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Amazonas tem 25 cachorros doadores de sangue

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Aos 6 anos de idade, Giba, um cão da raça husky siberiano e o primeiro doador do Estado, já ajudou com o seu sangue a salvar dezenas de vidas caninas em Manaus. Foto: Eraldo Lopes
Aos 6 anos de idade, Giba, um cão da raça husky siberiano e o primeiro doador do Estado, já ajudou com o seu sangue a salvar dezenas de vidas caninas em Manaus. (Foto: Eraldo Lopes)

Para salvar a vida do casal de pit bulls Belinha e Marrento, agredidos a terçadadas na última semana, um fator foi primordial: a doação de sangue canino. O caso, ocorrido na zona oeste de Manaus, ganhou repercussão após imagens fortes da agressão serem compartilhadas em redes sociais.

Atualmente, na capital, existe apenas um banco de sangue veterinário, de acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), com apenas 25 cães cadastrados.

Uma das maiores demandas, de acordo com o conselheiro do CRMV Shirley Soares, é relativa à ‘erliquiose’, uma doença muito comum entre os cães, conhecida também como doença do carrapato. Conforme o veterinário, 80% das doações de sangue são direcionadas para atender essa doença.

Atropelamentos, casos de desidratação grave, hemorragia e desnutrição também são tratados, segundo Soares, por meio da hemoterapia.

Para a presidente da ONG de Proteção, Adoção e Tratamento Animal (Pata), a advogada da Comissão de Proteção aos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Joana Darc, apenas um banco não supre a necessidade. Outra problemática, apresentada pela ativista é o custo da bolsa de sangue veterinário, em média R$ 450.

“Já perdemos muitos animais, principalmente antes de criarem esse banco, porque trazemos os cães muito debilitados da rua e quase sempre precisamos da bolsa de sangue para ajudar no tratamento imediatamente. O problema é o valor, tanto da internação quanto das bolsas, sai muito caro”, disse.

Ela relata que, ao resgatar os cães, a ONG realiza uma campanha para conseguir doadores, mas como o banco de sangue é privado, o custo continua elevado.

É o caso do SRD Rocky Shogun, que foi resgatado quase morto em 2011. Após seis meses de tratamento com antibióticos e a hemoterapia, conseguiu se recuperar.

“Pegamos ele no Alvorada (bairro da zona centro-oeste de Manaus), nas costas estava todo comido por animais, aparecendo o osso, muito debilitado. Se não tivesse bolsa de sangue disponível, com certeza, ele não teria sobrevivido. Ele conseguiu se recuperar, ficou apenas uma cicatriz, foi adotado e está muito bem”, disse.

Segundo a ativista, a ONG faz dezenas de resgates que necessitam de tratamento, mensalmente. Para a advogada, a solução seria além de criarem outros bancos de sangue e, de preferência gratuitos, garantir o controle populacional dos cães e gatos, por meio da castração.

“Nós entendemos que a criação de um hospital público veterinário, por exemplo, não seria o ideal. Nem conseguimos resolver problemas pequenos, como o controle populacional dos animais, se tivesse um banco gratuito seria muito bom, mas um hospital acabaria abandonado sem recursos”, disse.

A criação do banco, segundo o veterinário, surgiu em decorrência da alta demanda e da falta de clínicas na capital que executassem o serviço.

“Antes, nós tínhamos pouco tempo para salvar o paciente, tínhamos que procurar cães saudáveis para fazer a transfusão, muitas vezes não conseguíamos e, por isso, o cão morria. Foi então que tive essa ideia”, disse.

Primeiro doador

Um dos primeiros doadores de Manaus foi o próprio cão do veterinário Shirley Soares. Aos 6 anos de idade, Giba, um cão da raça husky siberiano, já ajudou a salvar dezenas de vidas. Segundo Soares, seu cachorro já fez mais de 50 doações para o banco.

“Como ele é um animal que tem acompanhamento médico, come as melhores rações, é saudável, nunca ficou doente, ele é um dos nossos principais doadores”, afirmou.

Entre os requisitos para a doação, segundo ele, o animal precisa ser dócil e paciente, pesar acima de 23 quilos, estar vacinado e vermifugado.

No procedimento, o doador faz a transfusão direto do braço e demora, segundo o veterinário, cerca de 30 minutos.

Soares explica que não existe uma forma de mensurar o fator RH dos animais domésticos e todos os cães saudáveis podem realizar a tranfusão. Segundo ele, o que ocorre, geralmente quando sangue não é compatível, é uma pequena alergia. “Nesses casos, interrompemos a doação e o cão se recupera rapidamente”, explicou.

A doação completa chega a preencher uma bolsa de 450 mililitros (ml) que, segundo o veterinário, pode atender até dois animais de médio porte.

“O material pode ser armazenado por, no máximo, 35 dias, mas geralmente deixamos apenas uma semana para garantir o melhor sangue no tratamento canino”, diz.

Segundo o médico veterinário, os 25 doadores cadastrados inscritos estão em um programa de saúde. O acompanhamento é uma contrapartida aos doadores caninos que procuram o banco.

Inquérito será concluído esta semana

O inquérito policial que investiga o caso de agressão ao casal de pit bulls, no sábado, 14, na zona oeste de Manaus, será finalizado, de acordo com a Polícia Civil, nesta semana. A investigação é a primeira do Estado que utilizará a perícia civil, de acordo com a Comissão de Proteção de Animais da OAB.

Apontado como o autor das agressões, o servidor público suspeito Renan Agra Pereira, afirmou ter usado um terçado para se defender dos cachorros.

Segundo a advogada da Comissão de Proteção aos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Joana Darc, a perícia, neste caso, vai avaliar se houve excesso ou não. “O caso dos pit bull é o primeiro no Amazonas que se tem perícia. Isso, por causa da mídia, se não ficariam no esquecimento”, disse Darc.

Renan pode responder pelo crime de maus-tratos e ficar preso de 3 meses a 1 ano, segundo a advogada.

O acusado prestou esclarecimentos, na última quarta-feira, 26, segundo delegado Plantonista do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Eduardo Paixão, e assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por Crimes Ambientais (Art. 32). Após a conclusão dos procedimentos, segundo o delegado, o caso será encaminhado à Justiça Estadual.

Para a comissão, falta estrutura para atender esse tipo de crime no Amazonas. “O caso ocorreu no sábado, e no fim de semana a delegacia do meio ambiente não funciona, até porque ela não tem estrutura. São apenas dois servidores para atender crimes ambientais, contra animais silvestres e domésticos”.

Joana reclama da prioridade com que são atendidos os crimes contra animais domésticos. Para ela, a pena é muito branda. Conforme a advogada da comissão, os crimes são julgados na Vara Estadual do Meio Ambiente e Questões Agrárias.

“A pena é, muitas vezes, convertida em pagamentos de cesta básica e serviços comunitários”, disse.

A comissão alerta para que a população denuncie casos de maus-tratos aos animais. “É só procurar qualquer delegacia, eles são obrigados a registrar a ocorrência”, afirmou.

Requisitos

Ser dócil e paciente
Peso acima de 23kg
Vacinado
Vermifugado
Idade entre 1 e 8 anos
Não apresentar doenças

Fonte: D 24 AM

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  1. Isso é muito bom inclusive para que clínicas deixem de ter animais a vida inteiras em gaiolinhas para serem sangrados quando alguém estiver disposto a pagar por uma bolsa de sangue.

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