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Maria Ribeiro e o problema da infantilidade aos 40 anos

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Foto: GNT
Foto: GNT

A atriz Maria Ribeiro que é uma das apresentadoras do programa Saia Justa, do canal GNT, fez uma declaração que está gerando polêmica.

Ela diz:

“Olha só, eu acho o seguinte, gente: Vamos simplificar a vida. Conheceu alguém, dá um formulário. Entendeu? Questionário! Se a pessoa come carne… porque eu não posso me relacionar com uma pessoa vegetariana. Não posso me relacionar com vegetariano. Eu tenho profundo respeito. [Por que?] Porque eu sou uma pessoa infantil. Porque eu acho que a pessoa que não gosta de carne, que não gosta de chocolate, que não come batata frita, é um problema de caráter! Porque eu sou infantil!”

O que vemos de imediato na fala da apresentadora é a definição errada de vegetariano como aquele que não come carne. Individuo por quem ela tem profundo respeito, mas que segundo ela tem um problema de caráter por não gostar de comer carne.

Questionar o caráter da pessoa por ela não gostar de comer carne pode ser encarado, como a atriz disse, como um caso de infantilidade. Como ela mesma assume. Na sua infantilidade ela ignora que não comer carne pode advir de uma prescrição médica, de um motivo ambiental ou de uma convicção ética. Mas como ela coloca como uma questão de caráter, ela nos remete ao campo ético.

A infantilidade da atriz, apresentadora e escritora, a impede de compreender que questionável e problemático é o gostar de comer os pedaços cadavéricos de uma vaca morta. Assassinada de forma brutal após anos de exploração, de uma vida como objeto, ou melhor, como uma máquina de produzir secreção mamária e pus, vulgarmente conhecida como leite. Carne que vem de uma morte por marretadas de insensibilização ou por tiro de pistola pneumática. O que pouco importa, pois será esquartejada viva (na canaleta de sangria) para que seus pedaços agraciem o paladar de pessoas que infantilmente acreditam que o outro que não come animais mortos tem um problema de caráter.

A infantilidade não permite que veja a objeção ética por trás do não gostar de comer carne de peixe, por exemplo. Peixes, cetáceos e outros animais que habitam os rios, lagos e oceanos, seres sencientes como Maria Ribeiro, que tem uma individualidade, consciência, e até tradições culturais. Saber que esses animais morrem por asfixia, que são esquartejados vivos, ou jogados vivos em água fervente, deveria ser motivo suficiente para o não consumo, e não o contrário, consumir e duvidar do caráter do outro que não consome.

A infantilidade faz com que aprecie comer carne de vitelo, pois é suculento e chique. E quem não come pedaços de um bebê desnutrido assassinado é quem tem o caráter problemático?

A infantilidade não permite ver a senciência nos queridos suínos. Seres inteligentíssimos, brincalhões, com espírito de coletividade. A infantilidade não permite ver o confinamento em baias imundas e apertadas por trás do pedaço de carne sobre a mesa. A infantilidade não permite que se veja a quantidade de hormônios e outros medicamentos dados aos animais para suportarem uma condição de existência que deixa qualquer campo de concentração nazista para trás em barbárie. Assim como no confinamento das aves. Galinhas, perus… Seres sencientes, por isso, sofrentes e dorentes.

Para a infantil apresentadora, quem não come carne, seja de qual animal for, tem um problema de caráter. O que ela não percebeu é que é justamente o caráter que nos impede de comer animais assassinados.

Segundo o pensador alemão Arthur Schopenhauer, “A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem.”

Comer animais é compactuar e fomentar a crueldade com os animais não humanos. Toda produção de carnes é cruel, injusta e desnecessária. Só existindo para alimentar uma infantil gula que ignora o direito a vida de todos os seres sencientes, indivíduos que são sujeitos de suas vidas, inerentemente valorada.

