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México luta contra exploração de animais em circos em todo país

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Por Lígia Cunha (da Redação)

Foto: Hugo Cruz/Proceso
Foto: Hugo Cruz/Proceso

A Assembleia Legislativa do Distrito Federal do México (ALDF) está prestes a votar uma proposta para proibir a exploração de animais como forma de entretenimento em circos. A iniciativa tem grande chance de ser aprovada. As informações são do Proceso.

Os membros da Associação Mexicana de Empresários de Circo não concordaram, argumentando que a exploração de animais em circo é uma prática milenar e faz parte da tradição do México, mas as organizações em defesa dos animais não pensam assim.

A AnimaNaturalis, que é uma das maiores associações de proteção animal, presente em oito países, encabeça esta iniciativa e argumenta que “os animais circenses sofrem em pequenos espaços, em viagens exaustivas e com a temperatura ambiente”, e completa “passam longos períodos acorrentados ou enjaulados, sem liberdade para se movimentar e criam comportamentos anormais que mostram seu sofrimento como resultado do empobrecimento de seu meio ambiente e das condições nas quais vivem”.

Segundo dados da organização, os cavalos e pôneis de circos passam cerca de 96% de suas vidas amarrados em cordas presas aos caminhões. Os tigres e leões permanecem entre 75% e 99% do tempo em jaulas superlotadas de 3x2m², enquanto os elefantes são acorrentados entre 58% à 99% do tempo, em condições completamente contrárias a como deveriam viver em seu habitat natural.

Leões necessitam viver em bando em um território que tenha entre 20 a 400 km²; os elefantes viajam 20 km diariamente e precisam conviver com outros animais de sua espécie, pois seu caráter é predominantemente social. Os cavalos, zebras e pôneis precisam correr por vários quilômetros ao ar livre para se desenvolverem sadiamente.

O sofrimento a qual os animais nos circos são submetidos está estreitamente relacionado com a violência humana, aponta Antonio Franyuti Vidal, diretor da AnimaNaturalis do México: “A violência começa pela diferenciação do outro – abuso do obeso e do homossexual porque não sou eu, então abuso igualmente dos animais. Queremos educar para que não haja essa separação, o outro tem direitos e eu tenho a obrigação de defendê-los. Se educássemos a sociedade desta maneira, a violência acabaria”.

Hipopótamo é explorado em "espetáculo" do Circo do Chaves, em Guadalajara, no México. (Foto: Reinaldo Marques/Terra)
Hipopótamo é explorado em “espetáculo” do Circo do Chaves, em Guadalajara, no México. (Foto: Reinaldo Marques/Terra)

Um dos problemas dos circos com animais é que o espectador não observa o sofrimento por trás do palco. As crianças, principal público destes espetáculos, começam a ficar indiferentes frente a dor dos outros seres. Por consequência, nas escolas a humilhação dos mais frágeis não será mal vista, adverte Franyuti: “Precisamos de uma sociedade que tenha empatia e erga sua voz quando alguém estiver sofrendo, seja um animal, uma mulher ou um idoso”.

A relação entre o maltrato animal e a violência entre seres humanos está documentada e demonstrada em análises científicas. O vice-presidente da Humane Society of the United States, Randall Lockwood, adverte: “nem todo indivíduo que tenha maltratado um animal será um assassino em série, mas quase todos os assassinos em série cometeram atos de crueldade contra animais”.

No Manual de Transtornos elaborado pela Associação Americana de Psicologia está incluso o transtorno de conduta caracterizado pela crueldade contra animais e humanos. A violência contra os animais poderia ter um valor profético para quem comete crimes contra pessoas. A agência de proteção infantil de Nova Jersey concluiu que 88% das famílias onde aconteceram maus-tratos a menores de idade também apresentaram agressões a animais.

Albert DeSalvo,“O Estrangulador de Boston”, que assassinou treze mulheres entre 1962 e 1963, começou prendendo cães e gatos em jaulas para depois acerta-lhes com flechas através das grades.

Não é apenas por assistir a uma apresentação de circo com animais que uma pessoa está fadada a ser um assassino, mas o certo é que esta prática contribui para perpetuar uma sociedade indiferente à dor e ao sofrimento iminente ao outro.

O doutor Melvil E. Levine, professor de pediatria na Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, aponta que quando as crianças observam a animais machucados, coisificados, humilhados e privados de seu comportamento natural para uma simples diversão das outras pessoas, suas mentes facilmente impressionáveis podem ser induzidas e desenvolver valores sociais aberrantes.

Zapopan, em Jalisco, foi o primeiro município mexicano a proibir o uso de animais em circos. Outras cidades como Teocelo e Tuxpan tem tomado a mesma medida. Os espetáculos já estão proibidos em países como Perú, Bolívia, Colômbia, Nicarágua, Suécia, Costa Rica, Índia, Finlândia, Inglaterra, Israel, Canadá, Bélgica e Cingapura.

A AnimaNaturalis observa que esta proibição passaria “uma mensagem à sociedade de que o governo busca erradicar o maltrato desde suas raízes, o qual causará um efeito positivo em toda a população devido que quanto mais se observa a violência em qualquer âmbito, é mais provável que alguém a repita com os seres humanos”.

A Comissão de Preservação do Meio Ambiente e Proteção Ecológica da ALDF sugeriu votar esta iniciativa antes do final de novembro, para posteriormente ser discutida em dezembro, junto com a proibição das corridas de touros. De acordo com Franyuti, a proposta conta com o aval de todos os integrantes da Comissão do Meio Ambiente, com exceção do presidente do Partido Verde Ecologista do México, que está detendo a discussão.

Essa não é a primeira vez que se discute a proibição da exploração de animais nos circos no Distrito Federal. Em novembro de 2008 foi apresentada uma iniciativa similar que não prosperou porque os legisladores do PAN (Partido da Ação Nacional) estavam vinculados com as empresas circenses.

Algo similar aconteceu com a iniciativa de proibir as corridas de touros que foi arquivada por não contar com o consenso das diferentes forças políticas.

Antonio Franyuti Vidal antecipa que desta vez será diferente, pois alguns proprietários e a alta direção dos circos disseram que não tem mais a intenção de usar animais em seus espetáculos.

Na Cidade do México há 183 circos com permissão para se apresentarem com animais adestrados, sem contar os muitos que o fazem sem autorização correspondente.

Atualmente existem numerosos circos que tem sucesso mundial e que não utilizam animais como o Cirque Du Soleil, Slaya’s Show e A Muse. O mesmo ocorre no México com: Circus, Danza, Teatro & Performance em Monterrey. Espacio Abierto e o Dragones Rales Fire Show, no Distrito Federal, assim como Geyser Grupo Acrobático, em Zapopan.

Pelo bem do país, é necessário que a ALDF aprove a proibição do uso de animais nos circos; será uma base sólida para fazer o mesmo com as corridas de touros e a utilização de animais em muito mais espetáculos onde são submetidos a sofrimento constante.

É tempo da sociedade apoiar a todas as iniciativas para banir a rotina sangrenta a qual os animais são submetidos e mais ainda, em tempos em que o poder e os principais meios massivos de comunicação decidiram encerrar uma guerra que evidentemente está muito longe de ser concluída.

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