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Ética Animal: assunto do momento

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Foto: Divulgação
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Um dos assuntos mais comentados desta semana foi, sem dúvida, o lamentável caso de violência cometido por adolescentes contra um cachorro, na pista de skate da cidade. Imagens foram gravadas por celular, circularam nas redes sociais e ganharam destaque nacional no programa Fantástico, da Rede Globo.

Tal episódio reabre o debate sobre o modo como os animais não humanos são tratados em nossa sociedade e, principalmente, sinaliza a importância da reeducação de jovens e adultos, quando o assunto é ética animal.

No estudo da ética animal, aprendemos que a maioria dos animais não humanos são dotados de “senciência”, ou seja, são capazes de sentir dor e prazer. Por isso, seus interesses devem ser respeitados, assim como suas vidas, sua liberdade, sua integridade física e psíquica.

O filósofo australiano Peter Singer, em seu livro “Libertação Animal”, sugere que nos pautemos pelo “princípio da igual consideração de interesses”. Assim, quando formos tomar uma decisão, devemos levar em consideração os interesses de todos aqueles por ela afetados, sejam eles animais humanos ou não humanos. Nas palavras de Singer: “um interesse é um interesse, seja lá de quem for esse interesse”.

Contudo, vivemos em uma cultura que institucionalizou a opressão dos animais e insiste em tratá-los como se fossem objetos passíveis de apropriação pelos humanos. Tal realidade encontra-se presente nas fazendas industriais, matadouros, laboratórios de experimentação animal, parques aquáticos, zoológicos, circos, carroças pela cidade e tantas outras formas de exploração animal.

No livro “Por que amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas”, a autora Malanie Joy questiona o fato de nos indignarmos ante os maus-tratos cometidos a alguns animais e, para a vasta maioria de seres sencientes (os porcos e as vacas, por exemplo), ficarmos indiferentes ao seu sofrimento. Uma das razões dessa “insensibilização” ou “banalização do mal” advém de nossa cultura considerada especista.

“Especismo”, palavra proposta pelo psicólogo britânico Richard D. Ryder em 1973, significa todo preconceito praticado por seres humanos contra os animais de outras espécies. O especismo seria equivalente ao racismo e ao sexismo (machismo).

Do ponto de vista ético, o combate ao especismo implica em revermos nossos hábitos e costumes, em prol de maior respeito e consideração moral aos animais não humanos de um modo geral.

Se quisermos uma sociedade mais justa e pacífica, certamente, precisamos pensar e criar empatia para além das fronteiras do humano. Eis um indicador para medirmos onde estamos, enquanto sociedade: “A grandeza de uma nação e seu progresso moral podem ser julgados pelo modo como seus animais são tratados” (Mahatma Gandhi, líder pacifista indiano).

*Rafael Speck de Souza – Especialista em direito constitucional e pesquisador em direito animal – rafaelspk@gmail.com

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  1. Certamente! Enquanto o ser humano não for capaz de pensar que dor não é prerrogativa dele, continuaremos a debater a intolerância em todos os seus níveis. É a arrogância daqueles que se julgam superiores. Quando entendermos o mundo e todas as suas diverssitudes, teremos um mundo melhor. Enquanto isso, temos um mundo, falho, humano, simplesmente.!

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