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Agressor de cães no RJ pode sair impune

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As imagens que mostram o carioca Rafael Hermida agredindo Gucci e Victoria, fêmeas da raça buldogue francês que pertencem a sua ex-noiva, Ninna Mandin, chocaram internautas de todo o Brasil nos últimos dias. A expectativa agora é em relação ao depoimento do acusado – que ainda não compareceu à delegacia – e ao resultado final do inquérito. Mas o principal os especialistas já sabem: não existe possibilidade de ele ser preso.

Gucci e Victoria, cadelas agredidas por Rafael Foto: Instagram / Reprodução
Gucci e Victoria, cadelas agredidas por Rafael (Foto: Instagram / Reprodução)

“A lei que trata deste assunto infelizmente é muito branda. Ela permite que a pessoa, mesmo confessa em crime de maus-tratos, saia livre assinando apenas um termo de compromisso. Mesmo se ela for condenada a uma multa e não pague, esse não-pagamento não pode originar prisão. O valor vira uma dívida ativa, como em um não-pagamento de um tributo qualquer. E ninguém pode ser preso por dívida. No máximo, o nome fica sujo”, explicou ao Terra o advogado Mário Martins, consultor jurídico da AILA (Aliança Internacional do Animal), entidade não-governamental que atua na área há 15 anos.

A lei federal que determina que é crime praticar ato de abuso e maus-tratos a animais (silvestres, domésticos, nativos ou exóticos) é a de n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. A pena, por sua vez, é detalhada pelo decreto federal n° 3.179, de 21 de setembro de 1999, que estabelece que a detenção do infrator pode variar de três meses a um ano e a multa pode ser de R$ 500 a R$ 2 mil. Pela lei, portanto, é de se supor que a possibilidade de prisão exista. Mas ela não existe.

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

“Quando a pena é pequena como essa, de 3 meses a 1 ano, a infração é considerada de menor potencial ofensivo e encaminhada ao juizado de pequenas causas. É por isso que o acusado pode apenas assinar o termo em que se compromete a comparecer aos atos processuais do caso e não ser preso. E tem mais: se ele tiver bons antecedentes, a lei obriga o juiz a oferecer transição penal, ou seja, suspensão do processo. Isso quer dizer que, ao final do cumprimento da pena alternativa, que pode ser auxílio a qualquer instituição de caridade, o processo é extinto como se nunca tivesse existido. O acusado volta a ter bons antecedentes”, diz Martins.

Como denunciar

O especialista ressaltou, porém, que denunciar e divulgar o caso, como Ninna Mandin fez, é extremamente importante. “As pessoas que se comprometem com a proteção animal têm que criar coragem e denunciar sempre. Não só denunciar, mas fiscalizar. Não adianta ligar para um centro de zoonoses e achar que resolveu o problema, por exemplo. Tem que acompanhar. Se o órgão não resolver, tem que encaminhar para outro. Não pode haver omissão. Quanto mais denúncias houver, mais o agressor vai se intimidar para cometer outros atos parecidos e atos de represália a quem denunciou”, afirmou.

E as opções de ação são várias. Quando se pega o crime em flagrante, in loco, no momento em que ele está ocorrendo, deve-se acionar a Polícia Militar – órgão responsável por coibir crimes. Se o conhecimento do fato se der após a ocorrência, o encaminhamento deve ser feito à delegacia mais próxima, já que a Polícia Civil é a responsável pela investigação.

 Imagem de câmera escondida que flagrou a agressão (Foto: Facebook / Luisa Mell Oficial / Reprodução)
Imagem de câmera escondida que flagrou a agressão
(Foto: Facebook / Luisa Mell Oficial / Reprodução)

Existem ainda canais mais específicos. Para os paulistas, por exemplo, algumas das opções sugeridas pela AILA são a Polícia Militar Ambiental (que atende no número 11 0800 13 20 60), a Secretaria do Meio Ambiente do Estado (11 3030 6638) e o Ministério Público (11 3119 9000).

Os paulistanos, moradores da capital, também podem entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses (11 6224 5500). A UIPA (União Internacional Protetora dos Animais) recomenda ainda o canal da prefeitura (156), cujos agentes, com poderes para instaurar procedimentos administrativos, podem ser enviados para realizar vistorias.

Se o fato ocorrer em outra região do Estado ou do País, pode ser comunicado diretamente à Promotoria de Justiça local.

Fonte: Terra

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  1. Infelizmente o agressor escapará impune, mas consideremos que à parte das esdrúxulas leis brasileiras de proteção aos animais, este cara nunca mais terá paz e nem a mesma vida de antes, execrado pela sociedade, as pessoas que o conhecem e o mundo em que vive. O inferno para ele será aqui mesmo! Assim seja!

  2. Finalmente vejo aqui o venho falando faz um bom tempo. As materias aqui e no Olhar Animal sempre falam nessa possibilidade de prisão. E tal não existe. Não sei porque não falam a verdade, mas agora falaram. O que tem a ser feito é lutar para que a lei seja modificada. Tem de estar escrito que poderá pegar mais de 4 anos. Menos do que isso não funciona. O erro está em dizer que pegarão de 3 meses a um ano. Os protetores celebraram essa “conquista” nos anos 90.Devem ter acreditado que pegariam cadeia. Foram enganados. Porém, náo é verdade que sairá impune. Ele poderá pagar uma multa, ser condenado a determinados serviços, pagar uma sexta básica…por aí.

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