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Abandono de animais gera polêmica entre ONGs e prefeitura de Rio Preto (SP)

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Gatos abandonados em rua de Rio Preto (Foto: Reprodução/ TV TEM)
Gatos abandonados em rua de Rio Preto (Foto: Reprodução/ TV TEM)

A situação de animais abandonados ou vítimas de maus-tratos em São José do Rio Preto (SP) e também na região está cada vez mais complicada, já que faltam políticas públicas para resolver o problema.

Em Rio Preto, o Centro de Zoonoses só recebe animais doentes e os outros casos são encaminhados aos protetores de animais, que pagam a conta de alimentação e veterinário. Por semana, eles chegam a atender dezenas de denúncias.

Como é o caso da protetora de animais Elisângela Santos, que recebe todos os dias várias denúncias de maus-tratos contra cães e gatos. Nos últimos meses, a situação tem se agravado porque ela e outras protetoras também são chamadas para acompanhar os casos de crueldade que chegam para a polícia. “Cada resgate é uma história, uma mais absurda do que a outra. Semana passada foram mais de 50 denúncias de filhotes abandonados em caixas, mais de 30 denúncias de maus-tratos, mais de 20 de abandono de animais nas casas”, afirma Elisângela.

Na casa onde vive com a família, Elisângela cuida de dezenas de cães e faz um trabalho que deveria existir por iniciativa do município. Ela conta que não tem mais onde colocar os bichos, mas não consegue fazer de conta que o problema não existe. “O que falta é um abrigo público, apoio da prefeitura, precisamos de um novo centro de zoonoses, não pelos funcionários, que fazem o que pode, mas de estrutura”, diz a protetora.

Na falta de um espaço público para os animais, as protetoras buscam parceiros, como clínicas veterinárias. “Muitos chegam machucados, atropelados, mas a maioria com medo, começa a tremer só porque uma pessoa chega perto dela”, afirma o veterinário Rafael Fabrega Rodrigues, voluntário.

Prevenir doenças que possam contaminar o ser humano, recolher animais abandonados, fazer exames e castrar são responsabilidades das prefeituras, mas a maioria delas ignora essas obrigações. Com isso, as protetoras ficam sobrecarregadas e tiram do próprio bolso, o dinheiro para alimentar e pagar veterinários.

Em Rio Preto existe um Centro de Controle de Zoonoses, mas o serviço é insuficiente para atender a demanda. Este seria o único órgão responsável para cuidar desses bichos e, por nota, a prefeitura informou que hoje existem dez animais na unidade e que 14 funcionários trabalham no local. A prefeitura disse também que um novo abrigo vai ser construído, mas não deu um prazo para o início das obras.

Com uma câmera escondida, o produtor do Tem Notícias foi até o CCZ. Quando ele pede orientação sobre filhotes abandonados, o funcionário vai logo orientando que ele procure as protetoras.

Produtor: Deixaram um cachorro em frente de casa e eu tenho cachorro, né? Deixaram quatro filhotes. Tem como trazer para cá?

Funcionário: É com a proteção dos animais, cara. Vai até a recepção lá e pega o telefone da proteção ali.

Produtor: Por quê? Não é aqui que tem que deixar?

Funcionário: Não.

Produtor: Eu achei que vocês pegavam para…

Funcionário: Ô, Vinícius, pega o telefone da proteção, fazendo um favor?

O mesmo funcionário diz que o Centro de Controle de Zoonoses realiza a castração, mas adianta: a lista de espera é grande.

Produtor: Tem que trazer aqui para castrar?

Funcionário: A gente só faz a castração. Você tem que fazer a inscrição lá na frente. Vai demorar de 30 a 90 dias para chamar.

Produtor: Mas tem custo isso?

Funcionário: Não. É gratuito, mas tem mais de dois mil animais na frente.

Produtor: Então demora bastante?

Funcionário: Demora.

O promotor Sérgio Clementino explica que o município pode recolher apenas animais doentes, mas isso não impede que a prefeitura faça convênios com as ONGs de proteção animal. “A responsabilidade pelo cuidado dos animais e do município. Ele pode desenvolver estrutura próprias ou fazer convênio com uma entidade, mas aí tem de passar recursos”, diz o promotor.

A assessoria da prefeitura disse que o Centro de Zoonoses faz castrações e que desde o início do ano realizou mais de 4 mil castrações. Em nota, disse ainda que a área para a construção do novo centro de zoonoses já foi reservada e foi aberta a licitação para os projetos hidráulico e elétrico.
A comissão de proteção dos animais formada por vereadores informou que fez uma vistoria no centro de zoonoses. A presidente da comissão, Celi Regina, disse que constatou que o prédio não tem a mínima condição de abrigar os animais de maneira adequada e que há poucos funcionários para atender a demanda. Um documento será encaminhado ao prefeito Valdomiro Lopes pedindo explicações e cobrando providências para o problema.

Fonte: G1

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  1. Tudo isso se resume a falta de interesse por parte dos prefeitos em realizar uma política séria de castração. Por que não fazem convênios com clínicas veterinárias já que não tem veterinários suficientes no CCZ para isso?? É pura falta de interesse mesmo!!

  2. Um jogo de empurra do poder público. Prefeituras tentando retirar o seu da reta e jogando para pessoas da comunidade. Muito fácil para políticos de cadeira e bolso.

  3. Por que a Prefeitura , começa a fazer castração, e educar a população ter responsabilidade com seus animais.Pois são seres vivos que precisam de cuidados. È muito triste ver estes Bichinhos jogados na rua..sem comida água. Neste calor que é ai em São José.

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