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Quase 300 animais mortos são recolhidos das praias da Baixada Santista

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Animais foram recolhidos nas praias da Baixada
Animais foram recolhidos nas praias da Baixada

Pesquisadores recolheram 293 animais mortos nas praias da Baixada Santista, no último fim de semana. A suspeita é que a frente fria que passa pela região tenha contribuído para o número, considerado por veterinários e biólogos atípico para essa época do ano. Entre os resgates, estão aves marinhas, toninhas e até uma loba marinha.

Nos quase 50 quilômetros da orla entre São Vicente e Bertioga estão o maior número de recolhimentos: 160. De acordo com a médica veterinária Andrea Maranho, do Instituto Gremar, o balanço concentra duas espécies de aves típicas da costa, os Trinta-réis e os Bobos-pequenos. Em alguns casos, elas já foram encontradas em avançado estado de decomposição.

“Estamos em um ano atípico. A quantidade de animais mortos é equivalente ao inverno e já estamos quase no verão”, explica a médica, ao lembrar também da influência do El Niño, fenômeno climático que aquece as águas do Oceano Pacífico e ocasiona mais tempestades no Atlântico. A intensa frente fria que passa pelo Litoral de São Paulo é exemplo disso.

Ainda de acordo com a médica, a maior parte desses animais não consegue atravessar o mar agitado ou resistir às rajadas de vento e, por isso, acabam morrendo e sendo levados à praia pela força da maré. “Os que sobrevivem acabam chegando à praia bastante debilitado, muitas vezes doentes, o que requer atenção e cuidado especial”, fala Andrea.

Exemplo disso é a loba marinha que foi encontrada na orla de Bertioga. Ela foi levada às pressas para o Centro de Reabilitação do Gremar para tratar de uma infecção e uma pneumonia. A expectativa é que o animal se recupere em pelo menos 20 dias para poder ser libertado e, em seguida, devolvido ao mar.

Aves marinhas, como os conhecidos pinguins, e os outras espécies menos populares também foram resgatadas e passam por tratamento. O receio dos veterinários é que elas não sobrevivam, apesar do tratamento, pois chegaram à costa bastante debilitadas.

Litoral Sul

Entre Praia Grande e Peruíbe, foram encontrados outros 133 animais mortos – aves e tartarugas – em quase 75 quilômetros de praia no mesmo período. A influência da frente fria pelo litoral também é uma hipótese para os veterinários do Projeto Biopesca, responsáveis pelo trecho, e que agora a analisam o resultado das necropsias.

“Ainda não é possível afirmar a causa da morte de nenhum deles. No entanto, também não podemos descartar a contaminação por lixo jogado no mar”, lembra o médico veterinário Rodrigo Del Rio do Valle. Segundo ele, muitos dos animais são recolhidos envoltos em plásticos e outros tantos possuem esses materiais no sistema digestivo.

Os animais já sem vida encontrados nas praias do Litoral Sul são levados para um laboratório em Praia Grande, por onde passam por uma bateria de exames. A equipe do Biopesca percorre de bicicleta e em veículos especiais a orla durante a manhã, antes da maré subir e, por consequência, levar o que está na faixa de areia.

Os conhecidos Pinguins de Magalhães também estão entre os animais vivos resgatados
Os conhecidos Pinguins de Magalhães também estão entre os animais vivos resgatados

Monitoramento

Desde o último agosto, o trabalho realizado pelo Instituto Gremar e pelo Projeto Biopesca já recolheu 1.036 animais das praias da Baixada Santista. O monitoramento costeiro, apesar de ser rotineiro entre as duas instituições, desta vez ocorre em parceria com outras 12 instituições entre o litoral de São Paulo e Santa Catarina, totalizando 800 quilômetros, e acontecerá até o início do próximo ano.

Os trabalhos ocorrem sob a coordenação do corpo científico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) que visam avaliar possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo e gás natural da área do pré-sal da Bacia de Santos. Ele é um condicionante, estabelecido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para realização dos trabalhos da Petrobras.

Fonte: A Tribuna

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