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A limitação das campanhas de conscientização "Seja vegetariano"

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Têm-se multiplicado pelo Brasil, em especial nas capitais e regiões metropolitanas, as campanhas, incluindo por outdoors, em favor do vegetarianismo. É inegavelmente um avanço na militância pela alimentação e consumo éticos e contra a exploração animal, considerando-se que, até pouco tempo atrás, iniciativas com esse tema que passem mensagens às massas eram muito raras. Mas há uma limitação em se recomendar apenas o vegetarianismo, enquanto simples não consumo de carnes, ao invés do veganismo, e ela precisa ser superada o quanto antes.

Abundam na internet informações sobre por que o vegetarianismo, em sua definição clássica de não comer animais mortos, não é o suficiente para se ter uma alimentação ética. A dieta ovolactovegetariana não abole, e sim apenas diminui um pouco, o número de mortes que a alimentação do indivíduo implica.

Isso porque a pecuária produtora de leite e ovos também mata animais e, mais ainda, promove uma exploração ainda mais forte e constante do que a própria produção de carnes. Enquanto a exploração de animais ditos “de corte” tem foco no confinamento (mesmo em fazendas de criação extensiva, invariavelmente limitadas por cercados que impedem a liberdade dos animais) e no abate, a de leite e ovos implica também o sequestro dos filhotes da fêmea, para desespero de ambos, no caso das mamíferas; o “trabalho” forçado de ser ordenhada ou pôr ovos e a matança de filhotes machos, sejam nascidos do ovo ou do ventre.

Além disso, o mel e os demais derivados de abelhas também implicam exploração animal, incluindo-se a constante perturbação à ordem da colmeia pelo apicultor que extrai dali as secreções. Isso sem falar no consumo de produtos não alimentícios de origem animal, que implicam a mesma exploração que origina as carnes, leites, ovos e derivados de insetos – o couro, a glicerina comum, o tutano, o sebo etc. são extraídos dos mesmos animais que são abatidos para virar fatias de carne, e a extração de lã também é uma forma de manter animais sob escravidão, sob propriedade de pecuaristas.

Fica claro que vegetarianismo não é o bastante, mas infelizmente ainda se vê por aí campanhas de foco no problema ético do consumo especificamente de carne. E somam-se a isso outros três problemas inerentes a recomendar o abandono apenas do consumo de animais mortos.

O primeiro é a manutenção das palavras “veganismo” e “vegan(a)(o)” no limbo do desconhecimento ante a maioria das pessoas. Quando se escreve no outdoor “Seja vegetariano!”, as pessoas onívoras que veem a mensagem verbal e gráfica tendem a, no máximo, cogitar a adesão ao vegetarianismo não vegano, desconhecendo que a alimentação ovolactovegetariana também implica, tal como a onívora, exploração e morte de animais.

Se estivesse escrito, ao invés, “Seja vegano!”, haveria uma chance muito maior de as pessoas se perguntarem o que é veganismo e o que é ser vegano  e descobrirem que há uma necessidade de se abandonar não apenas as carnes, mas sim todo aquele produto boicotável, alimentício ou não, que leve componentes de origem animal e/ou seja fabricado por empresas que testam em animais. Ao invés de a pessoa passar por duas transições – de onívoro a vegetariano e de vegetariano a vegano – e passar pelo dobro de desafios em abandonar o consumo de alimentos de origem animal, passaria por uma única transição, um único desafio.

Outro problema é que muitos recém-vegetarianos, por motivos de estilo de vida, acabam mudando das carnes para os laticínios e/ou ovos como alimentos centrais de sua dieta. Sem a devida conscientização sobre os derivados não cárneos, existe uma tendência de as pessoas inconscientemente virarem consumidoras assíduas dessses alimentos, com a ilusão de que “não causam sofrimento e morte como a carne causa”. Descobrir o veganismo e reconhecer a necessidade de aderir a ele pode se tornar ainda mais difícil do que o abandono das carnes, caso a pessoa passe um tempo longo o suficiente sem saber por que consumir laticínios, ovos e mel também é antiético e tem implicações severas para os animais.

E o outro efeito colateral é a associação do vegetarianismo à simples abstenção de carne vermelha oriunda de fazendas que não adotaram políticas bem-estaristas. Grande parte dos outdoors e panfletos com temática vegetariana mostram apenas mamíferos trucidados em matadouros, havendo menos foco nas aves, nos peixes e nos animais invertebrados “comestíveis”. Isso acaba gerando o sério risco de transmitir a mais pessoas a falsa crença de que, para ser vegetariano, basta abandonar as carnes vermelhas, sendo livre o consumo de animais de carne branca.