Assumir sua infantilidade aos 40 anos é um direito que Maria Ribeiro tem. O problema é que essa infantilidade vinda de uma figura pública, formadora de opinião, pode contribuir para um mundo mais injusto, cruel e belicoso. Pois suas afirmações infantis legitimam o biocidio diário de animais não humanos.

Quem sabe um dia, quando ela atingir a fase adulta, consiga entender, compreender e, melhor ainda, adotar uma dieta vegetariana (sem nada de origem animal) e o modo de vida vegano. Demonstrando assim que cresceu para um caráter mais compassivo e ético.

*Leon Denis é ativista pelos direitos animais e membro fundador da Sociedade Vegana do Brasil.

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  1. Sinceramente não vejo problema em comer carne. Cada um faz a sua escolha: quer ser vegetariano, seja; quer ser vegano, seja também; quer comer carne, que coma. Infantilidade também é querer incutir um hábito nas outras pessoas ao seu redor. Não acho certo quem come carne ficar criticando quem não come, mas a recíproca também é verdadeira.
    Sei que geralmente as reclamações quanto a comer carne referem-se ao tratamento dos animais que são criados exclusivamente para o consumo humano, mas a natureza faz isso também em outras espécies sociais, como as formigas que – através de processo denominado esclavagismo – levam pulgões para os formigueiros e se alimentam do açúcar produzido por eles. Logicamente não se trata exatamente da mesma situação, mas pode-se perceber que há semelhanças no comportamento das formigas e dos humanos.

    1. Wellington, por esse seu raciocínio, um assassino serial também poderia dizer “não quer assassinar tudo bem, mas respeite minha opinião de assassinar quem eu quiser”. Entende que quando há vítimas, não é uma questão de opção, é uma questão de direito e de ética. Quanto aos animais comerem uns aos outros, eles não tem escolha, nós temos.

      1. Dizer que quem come carne é assassino é pior do que a infantilidade da apresentadora. Que eu saiba é aprendi na aula de biologia, as plantas tb respiram e fornecem as puro, portanto vamos nos alimentar de ar….

        1. Esse papinho de ‘planta também sente dor’ me dá muita preguiça. Visite um abatedouro e depois uma horta, vamos ver se sai de lá com a mesma opinião. Sem contar que se tá com pena das plantas, o boi que vc come se alimenta de toneladas de plantas, então vc tá matando animais que sofrem e plantas que sofrem em uma quantidade absurda. Bora minimizar o sofrimento?!:

    2. Chegamos até aqui para sermos comparados com formigas. Não aprendemos nada.
      Somos inteligentes e civilizados, podemos parar de consumir cadáveres, basta pensar na vítima, da né?

      1. Colocar animais como vítimas é ignorar o básico: CADEIA ALIMENTAR. Isso é que faz o eco-sistema funcionar…

        É por essas e outras que veganos e cia não são levados a sério.

        1. Não colocar animais não-humanos como vítimas é ignorar o básico: que nós não estamos no topo da cadeia alimentar, não temos necessidade biológica alguma de “produtos” de origem animal e estamos sendo especistas.

          Irei comprovar a veracidade deste argumento, porém sobre a cadeia alimentar, sim ela existe, mas não é pelo fato de que leões às vezes comem alguns de seus filhotes que humanos devem comer seus bebês, por exemplo.

          Sei que só mencionou a cadeia alimentar, porém geralmente não-veganos mencionam isso para dizer que estamos no topo dela ou que é natural para nós explorarmos animais. 75% dos animais são herbívoros. Não é porque existem os carnívoros e onívoros que devemos agir igual a eles. Na verdade, nosso comportamento pseudo-onívoro é responsável pelo desequilíbrio do eco-sistema.

          Carnívoros e onívoros possuem receptores de gordura e proteínas em suas línguas, herbívoros não as possuem. Humanos também não as possuem.

          Carnívoros possuem o intestino delgado 4,5 vezes o tamanho de seu tronco; onívoros, 5 vezes; herbívoros de 10-12 vezes. Humanos, 10,5 vezes.

