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Resgatando porcos pela boca

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Foto: Divulgação

O acidente do dia 25/08/2015 no trecho oeste do Rodoanel, em Barueri (SP), envolvendo o tombamento de uma carreta carregada de suínos e toda a calamitosa situação envolvendo esses verdadeiros passageiros da agonia, nos levam a pensar e a refletir não somente nos motivos que levaram os animais a estarem naquela situação, como nos muitos desdobramentos a serem almejados para além da ação de socorro aos sobreviventes dessa tragédia.

Este caminhão lotado de animais sacudidos pela trepidação extenuante e pelo ruído maçante de um motor potente em movimento é apenas um entre os milhares de veículos que trafegam por esse Brasil afora para completar uma etapa fatídica de toda uma cadeia produtiva relacionada ao consumo de bacon, presunto, linguiça, banha, torresmo, pernil, patê e mortadela suína. Esses produtos postos em cima da mesa para serem consumidos fecham um círculo trágico e torturante desses miseráveis seres desde o nascimento até a morte. Os caminhões que chegam às granjas para transportar por longas horas ou dias esses seres-mercadorias abarrotados, amedrontados e expostos às mais variadas temperaturas, apenas suprem uma demanda por paladares viciados em gordura animal.

E o pior de tudo é que estão levando crianças suínas para o abate já que suas breves vidas são de apenas 140 dias, o que equivale a uma criança humana, em média, de 3 anos. Na realidade a maior parte dos animais explorados para consumo tem sua vida interrompida quando bebê ou criança. Bebês suínos são separados de suas mães por volta dos 10 dias de vida e sendo machos tem seus testículos extraídos sem nenhum analgésico, tal como orelhas marcadas e rabinhos cortados. As fêmeas escolhidas para a reprodução terão seu calvário de máquina de fazer filhotes antecipado com hormônios que estimulam a ovulação e assim sucessivamente nas diversas gravidezes concebidas por meio de estupro, leia-se inseminação artificial. Assim terão seus ventres e suas vidas exauridas até encontrar a morte no matadouro.

Outra análise interessante refere-se às condições em que esses animais são transportados, seja por estarem amontados e debatendo-se mutuamente, seja pelas horas a fio sofrendo às adversidades do clima, além de famintos e sem água. Não estaria na hora de rever, ajustar e ampliar as leis relativas aos animais de consumo, já que são evidentes os maus tratos, os crimes contra a fauna e ao meio ambiente? E não me refiro apenas à forma cruel e deplorável com que são transportados, mas a todo o calvário que acontece nas sombras das granjas e das fazendas. Se não há diferenças relativas às sensações, aos sentimentos, à inteligência e ao comportamento entre cães e porcos, por exemplo, porque o tratamento jurídico diferenciado, que ignora a condição deplorável destes últimos? Imagine o escândalo que seria se o acidente fosse com cães???

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Do ponto de vista sanitário numa das fêmeas foi detectado um caso câncer e noutras a existência de larvas de berne. Sobre o câncer o próprio frigorífico admitiu ser comum o morte de animais nessa situação e quanto às larvas ninguém se manifestou. Isso demonstra a ineficiência e a omissão dos órgãos de fiscalização sanitária e inspeção veterinária. Vai ver que os embutidos preparados com essas carnes contenham ingredientes a mais em sua composição e que misturados, passam despercebidos pelo consumidor “inocente”.

Dos 110 porcos que estavam no caminhão, 64 foram resgatados pelos ativistas e levados a um santuário, sendo que 25 destes acabaram morrendo em função da gravidade dos ferimentos. O resgate dos animais pelos ativistas foi um ato heroico e louvável, que proporcionou aqueles bichos desfrutarem pela primeira vez do contato com a terra, da liberdade de movimentos e da degustação de alimentos apropriados a sua condição fisiológica e natural de vida. Bem diferente das monótonas rações e farelos de milho.

Graças ao acidente e ao resgate esses animais sobreviveram a duas tragédias! Mas trata-se de um caso isolado e a tragédia maior da granja e do matadouro acomete aos milhões de seus semelhantes pelo mundo afora. Quantos caminhões “macabros” cruzam as estradas sem qualquer empecilho levando seres dóceis, sensíveis e inteligentes para a agonia dos matadouros? Caso queira socorrer alguns desses comece por eliminá-los de sua dieta. É a maneira mais sensata, ética e prática de “libertá-los”, evitando traze-los ao mundo, poupando-os do sofrimento e da morte cruel.

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  1. Parabénss!!! parabéns pelo texto..Parabéns por se importar com nossos irmãos que tanto sofrem nas mãos de humanos que não entendem que o sofrimento e a dor é a mesma!! Grata meu amigo !

  2. Esse texto é uma preciosidade.
    Acredito que esse assunto, para que tenha mais repercussão, deveria ser tratado de maneira mais cientifica. Já tá mais do que comprovado que o que nós, animais humanos, sentimos é o mesmo que todos os outros animais sentem, mas, por incrivel que pareça, muitas pessoas esclarecidas até, não tem essa percepção e acham que o sofrimento é inerente à vida dos animais, ou seja, que a dor para eles é absolutamente natural.
    Vai aqui uma dica: Poderia ser aprovada uma lei que obrigasse a instalação de câmeras em todos os abatedouros para se apurar abusos, como já existe na Inglaterra.

    1. Muito grato Marco! Disseste tudo! A dor é igual ou semelhante para todos os seres! Está aí uma lei a ser pensada! Um grande abraço!

  3. Disse tudo, Márcio Linck. A única forma de evitar a matança de quase 40 milhões de suínos anualmente, no Brasil, é mesmo abolir da dieta tudo o que é fabricado com suas carnes. Queria ver essas pessoas que se servem de pedaços mortos de porcos nos jantares festivos, servirem-se de seus cães assados inteiros. Não o fariam. Então, está na hora de perder a inocência. Um corpo assado inteiro, não importa qual a espécie do animal, é a prova evidente da tortura pela qual esse animal passou, em vida, no transporte e pendurado na corrente para ser apunhalado.

    1. Valeu Sônia! Com certeza seria um escândalo para essa gente servirem-se de cachorros à pururuca, costelinha de cão com farinha, etc. E não há diferença alguma naquilo que importa a ser considerado entre cães e porcos! Por isso, dieta abolicionista!!! Um grande abraço!

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