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A morte induzida de animais, sobretudo em casos de leishmaniose, é condenada por especialistas

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As cadelinhas Maya e Lolita receberam vacina para prevenir a leishmaniose
As cadelinhas Maya e Lolita receberam vacina para prevenir a leishmaniose

Quando animais e humanos compartilham da mesma doença, a cura nem sempre é encontrada para ambos os lados. O resultado são discussões acirradas sobre como proteger a vida humana e a real necessidade de sacrificar os queridos animais. Em outubro, foi morto o cachorro de uma enfermeira espanhola contaminada com ebola. A medida provocou protestos e mobilizações, com pessoas defendendo que o cão ficasse apenas de quarentena. A morte induzida também é adotada para os animais diagnosticados com leishmaniose no Brasil. Não existem medicações totalmente eficazes para os cães e o Estado nega o tratamento, apesar de Europa e Estados Unidos preferirem tratar os bichos.

Diferentemente da raiva, a leishmaniose não tem campanhas gratuitas de vacinação. O Ministério da Saúde não indica a vacinação animal como medida de controle, pois aguarda a conclusão de estudos sobre a vacina. Para o ministério, a medida mais segura para a saúde humana é o assassinato dos bichos.

O tratamento atual pode resultar no desaparecimento dos sintomas, mas os animais podem continuar como fontes de infecção para o mosquito-palha, que transmite a doença dos animais para os humanos. Ainda segundo o Ministério da Saúde, 4 mil novos casos de leishmaniose são registrados por ano no país.

Apesar do impasse, Ana Luísa Brito decidiu imunizar as duas cachorras dela. “Por via das dúvidas, eu preferi vacinar. Eu não quero passar por essa situação. Temos que ter responsabilidade e cuidar dos nossos animais”, afirma a dentista de 45 anos. A cadela Lolita tem 9 meses e começou a tomar a vacina este ano. Ela acompanhou Maya, que tem 3 anos e já toma a vacina pela segunda vez. Ana Luísa mora em Sobradinho, que é uma das regiões com mais casos de leishmaniose, segundo cartilha da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Outras áreas endêmicas de Brasília são Lago Norte, Lago Sul, Fercal e Grande Colorado. Áreas mais pobres, que tendem a apresentar maiores problemas de limpeza, ou com maior umidade e vegetação, apresentam mais chances de ter ocorrência do problema.

A patologista veterinária Denise Salgado ressalta que o processo de urbanização também estimula a incidência. “Com a abertura de matas para a criação de condomínios, nós invadimos o local dos mosquistos e entramos mais em contato com o transmissor”, explica. Ela diz que se impressiona com a quantidade de amostras que recebe para análise no laboratório. “Quase todos os dias, identifico pelo menos um caso de leishmaniose.” Ela acredita que a morte dos animais diagnosticados não resolve o problema. “Na Europa, todo mundo faz tratamento e já sabe que não adianta matar o animal.” Denise esclarece que os cães são mais visados pelo mosquito do que os humanos porque têm o sangue mais quente. Para o Companion Animal Parasite Council, organização que dá diretrizes para o controle de parasitas nos EUA, a prática de eliminar cachorros soropositivos não é considerada efetiva para reduzir os casos de infecção humana ou canina.

A sociedade vem se organizando para impedir a eutanásia de cães diagnosticados com leishmaniose. A veterinária Betânia Nogueira destaca outro problema na conduta. “Existe o risco de animais saudáveis passarem por eutanásia devido ao resultado falso positivo. Isso ocorre principalmente com a população de baixa renda, que não tem condições para fazer diferentes exames de confirmação”, lamenta. Betânia acredita que deveriam existir mais campanhas educativas sobre a questão.

A ONG Arca Brasil, de proteção aos animais, realiza uma campanha para reverter essas medidas. A organização considera que as medidas atuais focam em eliminar os cães em vez do mosquito vetor. “Essa política existe há mais de 50 anos e não tem trazido resultados no controle da doença. É hora de mudar essa atitude”, afirma o fundador da ONG, Marco Ciampi. Ele também alerta que obrigar a morte induzida estimula as pessoas a procurarem tratamentos na clandestinidade e muitas podem buscar soluções em diferentes cidades, espalhando ainda mais a doença.

Os principais sintomas para ter atenção nos animais são descamação e feridas na pele, fraqueza, falta de apetite, sangramentos e crescimento das unhas, devido ao animal se movimentar menos. No entanto, os animais podem ser assintomáticos ou apresentar poucas características. Nos humanos, a doença provoca sintomas como febre, fraqueza, emagrecimento, aumento do baço e do fígado, diarreia e sangramentos na boca e nos intestinos.

Fonte: Uai

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