          Carnívoros e onívoros não possuem enzimas digestivas de carboidratos em suas bocas, somente herbívoros as possuem. Humanos têm essas enzimas.

          A mandíbula de carnívoros e onívoros move somente para cima e para baixo; a de herbívoros, para os lados também. No caso dos humanos, também move-se para os lados.

          Caninos de carnívoros e onívoros são sempre longos. De herbívoros podem ser longos ou curtos. Os humanos possuem caninos curtos.

          Os molares de carnívoros afiados, os de onívoros podem ser levemente menos afiados. Os de herbívoros são os mais acentuados com curvas (ex.: humanos).

          O cólon de carnívoros e onívoros e simples e curto. O de herbívoros e longo e complexo. Humanos possuem cólon longo e complexo.

          Carnívoros e onívoros possuem garras. Herbívoros possuem cascos ou unhas sem a projeção das garras (ex.: humanos).

          Alguns não-veganos dizem que não somos herbívoros por causa que a celulose é descartada durante o processo de digestão. Porém bonobos (primatas que compartilham 99.5% de seu DNA conosco) também a descartam, isso é porquê são precisamente frugívoros, também conhecidos como ultra-herbívoros (se quisermos entrar em termos mais técnicos, essa seria a categoria mais ideal que os humanos se encaixariam).

          Além de que a carne não foi a responsável por nosso desenvolvimento cerebral, porém uma substância presente em certas plantas chamada amido. De acordo com o professor Nathaniel Dominy e com “Science Illustrated”, pág. 21 set./out. de 2008, apoia este argumento: “A habilidade humano de digerir amido foi o grande contribuidor para nosso desenvolvimento cerebral, de acordo com a pesquisa pela Universidade de Califórnia Santa-Cruz e Universidade do Estado de Arizona. Comparando com outros primatas, nós temos mais cópias do AMY1 gene responsável pela enzima presente na saliva amilase, que contribui na digestão de amido.”

          Carnívoros e onívoros não podem ter artérias entupidas, herbívoros desenvolvem o colesterol alto caso tenham uma alimentação que não seja de acordo com sua natureza (ex.: humanos).

          Sobre vitaminas, é possível adquirir todas elas num estilo vegano. Mas e a B12? Ela não é produzida nem por animais nem por plantas, e sim por bactéria presente no solo. Ela também é produzida em nossa boca e em uma parte de nosso intestino. Porém por nossas práticas no planeta, o solo tem sido degradado e até animais que são assassinados nas indústrias de exploração animal são suplementados com ela. Muitas pessoas no planeta tem deficiência em B12 e não são veganas. Se há B12 em “produtos” de origem animal isto é porque eles se alimentaram de plantas que tinham traços dela por causa do solo), ou receberam suplementos. E ela é destruída com o calor (i.e.: cozinhar).

          Não é porque conseguimos comer algo que devemos comer tal coisa. Eu posso comer papelão, metal, até uma pilha se eu quiser, será que eu deveria?

          Eu poderia apresentar inúmeros argumentos sobre o assunto, porém nada disso muda se as pessoas não decidem mudar. O problema não é só o que é natural, porém também o que é moral. Veganismo vai além da alimentação (digo isso pois geralmente não-veganos iniciam a discussão com “argumentos” sobre). Pois é… e desses “argumentos” só melhoram, tem o das plantas (apesar que nem são sencientes: não possuem sistema nervoso central, por isso não possuem capacidade de sentir dor etc., como animais não-humanos) e assim por diante.

          Se estamos no topo de algo, seria da ignorância alimentar.

  2. Eu não entendi a postagem dela, na verdade parece que faltam pedaços na escrita para complementar a fala dela, mas enfim, também não vi ela falando em ser problema de caráter, o que mas ou menos deu pra entender foi que as pessoas simplifiquem a vida se conheceu alguém que vc gostou e vc é vegano, pq vc não vai ser feliz e pronto, ah pq vc não come carne ou vice e versa que só pode namorar uma pessoa igual? acho que foi isso que deu pra entender

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