encontrada morta no momento da chegada ao aeroporto internacional Newark Liberty, em um voo que vinha de Seattle, nos Estados Unidos, de acordo com um relatório da United Airlines.

A cachorra morreu vítima de ferimentos por ter mastigado a sua caixa de transporte, segundo relatado no documento que foi submetido ao Departamento de Transportes dos Estados Unidos (DOT). A causa de sua morte foi listada como “natural, resultante de comportamento auto-infligido”. As informações são do News Day.

Cleo está entre os 29 animais incluindo principalmente cães e gatos que morreram em voos comerciais nos dez primeiros meses do ano passado, conforme os mais recentes dados do DOT, que rastreia registros de mortes, perdas e ferimentos de animais a bordo de aviões.

O número total pode ser confrontado com o das 17 mortes reportadas em todo o ano de 2014. Exceto neste ano, as mortes de animais em viagens aéreas caíram anualmente desde um recorde de 39 fatalidades reportados em 2010.

Número de mortes em aviões, por ano, até a mais recente contagem. Foto: DOT
Número de mortes em aviões, por ano, até a mais recente contagem. Foto: News Day

O aumento veio quando o DOT mudou as suas regras de informação de modo a incluir mais animais, mas ainda representa uma pequena fração dos 2 milhões que o departamento estima que estejam sendo transportados em voos comerciais a cada ano.

As regras entraram em vigor no dia 1º de Janeiro do ano passado, e exigem que os aviões reportem incidentes envolvendo todos os cães e gatos que viajam por via aérea.

Grupos ativistas de direitos animais, liderados pela ONG Animal League Defense Fund, pressionaram o DOT a mudar as suas regras de informação.

“Anteriormente, apenas era exigido que se reportasse animais perdidos, feridos ou mortos que estivessem viajando com um tutor humano, e o DOT estendeu isso para incluir todos os cães e gatos”, disse Chris Berry, advogada da Animal League Defense Fund, adicionando cães que eram transportados com a finalidade de serem explorados em pesquisas biomédicas, por exemplo, ou enviados desacompanhados”.

Casos como o de Cleo, onde animais nervosos e estressados ferem a si mesmos, algumas vezes fatalmente, enquanto tentam escapar de suas caixas, são os mais comuns nos dados do DOT.

Papagaio sendo transportado por companhia aérea. Foto: AP / David J. Phillip HIGHLIGHTS
Papagaio sendo transportado por companhia aérea. Foto: AP / David J. Phillip
HIGHLIGHTS

Desde 2005, quando os registros de mortes de animais em voos começaram a ser compilados, até o fim de outubro do ano passado, que é até quando se tem a contagem por enquanto, 301 animais morreram em aviões comerciais, de acordo com o departamento.

Apesar de ser considerada uma pequena proporção do total do número de animais que voam, é algo extremamente traumático para os passageiros que tomam conhecimento, ao aterrissar, que seus amados animais morreram enquanto estavam no ar.

“Fundamentalmente, o problema é que os animais são tratados como bagagem”, disse Berry. “Eles voam com a bagagem, eles são manipulados como bagagem, e então nós não deveríamos ficar surpresos quando coisas que acontecem com bagagens algumas vezes ocorram igualmente com os cães, gatos e outros animais”.

As companhias aéreas, que olham apenas para números, afirmam que o número de mortes e outros incidentes é “infinitesimal”, comparado às centenas de milhares que elas transportam a cada ano.

Berry diz que o seu grupo inicialmente peticionou ao DOT que obrigasse as aeronaves a ampliar seus relatórios há anos atrás, após vários filhotes que foram enviados por um criador terem sido encontrados mortos assim que chegaram em Chicago.

“Não se exigia que o avião reportasse as mortes dos filhotes, pois eles eram considerados parte de uma ‘carga comercial’ para pet shops”, explica Berry.

Desde 2010, a Delta foi a empresa que reportou mais mortes, em um total de 59, e o maior número combinado de mortes, perdas e ferimentos, sendo 90 ao todo, segundo dados do DOT. Naquela época, a United reportou 45 mortes e 71 incidentes no total. A Alaska Airlines reportou 23 mortes e 74 incidentes, e a American, 22 mortes e 33 incidentes. Essas quatro companhias aéreas são algumas das que ainda transportam animais como bagagem.

No ano passado, até Outubro, a United reportou 13 mortes e 20 incidentes totais. A empresa liderava no número de mortes desde 2012, porém Hobart diz que a mesma transporta 125.000 animais de companhia por ano, e que “a grande maioria” chega ao seu destino em segurança.

Ross Feinstein, porta-voz da American Airlines, informou que a empresa levou mais de 50.000 animais no ano passado até Novembro, e que reportou seis incidentes, incluindo uma morte.

Muitas companhias aéreas norte americanas permitem que os passageiros com pequenos animais – que pesam menos de 9 quilos – voem com eles debaixo de seus assentos mediante o pagamento de uma taxa.

As empresas JetBlue, Southwest, Spirit e Frontier estão entre o crescente número de companhias que se recusam a transportar animais nas categorias de bagagem ou carga, e somente levam animais nas cabines, se forem de porte suficientemente pequeno.

A questão, que tem gerado muita polêmica, é tratada de modo complexo pelas empresas aéreas, porém a sua solução seria muito simples se os animais tivessem os seus direitos levados em consideração – suas vidas são tão valiosas quanto a dos humanos, e as companhias deveriam se adaptar e modificar as suas aeronaves, criando espaços seguros e dignos para levá-los. No entanto, essa é mais uma situação que envolve não só problemas culturais arraigados como também, e sobretudo, interesses financeiros. De fato, a verdade é que ainda há muito a se evoluir quanto ao assunto.

Após o gato Jack, tutelado por sua amiga, ter escapado de sua caixa no Terminal 8 do aeroporto de Kennedy, em 2011, e ter ficado desaparecido por 61 dias antes de ser encontrado e tragicamente induzido à morte, Mary Beth Melchior criou a ONG Where is Jack?, que advoga pela segurança de animais em viagens aéreas. Melchior conta que ela ouve dois a três tutores a cada mês, procurando a sua ajuda após o seu animal ter morrido, se ferido ou se perdido durante uma viagem.

“Minha última posição é que as pessoas não aceitem que animais sejam colocados como bagagem ou carga”, disse ela. “A posição de nossa organização é que, se você não faria isso a uma criança de três anos de idade, não faça com um cão ou um gato”.

Gato Jack, que escapou em uma viagem de avião, ficou desaparecido por 2 meses e foi morto em seguida. A ONG "Where is Jack?" foi criada em sua homenagem. Foto: site Where is Jack?
Gato Jack, que escapou em uma viagem de avião, ficou desaparecido por 2 meses e foi morto em seguida. A ONG “Where is Jack?” foi criada em sua homenagem. Foto: Site Where is Jack?

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