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Antes de morrer, tutor realiza seu último desejo de planejar o destino de sua gata

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(da Redação)

Foto: Care2
Foto: Care2

Se você fosse um doente terminal, os animais sob sua tutela seriam uma prioridade? Para um americano que esteve recentemente nesta situação, a sua gata foi. Seu último desejo ao morrer foi que a sua companheira de 13 anos de idade, chamada Nefertiti, conseguisse um lar definitivo. As informações são da Care2.

Já se sabe que muitos animais entram em luto por seus tutores quando estes falecem, e o fato é que eles não podem se refazer sozinhos dessa dor. A Care2 lança a questão: o que acontece com nossos amados e leais amigos quando partimos?

O último desejo

Conforme reportagem publicada na City Weekly, Nefertiti, uma gata malhada de pelos longos e cinzentos e impressionantes olhos verdes, roubou o coração de seu tutor desde quando ainda era uma filhote.

Em um período certamente difícil e frustrante de sua vida, o tutor de Nefertiti levou-a para a Humane Society de Utah. Ele acreditava que lá ela teria a chance de viver o resto de seus dias.

Carl Arky, diretora de comunicações da Humane Society, disse à City Weekly que a comovente história de Nefertiti não era única. Apesar de haver nos EUA procedimentos legais que tornam mais fáceis as decisões em momentos tristes (por exemplo, advogados especializados em fazer arranjos para os animais quando seus tutores partem desta vida), muitas vezes os recursos não são devidamente aproveitados. A maioria dos animais é deixada em abandono por dias após o falecimento do tutor.

Para Arky, a habilidade do tutor de Nefertiti em planejar o destino dela foi “mais do que excepcional”. O caso de Nefertiti, em particular, era especial por si só, por diversas razões. Sua idade a colocava em uma condição de gata praticamente idosa, e é difícil se conseguir adotantes para animais com idade mais avançada (mesmo que as pessoas saibam que adotar animais mais velhos seja algo espetacular e gratificante). Como Arky disse à City Weekly, “animais mais velhos são tão leais, tão agradecidos, e ficam tão felizes por saírem de um abrigo”, pois abrigos nunca foram feitos para tomar o lugar de um lar e de uma família.

Nefertiti também não tem as garras, e por isso ela precisa ser mantida estritamente em ambientes fechados. A retirada das garras dos gatos pode trazer – e geralmente traz – futuros problemas médicos e comportamentais para o gato; o processo torna os gatos propensos a artrite e a constante sofrimento. Eles também podem desenvolver maus hábitos, como não usar as caixas de areia, pois os grãos da areia provocam dor. Em um círculo vicioso, muitos gatos são devolvidos a abrigos, devido a questões com as caixas de areia. Gatos sem garras também ficam mais agressivos, pois são inseguros por não ter as suas principais linhas instintivas de defesa – suas garras – que lhes foram cruelmente arrancadas.

Pessoas e organizações em luta pelos animais que ficam

Conseguir lares definitivos a cães e gatos que perderam seus tutores é uma das áreas de luta daqueles que se dedicam a proteger animais. Organizações sem fins lucrativos especializadas nesses casos estão surgindo e se expandindo nos EUA. Segundo a reportagem, as redes sociais também estão cumprindo um papel no auxílio à obtenção de lares para esses animais.

De acordo com uma reportagem do Pittsburgh Post-Gazette, um planejamento financeiro de longo prazo é essencial. O consultor financeiro Sr. Fragasso e sua esposa contaram ao jornal o que eles farão: o seu plano é deixar 5 mil dólares para cada um dos animais que estão sob sua tutela, e um amigo, parente ou organização ficará incumbido de administrar os recursos para os animais, pois as leis consideram que eles são “propriedades”, e não “sujeitos”.

O advogado Douglas DeNardo, que atua na área de custódia da empresa Rothman Gordon, disse ao Pittsburgh Post-Gazette que alguns estados como a Pensilvânia, têm custódia para animais. Mas ele explica que há pontos negativos em se considerar isso pois animais sob custódia seriam “uma entidade que deveria pagar impostos” e que existe “um custo administrativo”.

Nos EUA, alguns tutores optam por um testamento escrito “a próprio punho”, onde colocam os seus últimos desejos para os seus animais. Na Pensilvânia, um desejo para um animal escrito, por exemplo, em uma caixa de cigarros, é válido e legal. Mas o ideal é que isso seja feito de maneira mais formal e com a ajuda de um profissional de confiança.

A reportagem finaliza comentando que vida e morte acontecem, mas animais de companhia são como a nossa família, e fazem parte dela. Eles merecem uma vida segura e plena após a passagem de seus tutores.

Enquanto os EUA encontram-se adiantados nesse processo – e a preocupação com o assunto, bem como o planejamento, já começam a se tornar relativamente comuns – no Brasil a mesma situação está longe de ser sequer incipiente. É um bom momento para que as autoridades comecem a pensar em algo nesse sentido, e que principalmente os tutores movimentem forças para isso e exijam novidades e possibilidades para esses casos.

 

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