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Protetora que salvou 200 animais fala sobre o dia a dia de resgates

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Divulgação / Arquivo Pessoal
Divulgação / Arquivo Pessoal

O Blog Pet publicou nessa terça-feira o relato da protetora Débora Horvat. Ela é bastante conhecida em Porto Alegre, RS, e já fez o resgate de centenas de animais. Ela escreveu um texto explicando como funciona exatamente o trabalho dela.

Vale a pena a leitura!

“Estava no início do meu curso de mestrado em Porto Alegre (RS) quando me deparei sozinha em casa em um fim de semana qualquer em janeiro. Meus pais na Baixada Santista e minhas colegas de apartamento estavam na casa de seus pais, no Rio Grande do Sul mesmo. Eis que me despertou a vontade de ter uma companheirinha de 4 patas. Depois de conversar com as meninas que moravam comigo e ter o “ok” delas, resolvi ter o meu primeiro cachorrinho.

Como um filhote era muito caro, resolvi adotar. Não conhecia absolutamente nada desse mundo de proteção animal. Naquela época, em 2007, ainda não tínhamos as famosas redes sociais e as poucas ONG’s e protetores independentes tinham muita dificuldade de divulgar seu trabalho. Usando um site de busca cheguei em um blog de uma protetora em Porto Alegre mesmo. Entrei em contato e falei sobre a minha vontade de adotar uma amiguinha.

Ela fez algumas perguntas e disse que iria fazer um resgate na semana seguinte em uma favela onde haviam muitos cães e alguns com o perfil que eu buscava. Marcamos o dia e eu quis acompanhar. Eis que entre dezenas de cães uma coisinha preta pula no meu colo e lambe o meu rosto. Pequenina, magrela e com uma barriga enorme de vermes veio até mim aquela que seria minha eterna amiga: Juju.

Quem já resgatou sabe: a primeira noite é terrível. A segunda não foi das melhores também. Felizmente, após consulta veterinária, medicamentos, alimentação adequada e carinho, minha Juju começou a se mostrar uma excelente companhia. A gratidão dela comigo me fez despertar para a realidade dos animais abandonados. E foi assim mesmo, tudo de repente.

Confesso que eu não tinha a menor noção do que se passava debaixo do meu nariz nas ruas afora. E assim comecei a pesquisar sobre o assunto, conhecer pessoas do meio e quando vi, lá estava eu sendo voluntária de uma ONG auxiliando na vacinação dos resgatados. Passadas algumas semanas, lá estava eu fazendo o meu primeiro resgate.

Divulgação / Arquivo Pessoal
Divulgação / Arquivo Pessoal

Como trabalho em externa e sempre viajo, me deparo com muitos animais nas estradas. Alguns abandonados pelos seus tutores, outros simplesmente perdidos. É impossível fechar os olhos. Fechar caminhões, encurralar cães no acostamento, parar o carro atravessado na rodovia estão entre minhas maiores habilidades. Já fiz muita loucura para salvar um peludinho.

Resgatei: e agora? Aí começa o trabalho do protetor. Infelizmente, não temos como contar com os centros de zoonoses, uma vez que estes não se julgam responsáveis por esse tipo de serviço e sim apenas do controle de doenças. O primeiro passo é procurar um vet, a não ser que o animalzinho esteja em boas condições físicas (nesse caso, priorizamos abrigá-lo e alimentá-lo).

Eu sempre peguei casos onde era imprescindível passar por um médico veterinário. Exames, medicação, e aí sim abrigo e comida. Abrigo, outro problema. Nem todos moram em uma casa grande ou em um local onde não tenha outro animal. Aí começamos a busca pelo “lar temporário” ou hotelzinho. Ambos têm custo, então é importante que você tenha uma reserva para essas despesas.

Medicado, acomodado e alimentado, o próximo passo é castrar o animal antes de doá-lo. Se for possível, vacinar também. Infelizmente, como as despesas são muitas, geralmente optamos por tratar as enfermidades e vermifugá-los, deixando as vacinas para os adotantes. Uma coisa que nós protetores não podemos deixar passar nunca é a castração. Além de evitar dezenas de doenças, evita que esse animalzinho se reproduza caso ele fuja ou venha a morar com outros.

Feito isso tudo, começa a divulgação para adoção. Felizmente temos as redes sociais hoje ao nosso favor. Lembrem que em paralelo a todo esse trabalho com o resgatado, o protetor também tem sua “vida” (trabalho, família, pets). Temos que fazer tudo isso simultaneamente e ainda ter resistência psicológica para tolerar àqueles que nos criticam – que não são poucos – e para lidar com o sofrimento do resgatado.

Teve um resgate que me marcou muito. Eu estava na rodovia dos Imigrantes quando vejo dois cachorrinhos caminhando no acostamento, um deles mancando. Eu estava a caminho de uma reunião. Numa fração de segundos pensei em todas as possibilidades de resgate e lá estava eu com o carro parado no acostamento chamando os cães. Felizmente o que estava mancando veio ao meu encontro (um machinho de aproximadamente 6 meses). O peguei no colo e o outro, ou melhor, a outra cadela veio me seguindo.

Quando o coloquei no carro ela pulou para dentro. Pensei: não tem como deixá-la. Fui para a reunião, deixei os dois dentro do carro com o ar-condicionado ligado. Demorei por volta de 40 minutos e quando voltei lá estavam eles felizes por me ver. E eu aliviada em vê-los bem. Depois da maratona veterinário, lar temporário, tratamento, infelizmente o filhote não resistiu (além da fratura ele foi diagnósticado com parvovirose). A fêmea, que tinha aproximadamente 6 anos, mestiça de pit bull, foi adotada e vive feliz até hoje.

Nesses últimos 8 anos já passaram por volta de 200 animaizinhos por mim, entre resgates que fiz sozinha e outros auxiliando amigos protetores. Já resgatei animais de denúncia de maus tratos, animais perdidos, filhotes paridos na rua e já auxiliei na doação de animais de pessoas que se mudam para apartamento ou para outra cidade e que se julgam sem condições de levar seus animais.

Felizmente esse trabalho tem sido menos penoso com a ajuda de veterinários solidários e pessoas que doam um cantinho de sua casa para abrigar o resgatado durante o tratamento. Resgatar um animal envolve muito equilíbrio psicológico, tempo e dinheiro. É curioso como vejo com frequência protetores (inclusive eu) dizendo: “esse foi o último” ou “não posso resgatar nem uma formiga” e quando nos deparamos com um animal precisando de ajuda, lá estamos nós fazendo das tripas o coração para resgatar.

É impossível fechar os olhos. “O amor para com todos os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana”
Charles Darwin

Fonte: G1 (Blog Pet)

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  1. Débora, tive o prazer de conhecê-la e aprendi com vc amar mais ainda esse peludinhos. E agradeço por ter trago a Madonna, que vc pegou na imigrantes, mencionada na entrevista. Parabéns pelo amor que vc tem com os animais e pelo lindo trabalho de persistência, coragem, vitória em salvar tantos peludinhos. Tenho muito orgulho de vc.

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