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GDF cria comissão para decidir se felinos vão para santuário

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Leão Dengo em recinto no zoológico de Brasília (Foto: Isabella Formiga/G1)
Leão Dengo em recinto no zoológico de Brasília (Foto: Isabella Formiga/G1)

Na semana seguinte ao anúncio feito pelo vice-governador Renato Santana de que dois felinos idosos que vivem no Zoológico de Brasília seriam transferidos “o mais rápido possível” para um santuário em São Paulo, o GDF decidiu criar uma comissão técnica para debater a doação dos animais.

O secretário do Meio Ambiente, André Lima, disse que o GDF não recuou da decisão, que segundo ele depende de avaliação veterinária e jurídica. “Nem foi para frente, nem voltou para trás. O que a gente está fazendo é buscando tomar uma decisão fundamentada e que de fato atenda ao que interessa, que é o bem-estar e a qualidade de vida dos animais.”

No início do mês, ativistas denunciaram que um leão idoso e doente vive há anos confinado em um recinto de concreto de 77 m², sem acesso à luz do sol ou ao gramado, no setor conhecido como “extra” do zoológico. Uma onça de 21 anos também vivia no espaço, mas ela já foi transferida para uma espaço maior, na área de visitação.

Questionado se o recinto em que o leão vive é adequado para o animal, o secretário respondeu que “pode ser melhor”. “O recinto hoje não é um recinto que possa ser caracterizado como maus-tratos. Esse é o recinto que temos hoje para dar tratamento para o animal. Está dentro das condições normativas do Ibama. Pode ser melhor? Pode ser melhor.”

Em nota enviada à imprensa na semana passada, o governo havia reconhecido a situação degradante a que foram submetidos o leão e a onça, “[…] já em idade avançada e com histórico de doenças graves”.

“É uma decisão baseada em motivação e fundamentação técnica […]. Podemos doar os animais caso o local e as condições que vão oferecer aos animais nessa instituição privada sejam melhores que as que têm no zoológico.”

Fundador do santuário, Marcos Pompeu diz que tem áreas verdes de até 1,5 mil m² para receber o leão Dengo, mas que não pretende entrar na “briga” para levar os animais para o local. “Visto que o zoológico não precisa do rancho, estamos dando andamento em outros processos de outros animais que precisam e que não tem essa burocracia toda que se instalou. Se o zoológico quisesse realmente que os animais viessem para o rancho, pediria ao Ibama.”

Segundo Pompeu, o processo de transferência do tigre Diego para o santuário, em maio, foi feito com anuência do Ibama, sem burocracias ou a necessidade de criação de uma comissão. O custo da transferência do tigre – R$ 20 mil – foi arcado pelo próprio santuário.

“Essa questão de briga, questão de ego, estamos fora disso. Nosso objetivo é ajudar o animal. Sempre nos colocamos como solução, não como problema. Estamos em missão de paz”, diz Pompeu. “Temos sim um lugar melhor para que o animal fique, onde ele vai tomar sol, vai poder ver outros animais. Estou dizendo única e exclusivamente em espaço, não estou falando dos técnicos de lá.”

Analista ambiental do Ibama, Roberto Cabral diz que a doação do tigre Diego, que viveu nove anos no “extra” do zoo, foi feito de forma “excepcional” por conta de um problema de integração do sistema e porque o animal havia sido resgatado pelo próprio órgão.

Cabral afirma ainda que, como o santuário se colocou à disposição para receber felinos doentes e idosos, vai analisar quais outros animais necessitam com mais urgência de transferência. “Se tem mais vagas, então não vamos continuar pegando animais que estão pelo menos com veterinário local, [recinto] adequado no sentido de ter espaço, vamos ver outra situação de um animal que esteja em situação pior”, diz.

O vice-governador Renato Santana disse que a Procuradoria do DF já deu parecer jurídico favorável para a transferência, mas que a saúde do animal ainda precisa ser avaliada.

“Precisamos dar celeridade ao processo e é o que estamos fazendo. Quem vai dizer se animal tem saúde para suportar uma viagem dessas? Quais as condições de viagem, qual o critério, o animal consegue sem colocar em risco a vida dele? Quem vai dizer isso são os profissionais do zoo, do Rancho dos Gnomos e profissionais da Associação do Conselho de Medicina Veterinária. Isso é estar atento à saúde do animal.”

“Houve um desencontro de informações que levou esse assunto do leão para um ambiente em algum momento inclusive de disputa de ideias, ideologias, e esse não é o objetivo”, disse Santana. “Quando falei do tema com o governador, ele foi muito claro e disse: ‘Precisamos resolver isso com a velocidade que o caso requer e levando em consideração o que for melhor para esse animal”, diz.

Comitê

Nesta terça-feira, foi realizada a primeira reunião do Comitê Intersinstitucional de Política Distrital, convocada pelo secretário André Lima para debater a transferência dos bichos. A Procuradoria-Geral do DF solicitou documentos que comprovem motivação clara para os animais deixarem o zoo da capital. O grupo deverá discutir a condição do transporte, o risco da transferência à saúde dos animais e o ambiente em que serão recebidos.

Durante o encontro, foram apresentados relatórios de três inspeções pelas quais o zoológico passou desde o início do ano – em nenhuma delas foi constatado maus-tratos aos animais.

Felinos

Resgatado por maus-tratos de um zoológico em Niterói, Dengo é o único leão vivo de uma série de resgates realizadas pelo Ibama em 2007 e 2011. A ex-companheira dele, Elza, morreu em 2013 de câncer.

Três outros animais da espécie resgatados em 2007 do Circo Transcontinental – Léo, Nando e Sansão, que também viveram durante anos no “extra” – morreram de insuficiência renal, depressão respiratória e câncer. De acordo com o zoo, todos tinham Aids felina, assim como Dengo.

A onça pintada Tuan, de 21 anos, foi sido encaminhada para o “extra” há dois meses, após ser ferida pelas companheiras. O animal também sofre de insuficiência renal e, segundo o zoo, já superou a expectativa de vida para a espécie.

Fonte: G1

Nota da Redação: Zoológicos e outros locais que aprisionam animais devem ser completamente extintos. Casos como o do zoológico do DF servem para alertar a população mundial sobre a injustiça e crueldade escondida atrás de zoológicos e outros locais que mantém animais em cativeiro apenas para divertimento humano. É preciso clarear a consciência para entender e respeitar os direitos animais. Eles não são objetos para serem expostos e servirem ao prazer de seres humanos. As pessoas podem obter alguns minutos de entretenimento, mas para eles é uma vida inteira de exploração e abusos condenados pelo egoísmo humano.

 

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