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Em face das queimadas, bióloga faz alerta ambiental em favor das onças pintadas

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As onças pintadas Guardião e Amazônia, que são mantidas em cativeiro, no Zoológico do Cigs (Evandro Seixas)

“Lá se vai onça pintada fugindo dessa queimada / E não vai mais voltar!”. Os versos da belíssima toada “Lamento de Raça”, do Boi Garantido, ilustram com perfeição o alerta que a bióloga e 2º tenente Sinandra Carvalho dos Santos, 38, faz em relação a um dos animais mais belos da fauna amazônica. Formada em Ciências Biológicas e atualmente fazendo mestrado na área da Conservação da Natureza no curso de Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), há 2 anos e meio e analisa que a situação das queimadas na região só tende a prejudicar o espécime das cores amarela e preta.

“As onças são animais topo da cadeia alimentar, sendo boas indicadoras de qualidade ambiental. Se um ambiente está propício, se está bom, ali haverá uma onça. Ela é reguladora de cadeia e tem que estar em um ambiente para regular certas populações de modo a não ter tantos animais de um só espécie. E quando você começa a ter essas queimadas em volta de Manaus, afeta diretamente as matas, as florestas e as onças”, explica a especialista, que vai mais além em seu alerta, destacando que a capital amazonense passa a ser um dos destinos desses animais acuados.

“No momento que você tira esse habitat, eu te pergunto: para onde elas vão? Por isso que às vezes acabam se encontrando onças muito próximo de Manaus porque elas estão perdendo o seu habitat e estão procurando outros lugares. Estão se perdendo animais com as queimadas. Eles estão morrendo porque não conseguem fugir. E se perde, também, a presa da onça, que vai procurar outro lugar para comer”, conta a bióloga.

As queimadas causam um desequilíbrio muito grande na natureza, que afeta as onças, que são os maiores felinos das Américas. E ela consegue ter essa percepção de perda de habitat. Por ser um animal de grande porte, o felino ocupa uma área de vida que chega a 140 quilômetros quadrados em média, segundo alguns autores.

Pela conscientização

A mudança desse patamar preocupante passa pela conscientização do ser humano, diz a 2º tenente Sinandra Santos. E a mudança não é benéfica apenas às onças, mas ao ser humano como um todo quando ao tocante da saúde.

Bióloga militar Sinandra Santos (Foto: Evandro Seixas)
Bióloga militar Sinandra Santos (Foto: Evandro Seixas)

“Em primeiro lugar precisa haver conscientização das pessoas e um trabalho de educação ambiental para que se mude essa ideia de queimadas, que não é boa. Ela causa problemas de saúde e respiratórios para a população, como com as crianças, e para o meio ambiente e até mesmo acidentes de trânsito: já passei por uma estrada onde estava tendo uma queimada na lateral e que eu vi que estava indo muita fumaça para dentro da estrada. E as pessoas estão deixando de praticar esporte em lugares que tem muita fumaça. Manaus é conhecida por pessoas que praticam atividades ao ar livre na área urbana, entre corridas e ciclismo. Como correr em um ambiente assim? Não é aconselhável. Ou seja, diminui o esporte, a questão da saúde, temos os acidentes de trânsito, perda de habitat, alteração de várias espécies da nossa fauna e flora, afeta nosso solo. E fora o calor: já é quente e fica pior ainda a sensação térmica. Há mais prejuízo do que benefício”.

Fonte: A Critica

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