É necessário, portanto, que a militância pela alimentação ética passe da fase de recomendar apenas o vegetarianismo e dê um passo à frente, passando a enfatizar a necessidade de as pessoas adotarem o veganismo e assim darem um passo largo de uma só vez, ao invés de terem que passar por duas transições e manterem, ainda que temporariamente, um hábito alimentar ainda sustentado na escravidão e morte de animais. Isso ajudará tanto os animais a pararem de continuar nascendo para uma vida de miséria quanto os termos “veganismo” e “vegan”, assim como a própria causa abolicionista, se tornarem mais e mais conhecidos.

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  1. Caro Robson, certíssima suas colocações. Quem dá o grande passo de abolir animais de seus pratos pode, perfeitamente, abraçar a totalidade do nobre gesto.

    Confesso que, por minha experiência própria, sei que muitos “recomendam” inicializar a mudança pelo vegetarianismo e, “acostumado”, rumar à 2a etapa, o veganismo. É essa condução que deve ser trabalhada porque não faz sentido tal linha de pensamento.

    Hoje eu tenho ciência que essa “escada” (vegetarianismo depois veganismo) é absolutamente desnecessária frente ao que os animais de granja e produção leite passam diariamente e como é fácil fazer substituições de leite e derivados e mel por produtos veganos.

    Abração!

  2. A forma como militantes vegans tratam as coisas, mais atrapalha do que ajuda. Primeiro, se acham superiores a toda a Humanidade porque são vegans; isso já mostra uma arrogância sem limites, o que só ajuda a afastar as pessoas bem intencionadas.

    Vivemos numa sociedade (no caso, a brasileira) onde o consumo de carne é algo muito difundido e poplarizado. Quer mudar a situação, tem que ser aos poucos mesmo. Não é querendo cortar tudo de origem animal de alguém que vão salvar o mundo.

    Considero uma desonstidade intelectual desses vegans omitir o fato de que nem todos os ovos adquiridos são oriundos de exploração animal, já que no interior do país, ainda é um forte o hábito criar galinhas botadeiras em casa. Você pode muito bem criar galinhas que apenas botem ovos, onde elas são criadas livres e como animais de estimação.

    Eu posso parar de comer carne e não contribuir para que nenhum animal mais morra, mas eu JAMAIS vou aderir ao veganismo. Minha espécie é onívora e evoluiu assim. Nunca vi um estudo sério dizer que é possível viver abrindo mão de toda proteína animal na alimentação, principalmente sendo homem.

    Outra coisa chata nos vegans é serem contra até mesmo ao desenvolvimento da carne artitificial, o que representaria o fim das mortes de animais, mas mantendo o hábito de comermos carnes. Eu gosto de carne e gostaria de manter esse hábito por toda a vida, mas já não consigo mais comer sem culpa sabendo como as coisas funcionam. Não tenho “nojinho” como vejo em muitas falas vegans. Meia dúzia de pessoas se dizem vegans, odeiam comer crne, tem nojo e querem que todos se tornem assim do dia para a noite. O mundo não é feito de utopias.

    Ser vegan não é para qualquer um. Existem muitos produtos vegans legais, mas que nem sempre são baratos ou disponíveis em cidades pequenas. Como famílias humildades e grandes irão fazer? Por acaso essa gente é antiética por comer carne, ovos e leite? Tem hora que falta bom senso e seno de realidade na fala dos militantes vegans.

    Comparar pessoas que comem carne com pessoas que se divertem matando animais é outra canalhice. Além de não ajudar, só atrapalha, pois todo idiota que é preso maltratando animais se defende, dizendo que não ta fazendo nada de mais e que só pode ser criticado por quem não come carne. Isso justifica então que matar um animal sem sofrimento e torturar antes de matar como a mesmíssima coisa.

    Se ao invés dos militantes vegans ficarem criticando quem come carne e querer impor o veganismo como a obrigatoriedade da “segunda sem carne” em todas as escolas públicas do país, ganhariam muito mais pela causa animal pedindo a doção de métodos mais humanitários de abate nas granjas, pois já existem técnicas modernas de morte praticamente indolores. Não é com mimimi que vão parar a morte de milhões de porcos, bois, galinhas e outros animais, mas se lutassem por métodos menos dolorosos já seria uma grande vitória para todos, assegurando o bem estar mínimo dessas criaturas.

    1. “A forma como militantes vegans tratam as coisas, mais atrapalha do que ajuda. Primeiro, se acham superiores a toda a Humanidade porque são vegans; isso já mostra uma arrogância sem limites, o que só ajuda a afastar as pessoas bem intencionadas.”

