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Curitiba (PR) assiste a uma revolução vegetariana e vegana

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Espaco Surya, no centro de Curitiba, uma gondola apenas com produtos veg (foto: Franklin de Freitas)
Espaco Surya, no centro de Curitiba, uma gondola apenas com produtos veg (foto: Franklin de Freitas)

Em 2012, 11% dos curitibanos se diziam vegetarianos, segundo pesquisa do Ibope. A cidade ficou em segundo lugar, perdendo apenas para Fortaleza, com 14%. Na época isso equivalia a um total de 192.709 pessoas. Desse contingente há aqueles ainda que optam por uma versão mais hard do estilo de vida e se privam de qualquer alimento ou produto que tenha origem animal, os veganos. Para atender à demanda desses grupos que lutam pela libertação animal, comércios especializados em alimentos vegetarianos e veganos estão se multiplicando. É um mercado em expansão. Esse nicho se estende, atualmente, para o universo das roupas, dos cosméticos, dos produtos de higiene, limpeza e chega até aos pet shops. Quem procurar vai achar na cidade desde alimentos até maquiagem, cremes e sabonete a salgadinhos com selo vegan.

Localizada na Galeria da praça Osório, o Empório VegVeg vende apenas produtos sem origem animal ou testados em animais. Aberto por Tatielle Jorge e Carol Ferreira, ambas veganas, a loja começou vendendo apenas produtos alimentícios, mas hoje já trabalha com produtos de limpeza e higiene pessoal. A ideia surgiu como uma tentativa de atender as próprias necessidades e a de amigos, também veganos, que tinham dificuldade de encontrar produtos direcionados para pessoas com esse tipo de dieta.

Aberta desde 2003, hoje a loja já tem 300 itens em estoque e uma lanchonete aberta desde o final de julho que vende coxinhas, crepes, waffles e milk shakes veganos. O leite dos milk shakes é substituído por leite vegetal e o sorvete é um gelato a base de água.

Segundo Tatielle, esse mercado está aquecido e houve um aumento significativo no estilo de vida vegano e vegetariano. Os motivos para isso são variados. Ela própria, vegana a dois anos e meio e vegetariana a 8, deixou de comer carne “por causa dos animais”, com ela mesma define. Mas “têm aqueles que deixam por motivos ambientais e outros por motivos de saúde. Na loja tem clientes que compram os produtos por terem intolerância à lactose”. Para Tatielle, o aumento do movimento também se deve ao maior acesso à informação. “Cada vez mais as pessoas sabem da verdade sobre a indústria de produtos de origem animal e tem aqueles que não querem fazer parte disso”, diz.

A história do restaurante Semente de Girassol não é muito diferente. Emerson Apio, vegano a dez anos, dono do estabelecimento, diz não haver opções de espaços veganos quando abriu. Por isso criou o restaurante com uma proposta de oferecer comida vegana por preço mais em conta do que a onívora. Para o almoço há todos os dias um prato diferente. Há também 30 opções de pizza, feita com queijo vegetal produzido no próprio restaurante, coxinha, salgados e doces. À noite há opções de sopas, sendo pelo menos uma delas orgânica. Há disponibilidade variada de alimentos orgânicos, dependendo do que está disponível no dia. O restaurante não trabalha com produtos transgênicos ou que sejam testados em animais. O compromisso com o meio ambiente vai além da comida: faz ecodelivery de pizza no centro — de bicicleta.

Por muito tempo o setor de alimentação é o que diferenciava os vegetarianos. Como o Sorella é um restaurante vegetariano ovolacto com algumas opções veganas. Diariamente o restaurante atende entre 150 a 160 pessoas, segundo Francisco Geraldo Dias, funcionário do restaurante no Centro Cívico. Segundo ele não são todos os clientes que compartilham o estilo de alimentação vegetariano, alguns inclusive possuem certo preconceito com esse estilo, mas vêm por curiosidade. “Após experimentarem, (os preconceitos) caem por terra”. Os pratos mudam diariamente e quinta-feira é o dia da semana mais movimentado, graças ao prato referência — panquecas de maçã ao molho de maracujá (agridoce) e kibe vegano. Domingo é o dia em que o estabelecimento costuma lotar, com uma média de 250 a 300 pessoas servidas. Chega a haver fila de espera.

Mas, com o tempo, e o surgimento dos veganos, outras áreas ganharam terreno. Em Curitiba há opções de cosméticos e maquiagens voltadas para o público vegano. Uma delas, a Bioart, é pioneira no país no que se refere à maquiagem com ingredientes naturais, orgânicos e veg. A marca é completamente vegana, orgânica, natural e de fontes sustentáveis. Até o ano passado alguns produtos continham a cera de abelha (apesar de natural), que foi substituída por outra de origem vegetal para atender às exigências desse público.

Segundo Patrícia Teixeira, fundadora da Botânica Brasil, distribuidora responsável pela venda de cosméticos da Bioart em Curitiba, esse mercado ainda é novo na cidade. É um mercado que ainda está sendo aberto em Curitiba, ao contrário de centros como Rio de Janeiro e em São Paulo, já difundidos. Isso se dá pelo valor mais alto que os produtos naturais têm em relação aos cosméticos com pigmentos artificiais ou sintéticos e derivados do petróleo, e ao posicionamento mais conservador do curitibano em relação à novidade.

Letícia dos Santos Nogueira, 58, aromaterapeuta e dona da loja de cosméticos naturais, é uma das revendedoras da marca Bioart. Segundo ela, os produtos da marca são bem vendidos, mas os clientes que compram o fazem na maioria pelos ingredientes naturais. Veganos que procuram a marca pela causa animal são poucos.

Há também outras marcas de cosméticos brasileiros com 0% de produtos animais. A Surya, marca nacional de produtos veganos, orgânicos e naturais, é vendida em alguns estabelecimentos em Curitiba. Na Casa Costa, no centro, há o Espaço Surya. Segundo a Promotora da marca na loja, Viviane Gonsalves as Silva, 26, há bastante procura pelos produtos, mas a maioria está em busca de ingredientes naturais, e não libertação animal. Mas os veganos ainda assim são parte importante dos clientes dessa linha na Casa Costa.

Animais — Há pet shops e lojas de animais em Curitiba que oferecem rações e petiscos vegetarianos. Mas há que se tomar cuidados. “Cães e principalmente gatos são animais carnívoros, que apresentam necessidades específicas sobre certos aminoácidos, vitaminas e ácidos graxos”, diz a veterinária Ananda Portella Felix. “Rações vegetarianas (e não veganas) para cães (com ovo, por exemplo) são possíveis, enquanto para gatos seria muito difícil atender todas as necessidades nutricionais sem causar desequilíbrio nutricional”.

Fonte: Bem Paraná

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  1. Fiz a festinha de aniversário de 1 ano do meu filho com cachorros-quente veganos. As 6 latinhas de salsicha custaram algo em torno de 120 reais. Nesse ritmo, não consigo ser vegano. E, ainda que eu pudesse sustentar todos os meses um estilo de vida como esse, não me sentiria confortável sabendo que pertenço a uma ínfima parcela da população que não impactará em nada a indústria da carnificina.

    Enquanto o veganismo se restringir às elites os animais continuarão sofrendo nos matadouros.

    1. Sr.

      Aonde comprou essas latas de salsicha?Aqui em Porto Alegre
      cada lata custa em torno de R$8,00.Muito proximo das ditas “comuns”…R$8,00 X 6 = R$48,00.Procure na internet, empresa Superbom é uma delas.

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