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Esporte como forma de ativismo vegano

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Homem correndo.
Divulgação

Franz Hermann é atleta e ativista vegano, co-fundador da Equipe Multiesportiva Força Vegana, pai full time e “do lar”.

Segue a entrevista que o ex-açougueiro paulistano concedeu a ANDA.

ANDA: Qual ou quais as modalidades esportivas que pratica?

Hermann: Corrida de rua e montanha. Estou começando a pedalar pra fazer algumas provas de duathlon também.

ANDA: Apenas pelo esporte ou como competidor?

Hermann: Pelo esporte. Minha competição acaba sempre sendo comigo mesmo. Ir melhor do que fui antes. E também uso as provas que participo pra mostrar que o veganismo é possível. Tenho as minhas metas nas corridas, busco sempre elas sem me importar com posição em que vou chegar.

ANDA: Usa a prática esportiva como ativismo?

Hermann: Isso mesmo. E sempre em alguma prova ou treino vem alguém perguntar de onde tiro as proteínas e tal… Daí já aproveito o interesse e a curiosidade da pessoa pra falar sobre veganismo.
Por isso até que na grande maioria dos treinos que faço vou com camiseta da Força Vegana, chama a atenção. E 100% das provas são com a camiseta.

ANDA: Já que tocou no assunto das proteínas, como lida com essa questão das pessoas acreditarem que é inviável um atleta não se alimentar de proteína animal (carnes, ovos, leite)?

Hermann: Sempre conversando, mostrando as inúmeras opções de proteínas vegetais. Sempre falando que feijões tem tanta proteína quanto a carne e sempre, como até corro relativamente bem, acabo sendo o exemplo vivo, ali na cara das pessoas, de que não é necessário proteína animal.
E ainda agora dou o exemplo da minha filha – Olga – de um ano e meio, vegana desde sempre e muito saudável. São dois exemplos que acabam com qualquer argumento contrário (minha filha e eu).
E claro, a minha esposa – Ana Laura – que também é vegana e que teve uma gestação tranquila e amamenta nossa filha.

ANDA: Como você tomou contato com a dieta vegetariana, com o veganismo, como foi seu processo?

Hermann: Eu já tinha alguma informação sobre veganismo devido ao tipo de som que escuto onde boa parte das bandas cantam sobre o assunto, mas nunca tinha tomado uma atitude. Até que um dia no trabalho (eu era açougueiro) chegou um porco morto cortado ao meio. Fui desossá-lo e quando cortamos a cabeça dele toda aquela informação que eu já tinha, mas não ligava veio como um soco na cara e eu larguei a faca no chão e fui embora alegando estar passando mal. Isso foi em agosto de 1999, em outubro sai do açougue e nunca mais comi carne e em dezembro de 1999 me tornei vegano.

ANDA: Já praticava esporte nessa época? Houve aquela mudança física que todo mundo fala, do antes e depois da mudança na dieta, sobre o condicionamento físico?

Hermann: Eu nadava e andava de bmx [um modelo de bicicleta] e não senti diferença alguma. Depois parei com os dois e fui pra musculação e obtive bons resultados também.
Eu até fiquei mais resistente na natação. Sentia bem menos cansaço.

ANDA: Sobre a Força vegana, o que ela é e como foi criada?

Hermann: É um grupo de esportistas, independente da modalidade, que querem divulgar o veganismo através do esporte. Não é um grupo de alto rendimento nem nada do tipo… Todos que quiserem são da FV. Começou quando eu vi o Daniel Meyer colocando o nome Força Vegana em algumas provas que ele fazia. Perguntei pra ele se poderia usar o nome também e comecei a usar. Pouco depois conheci o Rafa Alves e nós três começamos a usar o nome Força Vegana, confeccionamos algumas camisetas e daí pra frente a equipe foi crescendo mais e mais. Começou com a gente nas corridas, mas hoje tem gente de tudo que é esporte e espalhado pelo Brasil e pelo mundo.

ANDA: A ideia é congregar atletas profissionais e amadores que sejam veganos numa troca de experiências?

Hermann: Troca de experiência é sempre bom, ajuda todos. Mas o foco principal é sempre divulgar o veganismo, mostrar que é possível. E agora tem também as ações da Força Vegana solidária onde as pessoas fazem doações para algumas ONGs e em troca recebem uma camiseta, caneca… Já teve também campanha de “venda de kms” onde a gente percorre uma distancia X e as pessoas fazem as doações como se estivessem comprando esses kms. E sempre as doações vão pra alguma ONG.

ANDA: Quanto à alimentação tem alguma preocupação, alguma coisa que cuida mais? Toma algum suplemento?

Hermann: Costumo comer o simples, bastante variedade de legumes, verduras, frutas… Só foco um pouco mais nas proteínas pós treino pra ajudar na recuperação muscular. Mas nada de muito absurdo.
Tomo suplemento sim, quando faço treinos mais longos e mais fortes. Mas não todo dia de treino não, prefiro a alimentação de verdade. E suplemento a B12.

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