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Ativistas questionam UFV por uso de cães saudáveis em pesquisa científica

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Cães que estavam no Canil Municipal foram doados para pesquisas (Foto: Sovipa/Divulgação)
Cães que estavam no Canil Municipal foram
doados para pesquisas (Foto: Sovipa/Divulgação)

A Sociedade Viçosense de Proteção aos Animais (Sovipa) questiona autoridades do município de Viçosa sobre a doação de 20 cães, que segundo a entidade são saudáveis, para pesquisas do Departamento de Veterinária da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

De acordo com os ativistas, as doações feitas no final de setembro infringem a 22ª cláusula de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a universidade e a Prefeitura em 2009, que indica que apenas “cães que apresentam moléstias significativas e indicativas de zoonoses” possam ser encaminhados a pesquisas. Segundo a UFV, pesquisadores respeitam ética e normas legais para experimentos.

O Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais, que celebrou o acordo entre as partes, informou ao G1 que acompanha o caso, mas que só irá se manifestar sobre possíveis punições à universidade a partir da próxima semana.

Manifesto

Na tentativa de chamar a atenção das autoridades para o assunto, na tarde da última quinta-feira (15), integrantes da Sovipa e do Movimento Estudantil protestaram no campus da UFV. No momento em que se reuniram, a universidade recebia a visita de representantes do Ministério da Educação (MEC), entre eles, o secretário executivo Luiz Cláudio Costa, que já foi reitor da instituição.

Os ativistas questionam a universidade e a nova comissão organizadora do canil, que é formada por professores e funcionários do Departamento de Veterinária e liberou os animais para as pesquisas científicas. “Essa comissão arbitrariamente forneceu 20 cachorros para uma pesquisa, que vai mutilá-los e matá-los. Na nossa visão, estes cachorros não poderiam ter sido doados dessa forma”, afirmou o ativista da Sovipa e estudante da UFV, Francisco José Mendes Duarte.

Ato reuniu manifestantes no campus da UFV (Foto: Francisco Duarte/Arquivo Pessoal)
Ato reuniu manifestantes no campus da UFV
(Foto: Francisco Duarte/Arquivo Pessoal)

Duarte citou a insatisfação dos defensores dos animais no descumprimento do TAC que foi assinado em 2009. “O documento diz que é preciso fazer uma ampla campanha de doação, mas não conseguimos fazer isso atualmente. Desde 2014, não fazemos campanhas maciças. O Canil Municipal passou por um período de instabilidade e a Sovipa também, mas achamos um absurdo terem feito isso sem ao menos nos consultar”, disse.

O estudante também contou que atualmente estão proibidos de ter acesso aos animais que estão no Canil Municipal. “Essa comissão vetou a entrada de novos cachorros em maio deste ano para se reorganizarem. Achamos isso ótimo, é realmente necessário, mas desde então tentamos fazer um trabalho voluntário, dar banho nos animais, levá-los para passear, mas a comissão negou essa possibilidade”, explicou.

Ele ainda frisou que o questionamento não se trata de uma briga entre a Sovipa e a UFV, apenas uma discussão necessária para o desenvolvimento de ambos. “É bom que fique claro que nós não temos nada contra o Departamento de Veterinária da UFV, não estamos duvidando da capacidade técnica deles, sabemos que são um dos mais importantes do Brasil. Estamos apenas questionando a filosofia de que a ciência tenha o direito de usar um animal sadio para pesquisar uma cura que nem sabem se vão encontrar. Nós amamos esta universidade, vivemos nela, mas é uma questão filosófica e um debate que a UFV tem que fazer”, salientou.

Canil Municipal

Segundo a Prefeitura, a lotação máxima no Canil Municipal é de 50 cães. Após a doação para a UFV, a Sovipa informou que apenas três permanecem no local, informação que foi confirmada pela assessoria da universidade e da Prefeitura.

A assessoria da Prefeitura esclareceu que cabe ao Executivo o resgate dos animais nas ruas, fornecimento de ração para alimentação, compra de produtos veterinários, contratação de pessoal. Informou que a UFV é responsável por manter o espaço físico, além de cuidar da saúde e triagem dos cães, classificando-os como saudáveis ou não. A Prefeitura ainda disse que a Sovipa recebe auxílio financeiro de R$ 18 mil por ano para que tenha condição de conduzir o trabalho de adoção dos animais.

Fonte: G1

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  1. Se cães saudáveis não devem ser “material” de experiência, muito menos cães doentes devem ser manipulados em pesquisas porque, assim como humanos, merecem ser tratados de suas enfermidades, sejam quais forem, principalmente porque não são voluntários em procedimentos de tortura que visam beneficiar humanos atentando contra a integridade de outras espécies nascidas com o mesmo direito à saúde e à vida. Cientistas e Professores faltaram nesta aula por isso não dão o braço a torcer.

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