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Cães são envenenados em Hong Kong

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Por Mark Hanrahan (Tradução: Dudu Zen – da Redação)

O cachorro do autor anda em um dos parques de caminhada de Hong Kong. (Mark Hanrahan/International Business Times)
O cachorro do autor anda em um dos parques de caminhada de Hong Kong. (Mark Hanrahan/International Business Times)

A Estrada Bowen é uma tira de concreto que corta a encosta da selva acima dos cintilantes arranhas-céus da centro financeiro da cidade de Hong Kong. Uma trilha sinuosa envolta de árvores, cheia de equipamentos de exercício espalhados e com vistas espetaculares, é jum paraíso urbano para praticantes de jogging e para aqueles que querem passear com o cachorro. A família passeando com seus cachorros como de hábito não notou que seus animais estavam comendo carne envenenada, mas os sintomas se manifestaram rapidamente.

Os cachorros começaram a ter diarreia, convulsões violentas e vômito. Levados às pressas para o veterinário local, onde um deles faleceu. O incidente, que aconteceu na cidade no final do último mês, é o último de décadas de envenenamento de centenas de animais levados a uma morte medonha, além de confundir a polícia e grupos de auxílio ao animal.

Não está claro se os envenenamentos são obra de uma ou várias pessoas, mas os métodos que têm sido usados desde que os assassinatos começaram em 1989 são notadamente similares. Pequenas porções der carne, normalmente de frango ou porco, são deixadas em áreas específicas na trilha como isca para animais que não suspeitam. A carne é tratada com veneno organofosfarado – normalmente usado como pesticida ou para uso doméstico que é facilmente obtido – e antes que os tutores saibam, as vidas de seus cães estão em jogo.

Ao menos 200 animais foram mortos desde que a operação de envenenamento começou, embora o número atual de mortes é provavelmente muito maior. Dados da SPCA (Sociedade de Prevenção à Crueldade Animal de Hong Kong) mostram que houve 62 incidentes de envenenamento envolvendo mais de 90 animais entre dezembro de 2012 e setembro de 2015. Os envenenamentos têm acontecido nos últimos 25 anos, e ocorrem com menos frequência do que anteriormente.

Um aviso colocado pela Sociedade de Prevenção à Crueldade Animal de Hong Kong na estrada Bowen, em Hong Kong, advertindo os tutores de cachorros sobre as iscas com veneno que têm sido repetidamente deixadas na área. (Mark Hanrahan/International Business Times)
Um aviso sobre as iscas com veneno que têm sido repetidamente deixadas na área. (Mark Hanrahan/International Business Times)

Nem todos os animais envenenados morreram, mas mesmo aqueles que sobreviveram ao suplício sofrem terrivelmente.

“Eu tive o desprazer de ver muitos casos desses no decorrer dos anos”, disse o Dr. Lloyd Kenda, do Centro Veterinário do Vale, cuja prática tratou os cães envenenados do último mês. A declaração foi feita ao International Business Times em uma entrevista. Kenda disse que ele presenciou ao menos 100 casos semelhantes em seu exercício nos últimos 20 anos. “É uma forma terrível de morrer. É realmente uma morte dramática. Os cachorros estão convulsionando e com febre. Há diarreia e vômito”, acrescentou.

O que motivou uma operação de assassinatos longa como essa contra a crueldade animal é assunto de muito debate na cidade. Alguns comentaristas acreditam que o evenenador tem um desprezo obsessivo por cães que fazem as necessidades na calçada e pode ter começado a operação como vingança, conforme o Jornal da Manhã do Sul da China. Uma porta-voz da SPCA disse ao IBTimes que um senhor, condenado por um incidente de evnenenamento, disse que sua esposa tinha medo de cachorros.

Outros argumentaram que existe um aspecto econômico ou social das mortes: os envenenadores atingiram duas áreas: Estrada Bowen e Black’s Link, dois distritos altamente prósperos, lar não somente à prosperidadem mas a um grande número de de expatriados na população. Um certo grau de tensão existe entre os chineses locais e a população estrangeira, que é vista como remanescentes do status anterior do território como colônia britânica.

Se os envenenadores estão procurando atingir os ricos e poderosos, com certeza conseguiram. Em 1997, um terrier chamado Whiskey, que pertencia a Chris Patten, o último governador britânico de Hong Kong, foi envenenado na Estrada Bowen enquanto passeava. Apesar de o cão ter sobrevivido, por mais que muitos animais tenham como ser tratados rapidamente, o incidente provocou uma operação policial que se mostrou infrutífera no final das contas.

A Estrada Bowen foi palco de uma operação de envenenamento de cães que durou mais de 20 anos. (Mark Hanrahan/International Business Times)
A Estrada Bowen foi palco de uma operação de envenenamento de cães que durou mais de 20 anos. (Mark Hanrahan/International Business Times)

Apesar do envenenamento ter durado mais de duas décadas, a polícia de Hong Kong pôde condenar apenas uma pessoa ligada a um único incidente. A falta de condenações, contudo, não é resultado da falta de esforço da parte da polícia da cidade, mas da dificuldade inerente em flagar pessoas no ato de envenenar, além de falhas legislativas, conforme especialistas contatados pela International Business Times.

“Nós não temos uma grande história de sucesso com processos”, disse Dannielle Baber, Chefe Adjunta oficial da Inspetoria da SPCA de Hong Kong. “Pela natureza do crime, é o tipo de coisa que as pessoas fazem secretamente… a menos que você tenha um suspeito em vista, é muito improvável que você consiga descobrir tudo num processo bem-sucedido, o que é uma enorme frustração”, disse ela à IBT.

A polícia pôs em prática diversas operações de vigilâncias secretas a respeito dos envenenamentos ao longo dos anos, mas obteve pouco sucesso em deter suspeitos.

A legislação sobre crueldade animal de Hong Kong garante que mesmo se a polícia encontrar alguém jogando carne envenenada na área selecionada, elçes deveriam provar judicialmente que o suspeito tinha a intenção de causar “sofrimento desnecessário” a animais. A polícia muito provavelmente estaria inapta a ligar o suspeito à longa história de casos ao longo dos anos, disse Kenda.

A SPCA de Hong Kong chegou a oferecer uma recompensa de HK200.000 (US$25.800) por informações que levassem à prisão de suspeito(s) envolvido(s) com os envenenamentos.

Embora os incidentes de envenenamento sejam menos comuns que costumavam ser, quando os habitantes locais ousavam crer que os envenenamentos haviam finalmente terminado, o envenenador atacou novamente.

Há uma confusão a respeito das motivações para a demora nos assassinatos; algumas pessoas na cidade temem que a(s) pessoa(s) responsável(is) é(são) motivada(s) por entretenimento doentio, e é improvável que parem. “Eu acredito que algumas pessoas se divertem com isso e que é por isso que o fazem”, disse John Wedderburn, ex-presidente da SPCA de Hong Kong, ao Time Out Hong Kong. “Eles não o fazem por controle populacional ou para limpar as ruas. Fazem por diversão.”

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