      Sem generalizações, por favor, ok?

      “Vivemos numa sociedade (no caso, a brasileira) onde o consumo de carne é algo muito difundido e poplarizado. Quer mudar a situação, tem que ser aos poucos mesmo. Não é querendo cortar tudo de origem animal de alguém que vão salvar o mundo.”

      Ou seja, você é contra veganos conscientizarem não veganos de modo que estes abandonem o consumo de produtos de origem animal, é isso?

      “Considero uma desonstidade intelectual desses vegans omitir o fato de que nem todos os ovos adquiridos são oriundos de exploração animal, já que no interior do país, ainda é um forte o hábito criar galinhas botadeiras em casa. Você pode muito bem criar galinhas que apenas botem ovos, onde elas são criadas livres e como animais de estimação.”

      Criar um animal pra que ele sirva a interesses do ser humano não é uma exploração? E você tacha de “intelectualmente desonestos” aqueles de quem você apenas discorda e não refutou?

      “Eu posso parar de comer carne e não contribuir para que nenhum animal mais morra, mas eu JAMAIS vou aderir ao veganismo. Minha espécie é onívora e evoluiu assim. Nunca vi um estudo sério dizer que é possível viver abrindo mão de toda proteína animal na alimentação, principalmente sendo homem.”

      1. Falácia genética com apelo à tradição. A espécie humana evoluiu caçando animais, e isso faz de você um caçador que caça pra comer?
      2. Nunca viu porque nunca procurou. Já experimentou ver o que a Academy of Nutrition and Dietetics (EUA) e o CRN-3 (Brasil) têm a dizer sobre dietas vegetarianas e veganas?

      “Outra coisa chata nos vegans é serem contra até mesmo ao desenvolvimento da carne artitificial, o que representaria o fim das mortes de animais, mas mantendo o hábito de comermos carnes. Eu gosto de carne e gostaria de manter esse hábito por toda a vida, mas já não consigo mais comer sem culpa sabendo como as coisas funcionam. Não tenho “nojinho” como vejo em muitas falas vegans. Meia dúzia de pessoas se dizem vegans, odeiam comer crne, tem nojo e querem que todos se tornem assim do dia para a noite. O mundo não é feito de utopias.”

      Você prefere que o mundo seja feito de conservadores como você, que não querem melhorar o mundo e se acomodam com aquilo que o mundo é hoje, é isso?

      “Ser vegan não é para qualquer um. Existem muitos produtos vegans legais, mas que nem sempre são baratos ou disponíveis em cidades pequenas. Como famílias humildades e grandes irão fazer? Por acaso essa gente é antiética por comer carne, ovos e leite? Tem hora que falta bom senso e seno de realidade na fala dos militantes vegans.”

      Você realmente acredita que só se pode ser vegano comendo hambúrguer de soja de supermercado, Mandiokejo e produtos caros da Tofutti? E que é impossível um vegano se alimentar basicamente daquilo que onívoros já consomem (frutas, verduras, legumes, grãos e cereais, castanhas, sementes etc.) tirando produtos de origem animal?

      “Comparar pessoas que comem carne com pessoas que se divertem matando animais é outra canalhice. Além de não ajudar, só atrapalha, pois todo idiota que é preso maltratando animais se defende, dizendo que não ta fazendo nada de mais e que só pode ser criticado por quem não come carne. Isso justifica então que matar um animal sem sofrimento e torturar antes de matar como a mesmíssima coisa.”

      Afinal, a produção de carne (e de outros alimentos de origem animal) não é uma forma tão desnecessária e injusta de se matar animais, é isso?

      “Se ao invés dos militantes vegans ficarem criticando quem come carne e querer impor o veganismo como a obrigatoriedade da “segunda sem carne” em todas as escolas públicas do país, ganhariam muito mais pela causa animal pedindo a doção de métodos mais humanitários de abate nas granjas, pois já existem técnicas modernas de morte praticamente indolores.”

      Você realmente quer impor que veganos lutem pela perpetuação da exploração animal e apoiem certas formas de assassinar animais, manolo?

      “Não é com mimimi que vão parar a morte de milhões de porcos, bois, galinhas e outros animais, mas se lutassem por métodos menos dolorosos já seria uma grande vitória para todos, assegurando o bem estar mínimo dessas criaturas.”

      Ou seja, você quer que os veganos lutem por aquilo que você quer, e o que você quer é que os animais continuem sendo explorados por um sistema que se fantasia de bonzinho, é isso?

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