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Núcleo de inteligência age contra a reincidência dos traficantes de animais

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(Demitri Túlio/O Povo)
(Demitri Túlio/O Povo)

Os números do tráfico de pássaros e outros animais surpreendem. No Ceará, 98% dos 500 bichos recolhidos no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) são oriundos do comércio clandestino. O Cetas é uma unidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) responsável pela reabilitação e devolução das espécies às florestas.

Alberto Klefazs, biólogo e analista ambiental do Ibama, afirma que os 5 mil animais por ano no Cetas são a ponta de um cenário bem mais assustador. Por não temer a legislação e acostumado com a fiscalização frouxa, o criminoso ignora o risco.

No Ibama já se fala da necessidade de mudar a estratégia de combate ao contrabando de animais silvestres. Hoje está basicamente à mercê de denúncias, da apreensão algum animal em barreiras policiais e em blitze nas feiras livres. São instrumentos pouco eficientes, que não alcançam os grandes traficantes. Para Rolfran Ribeiro, chefe da Divisão de Fiscalização do Ibama, uma das saídas seria apostar em investigação contínua, banco de dados integrado, inteligência policial e parceria com órgãos afins.

Cita como exemplo de trabalho de resultado a Operação Onda Verde, na Amazônia, ação do Ibama em parceria com outros órgãos, como a Polícia Federal. Preocupado com o desmatamento e em cumprir acordos internacionais, o Governo Federal resolveu contra-atacar com planejamento e inteligência.

O problema é que o Ibama cobre um santo e deixa outro nu. Para a Operação Onda Verde, a superintendência do órgão, em Brasília, arregimenta fiscais das filiais nos estados. No Ceará, segundo Miller Holanda Câmara, coordenador da fiscalização local, a convocação ocorre no mesmo período da nidificação do papagaio-verdadeiro no Nordeste. Ano passado, entre agosto e dezembro, nove servidores foram levados.

Entre setembro e novembro é o período de maior movimentação dos traficantes da espécie. Da hora da retirada dos filhotes dos ninhos ao transporte e venda ilegal deles nas feiras livres e outros pontos de negócio no território nordestino e demais regiões do Brasil. “Éramos 41 fiscais no Ceará para o emprego em diversas atividades (fauna, flora, pesca, degradação ambiental…). Com aposentadorias e servidores à disposição, contamos hoje com apenas 29”, observa Miller Holanda.

Mesmo assim, Rolfran Ribeiro e Miller Holanda acreditam que o órgão vem, aos poucos, construindo outra sistemática de trabalho. E já há sinais que poderão repercutir na repressão às quadrilhas de traficantes de animais silvestres. Há três anos, por exemplo, vem sendo estruturado um Núcleo de Inteligência no Ibama do Ceará.

Um passo importante, segundo Miller Holanda, para o monitoramento de indivíduos que se repetem nos autos de infrações. Atualmente, pelo menos quatro traficantes, atuantes no Ceará e estados do Nordeste, estão sendo acompanhados. Miller e Rolfran esperam verbas para compra de equipamentos, convênios, treinamento de servidores e desenvolvimento sistemático de operações.

Além da criação do Núcleo de Inteligência, outro encaminhamento encabeçado pelo Ibama é a descentralização da fiscalização. Fazer valer a Lei Complementar 140/2011 que também trata da redistribuição de atribuições para prefeituras e estados. Os dois entes passariam a ser mais ativos na vigilância à legislação de proteção ambiental. E o Ibama se dedicaria ao combate do tráfico de animais e ações menos pontuais. Como licenciamento de criatórios ou desmatamento urbano, por exemplo. Por enquanto, os acordos estão em discussão, a ações de fato ainda engatinham.


Operação Papagaio por opovo

Fonte: O Povo

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