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Biólogos tentam evitar que tartarugas sigam para o mar de lama no ES

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No litoral do Espírito Santo, pra proteger da lama os filhotes de tartaruga, os biólogos do projeto Tamar tiveram que mudar de estratégia.

Fim de tarde, e algumas já começam a chegar. Uma saiu da água, andou um pedaço na areia, mas não colocou ovos. É normal – às vezes, elas se assustam, desistem e voltam para o mar. O que ninguém nunca imaginou é que um dia o mar estaria com lama de rejeito de minério.

“As tartarugas têm várias ameaças: predação animal, erosão de praia, interação com pescaria. Mas nunca a gente imaginou que o mar de lama ia atingir uma área de desovas de tartaruga”, diz a coordenadora do Projeto Tamar, Cecília Baptistotte.

A Praia de Regência é um dos principais pontos do país de desova de tartaruga. Tem quase 700 ninhos, que são marcados por estacas na areia. E a lama não tinha hora pior para chegar ali.

Novembro é o mês que tem mais desova e o nascimento dos filhotes está começando agora. Por isso, quando souberam que a lama estava a caminho, os pesquisadores tiraram alguns ovos da foz do rio. Os ovos foram enterrados em outro ponto da praia. E chegou a hora de nascer. Geralmente elas saem sozinhas dos ninhos. Mas agora…

“É uma espécie de cesariana, porque não nasceu natural, a gente teve que abrir o ninho”, contou uma bióloga.

Logo que sai do ninho, o filhotinho da tartaruga não para. Ele vai direto em direção ao mar. Em condições normais, o pessoal do Projeto Tamar não interfere. Mas agora eles até pedem a quem puder que pegue os filhotinhos e entregue, porque com a lama toda, o trabalho está alterado.

De dois ninhos saíram mais de 118 tartaruguinhas que não foram direto para o mar. Primeiro, ficaram guardadas em caixas. O pessoal do Projeto Tamar, para tentar salvá-las, levou os animais para mais de 20 quilômetros ao sul da praia, onde a lama ainda não chegou. Lá sim elas foram liberadas, seguiram o instinto e foram para o mar. É uma tentativa, mas não uma garantia de que vão escapar desse desastre ambiental.

“Os filhotes ainda não têm muita força para nadar sozinhos, então eles acabam seguindo a corrente. E os filhotes vão seguir a corrente que é a mesma que está levando a lama, querendo ou não, uma hora ou outra eles vão se encontrar. Mas a gente pelo menos vai garantir que o primeiro contato com a água que eles tenham seja ainda com uma água boa”, explica Jordana Freira, bióloga do Projeto Tamar.

Fonte: G1

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