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Presidente da empresa Tofurky fala sobre sua trajetória bem sucedida no empreendedorismo ético

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(da Redação)

Foto: Reprodução Internet

Presidente da empresa Tofurky, o americano Seth Tibbott deixou seu emprego como professor nos anos 70 para produzir produtos vegetarianos. Hoje, décadas depois, fala com exclusividade para a ANDA sobre o avanço do veganismo e sobre sua trajetória bem sucedida no mundo do empreendedorismo ético.

ANDA – O que o inspirou a criar a empresa Turtle Island Foods, incluindo a linha Tofurky, e quais são os objetivos da rede?

Seth Tibbott – Eu comecei a empresa em 1980, com uma reserva de $2500.  Na época, eu estava com 29 anos e tinha passado oito deles ensinando ecologia para crianças. No mesmo período, o então presidente dos EUA, Ronald Regan, retirou o apoio financeiro de muitos empregos da minha área. Foi aí que decidi que queria me estabilizar em um emprego que não fosse mantido com a verba do governo. Comecei a fazer o Tempeh (tipo fermentado de soja) para me manter, mas para também contribuir com o crescimento das opções de comidas vegetarianas e, com muita esperança, tornar o negócio rentável o bastante para apoiar causas vegetarianas e ambientais. Nós ainda temos esses objetivos, principalmente agora, que eu aprendi mais sobre os efeitos negativos da agricultura. Apoiamos os grupos que trabalham para disseminar a compaixão para com os animais com dietas à base de vegetais.

ANDA – Como começou a fazer o Tempeh?

Seth Tibbott  – Me tornei vegetariano uns quatro anos antes de criar o Tempeh, mais ou menos. Eu já experimentava diferentes formas de comidas à base de soja por muitos anos. Em 1977, estava trabalhando como educador ambiental no Tennesse, sudoeste dos EUA. Lá eu conheci uma grande comunidade vegana chamada “The Farm” (A Fazenda, em tradução livre). Era uma comunidade com mais de mil hippies, e eles tinham descoberto como fazer o Tempeh. Eu adaptei um pouco do que já sabia desse tipo de alimentação ao estilo da cultura deles e fiz o Tempeh na tenda onde eu estava hospedado. Encubei o tempero em um campo, no sol do verão, e um dia depois eu os colhi e cozinhei com um pouco de milho doce. Estava delicioso! Uma das melhores refeições de minha vida. Fiquei viciado na comida no mesmo momento (risos). Quando voltei para casa continuei a produzir o Tempeh para amigos e família e, em 1980, comecei a vender o produto, que era feito dentro de uma geladeira antiga, utilizada como incubadora.

ANDA– Há quanto tempo você é vegano e o que o levou a tomar essa decisão?  

Seth Tibbott  – Em 1972 eu li um livro chamado “Diet for a Small Planet”, de Francis Moore. Ele explicava como era o sistema de alimentação das vacas para a produção de carnes, processo que soou como um “desperdício ambiental” em minha mente. Me tornei vegetariano a partir daí, mas minha dieta era muito pobre. A palavra “vegan” não era muito conhecida e eu ainda comia ovos e queijo. Quando fui para “The Farm” eles mantinham uma dieta vegana, mas a chamavam de “vegetariana pura”. Nos 30 anos seguintes eu alternava entre a dieta vegana e onívora. Foi então que, quatro anos atrás, finalmente entendi que comer animais é um ato horrível e cruel. Posso me considerar um verdadeiro vegano desde então. Foi isso que me mudou e eu não consigo mais me imaginar comendo carne ou produtos lácteos em minha vida.

ANDA – Conte-nos um pouco mais sobre o seu começo no segmento de alimentação saudável/vegana? 

Seth Tibbott – Quando abri a empresa eu não sabia nada sobre como administrar um negócio. Eu não sou um empreendedor nato e achei que seria uma boa ideia fazer algumas aulas sobre o assunto. Então, me inscrevi em um curso. Lembro que entrei em uma sala repleta de novos empresários. O professor começou a aula perguntando “quantos de vocês aqui estão nos negócios para salvar o mundo?”. Levantei minha mão rapidamente, mas foi a única da sala. Então ele perguntou “quantos de vocês estão aqui para ganhar dinheiro?”. Todos levantaram a mão e eu logo pensei: “poxa, logo na primeira aula, estou fazendo a coisa errada nos negócios”. Porém, estava entusiasmado e cismado o suficiente para continuar com os estudos. O negócio foi crescendo, aos poucos comecei a receber investimentos de amigos e bancos, mas nos primeiros 15 anos o negócio ainda não era rentável. Em 1995, com a invenção da Tofurky, tudo mudou.

ANDA – Qual o segredo para criar os saborosos produtos Tofurky? 

Seth Tibbott  – Nós trabalhamos duro para criar novos produtos. O processo é demorado porque queremos que o sabor e a textura sejam perfeitas para venda e consumo. Conseguir a textura certa é geralmente mais difícil do que conseguir chegar ao sabor ideal. Acho que o que também ajuda é a utilização de tofu e Tempeh orgânicos, e outras formas naturais de obter a soja, além de seu pó e seus concentrados.

ANDA – Como imagina que seria um mundo vegano? 

Seth Tibbott  – Eu penso que o mundo vegano está crescendo neste momento. Às vezes, as pessoas se queixam que a mudança está acontecendo muito lentamente, mas uma das grandes coisas de ser mais vivido, experiente, é notar as grandes mudanças nos últimos 40 anos, ou mais. Em 1973, não havia granola, leite de soja, iogurte, tofu, tempeh, ou qualquer um desses produtos à base de soja nos pontos de vendas. Você tinha que criar suas próprias versões. Agora, as prateleiras estão cheias de alternativas. Nos EUA, os grandes armazéns também possuem prateleiras repletas de opções de comidas veganas. Mas falo não só em relação à alimentação, pois hoje em dia há muitos abrigos para animais abandonados e vítimas de maus-tratos. Pessoas que trabalham diariamente para provar que eles são alguém, não alguma coisa. Isso já é um grande avanço em relação à época que comecei.

ANDA – Por que escolheu o Brasil como um dos países para distribuição dos produtos da empresa? 

Seth Tibbott  – Notamos que há muitos vegetarianos no Brasil. Então, contatamos um distribuidor encarregado de revender os produtos.

ANDA– O que acha dos serviços prestados pela ANDA? 

Seth Tibbott  – Conheci a ANDA neste verão, ao encontrar com a querida Silvana Andrade. Eu acho que é uma organização fabulosa, que debate as principais causas animais. Realmente brilhante.

ANDA – Como enxerga o mercado de comida vegana no mundo?

Seth Tibbott  – Maravilhoso de ver. Agora, nós estamos vendendo os produtos Tofurky nos cinco continentes, incluindo a Austrália, Alemanha, Inglaterra, Brasil, Cingapura, Canadá, entre outros. Também fomos contatados por países como Egito, Israel, Turquia, Filipinas, Tailândia e Irã. O veganismo e o reconhecimento da senciência dos animais são grandes verdades que estão ecoando ao redor do mundo.

ANDA – Quais são os planos para a empresa?

Seth Tibbott  – Bom, eu acabei de passar a presidência da Tofurky ao meu enteado, Jaimes Athos, que partilha de minha visão sobre fazer produtos vegetais inovadores e acessíveis. Ele está fazendo um ótimo trabalho, levando a empresa ao futuro. Eu permaneço na presidência da rede e continuo me concentrado na expansão das vendas internacionais e na criação de novos produtos.

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