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Parque Nacional da Tijuca (RJ) inicia reintrodução de bugios

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O Parque Nacional da Tijuca, gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no Rio de Janeiro, conta com uma nova espécie da fauna. O programa de reintrodução do bugio (também conhecido pelos nomes de macaco-barbado e guariba) teve início na sexta-feira (4) com a soltura de quatro animais oriundos de cativeiro e de resgates de órgãos ambientais. Outros grupos devem ser devolvidos à natureza nos próximos anos para estabelecer uma população viável a longo prazo.

ICM Bio
ICM Bio

A soltura do primeiro grupo ocorreu na manhã de sexta depois que os macacos passaram alguns meses no Centro de Primatologia do Estado do Rio de Janeiro (CPRJ/Inea) para realização de exames, quarentena e formação do grupo social. Um período em viveiro instalado dentro do parque permitiu a adaptação gradual ao ambiente natural e adequação da dieta, com inclusão de folhas e frutos típicos de Mata Atlântica.

A soltura do primeiro grupo foi um sucesso. Os dois animais oriundos de resgates saíram mais rapidamente e já exploram o ambiente do entorno, enquanto os dois nascidos em cativeiro ficaram mais próximos ao viveiro, mas o grupo manteve sua coesão.

Esforços

Grande parte da área protegida pelo parque era ocupada por cafezais no século XIX. O Maciço da Tijuca também foi muito empobrecido pela caça e destruição de habitats durante o processo de colonização e ocupação do Rio de Janeiro. Os esforços de reflorestamento aliados ao processo de regeneração natural resultaram na floresta que temos hoje.

No entanto, muitos animais extintos localmente nunca retornaram à floresta. Com a criação do Parque Nacional, em 1961, a diminuição da cultura da caça na população urbana e o aumento da colaboração entre a administração do parque as instituições científicas do Rio de Janeiro, foram criadas agora as condições propícias para a recomposição da fauna da floresta.

Desde 2009, a fauna do parque está sendo recomposta por meio da reintrodução de espécies nativas que tinham sido extintas historicamente. O pesquisador Fernando Fernandez, da UFRJ, destaca a importância da iniciativa. “A refaunação permitirá recuperar processos ecológicos importantes que foram perdidos no ecossistema do Parque Nacional da Tijuca, especialmente a dispersão de sementes das grandes árvores. Isso é importante para garantir que a floresta possa conservar, a longo prazo, a sua biodiversidade”.

Trabalho em equipe

O programa de recomposição da fauna está sendo realizado por uma equipe composta de pesquisadores de várias instituições, especialmente a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e a equipe técnica da própria unidade de conservação. As primeiras duas espécies de mamíferos devolvidas ao parque são as cotias (Dasyprocta leporina), reinseridas há seis anos, e agora os bugios (Alouatta guariba).

O chefe do parque, Ernesto Viveiros de Castro, explica a escolha da espécie. “Bugios são macacos relativamente grandes que têm importante papel ecológico na dispersão de sementes e na ciclagem de nutrientes no ecossistema. São notáveis por sua poderosa vocalização, que pode ser ouvida a quilômetros de distância”.

Além disso, ressalta ele, os bugios são muito carismáticos, o que ajuda na sensibilização da população para a importância da conservação e reintrodução de espécies na Mata Atlântica. “Outras espécies devem ser reintroduzidas nos próximos anos”, adianta Viveiros de Castro, ao garantir que, apesar dos altos guinchos ou chiados (vocalização, sons produzidos pelo animal), o bugio é uma espécie dócil, que se alimenta de folhas e frutos e não representa ameaça a animais domésticos ou pessoas.

Florestas vazias

Um dos maiores problemas para a conservação da biodiversidade no mundo atual são as florestas vazias, segundo os especialistas. Muitas florestas que parecem intactas à primeira vista não têm mais animais de grande porte, que foram exterminados pela caça (comercial e de subsistência). O processo de perda de fauna que produz florestas vazias é chamado tecnicamente de defaunação.

Em uma floresta vazia, a perda dos grandes animais leva à interrupção de vários processos ecológicos que eles realizam em matas intactas, tais como dispersão de sementes de grandes árvores, regulação de populações de presas e ciclagem de nutrientes. A perda desses processos faz com que o ecossistema de uma floresta vazia não funcione adequadamente. Se nada for feito, a tendência é que uma floresta vazia vá perdendo, pouco a pouco, a sua biodiversidade.

Projeto Refauna

O que está em andamento no Parque Nacional da Tijuca é parte de um projeto maior para a recomposição da fauna de florestas do estado do Rio de Janeiro, o Projeto Refauna. O projeto, que tem a participação do ICMBio, é uma parceria entre universidades do Rio de Janeiro (UFRJ, Universidade Rural do Rio de Janeiro e Instituto Federal do Rio de Janeiro) e várias outras instituições como o Instituto Estadual do Ambiente do RJ (INEA), a Prefeitura do Rio de Janeiro (Fundação Parques e Jardins e Fundação RioZoo), a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá.

Os principais pesquisadores envolvidos no Refauna são Fernando Fernandez e Marcelo Rheingantz (UFRJ), Alexandra Pires (UFRRJ) e Maron Galliez (IFRJ), além de estudantes de pós-graduação e de graduação que têm desempenhado um papel fundamental. No parque, iniciativa é coordenada pelo biólogo Ernesto Viveiros de Castro, chefe da unidade.

O Projeto Refauna é atualmente financiado com recursos da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Mais informações:
Parque Nacional da Tijuca
Julia Barroso – julia.barroso@icmbio.gov.br
(21) 2491-1700 / 99504-9668
www.parquedatijuca.com.br
Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280

Fonte: ICM Bio

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  1. Bacana! Valeu, ICMBio e demais envolvidos! Que o olhar seja para os indivíduos sencientes, tendo as “funções ecológicas” como mero bônus do processo de libertação.

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