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Corujas e gambás retornam à natureza após recuperação e readaptação

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O gambás e sete filhotes foram soltos após um mês de cativeiro (Foto: Francielly Hirata)
O gambás e sete filhotes foram soltos após um mês de cativeiro (Foto: Francielly Hirata)

Eles foram feridos e maltratados, mas receberam ajuda de quem sabe a importância dos animais silvestres na natureza e na manhã de sexta-feira (10) retornaram saudáveis e com grande chance de readaptação ao seu habitat natural. O trabalho desenvolvido pelo Hospital Veterinário da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), campus Toledo, em parceria com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) resultou na soltura de mais três corujas, um gambá e sete filhotes.

Animais que nunca deveriam ter sido retirados de seus ambientes naturais, mas que na maioria das vezes, perdem no conflito com o homem, que invade e ocupa cada vez mais o seu espaço. Estes são apenas exemplos dos vários casos que chegam ao projeto. O médico veterinário e professor da PUCPR Helber Daniel Parchen explica que o hospital recebe vários animais de apreensão ou agredidos do IAP e realizam o tratamento visando à reintrodução na natureza. “Mas, na maioria dos casos não dá certo”, lamenta.

Ele explica que quando este objetivo não é atingido, mas o animal sobrevive, ele é encaminhado para zoológicos, criadores conservacionistas ou ainda instituições que possuem projeto de reprodução do animal para evitar a extinção.

Casos de sucesso

Mas, os animais que ganharam a liberdade desta vez são casos de sucesso. O professor conta que uma coruja estava há quatro meses em tratamento, pois chegou vítima de agressão e com uma asa quebrada. “Decidimos não intervir cirurgicamente e foi uma escolha que deu certo. Depois passou por processo de reabilitação porque quando o animal sai da natureza e fica em um cativeiro já sofre um estresse que pode ser até fatal. Em segundo, ela perde um pouco a habilidade de voo e finalmente a capacidade de caça, porque aqui há o fornecimento da alimentação”, detalha.

Três corujas voltaram à natureza com grandes chances de readaptação (Foto: Divulgação)
Três corujas voltaram à natureza com grandes chances de readaptação (Foto: Divulgação)

A outra coruja colidiu contra um vidro e também teve ferimentos. Já a coruja mais nova chegou ao hospital filhote, depois que os pais foram mortos e precisou ser mantida para aprender a sobreviver sozinha na natureza. O gambá foi ferido com um tiro na cabeça, que atingiu seu olho direito. “Foi feita cirurgia, mas perdeu o olho. Os sete filhotes chegaram muito pequenos, mas sem ferimentos”, indica.

Liberdade

O professor e biólogo Marcisnei Luiz Zimmermann reforça que o processo de reintrodução à natureza é delicado e depende da evolução do animal. “É um processo lento, que depois da questão da recuperação da saúde, é trabalhado de acordo com cada caso suas necessidades. Como a habilidade de caça, pois para sobreviverem na natureza precisam estar capazes. Usamos presas vivas nos treinamentos até se recuperarem. Na questão do voo, há também a reabilitação pela perda da massa muscular e capacidade”, detalha.

Ele afirma que depois de todos estes treinamentos, o animal passa por uma avaliação dos professores, que decidem se são capazes de sobreviver novamente em liberdade. “Neste caso todos estão saudáveis e com as habilidades necessárias”, comemora ao indicar que como foram soltos em uma área de reserva ambiental próximo a Concórdia do Oeste, porém com baixa densidade populacional destas espécies e onde já há um trabalho de pesquisa, eles serão acompanhados.

Boa interação

O profissional completa que todo animal tem sua importância na natureza e também na relação com o homem. Ele cita que as corujas, por exemplo, fazem o controle de roedores e os gambás de insetos, como a barata. “Ter esses animais perto significa que o local tem uma qualidade ambiental boa. São animais comuns na fauna urbana e necessários. Ele não oferecerem risco”, reforça.

Zimmermann salienta que na cadeia alimentar cada animal tem seu papel e à medida que o homem retira um elo desta cadeia, a desestrutura. “Quanto mais saudável estiver esta interação trófica, menos problemas teremos. Os animais só buscam alternativas de alimentação nas casas, por exemplo, quando há algo errado na natureza. Por isso conservar é sempre melhor do que agredir, matar ou maltratar”, finaliza.

Denúncias

A chefe do IAP de Toledo Maria Glória Genari Pozzobon e o responsável pela fauna do Instituto Elecio Vidal explicam que diversas denúncias de animais que sofreram maus tratos ou estão em risco chegam ao órgão, que faz a recaptura e encaminha ao hospital. “Já foram muitos animais resgatados, desde porco da índia, gambás, urubus, gaviões, felinos, uma infinidade. Infelizmente a maioria vem vítima. Mas, o bom é que se tem quem agride, tem quem socorre, pois o número de denúncias tem aumentado”, reforçam.

Fonte: Jornal do Oeste

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