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Veterinário busca criação de centro de adaptação de animais silvestres

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Filhotes de lobo-guará ficarão entre 8 meses a um ano na clínica em Araraquara (Foto: Fabio Rodrigues/G1)
Filhotes de lobo-guará ficarão entre 8 meses a um ano na clínica em Araraquara (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Após passar noites acordado para alimentar dois filhotes de lobo-guará, um veterinário de Araraquara (SP) procura apoio com o objetivo de criar um abrigo para os animais. Pensando nisso, ele desenvolveu o projeto de um centro de triagem onde os bichos possam se reproduzir ou permanecer no local durante um tempo de readaptação e depois serem devolvidos à natureza.

A cidade ainda não possui um espaço destinado a essa função. Quando os animais são encontrados debilitados, a Polícia Ambiental os leva para Júlio Furtado, que há mais de 25 anos realiza um trabalho voluntário com animais silvestres no município.

Furtado, que estuda o lobo-guará há 30 anos, contou que teve uma grata surpresa quando recebeu no dia 22 de setembro um filhote macho recém-nascido que havia sido encontrado na cidade de Santa Lúcia (SP). Magro e doente, o animal recebeu o nome de Pi, que significa “pequeno”em tupi guarani.

Um dia depois, a polícia encontrou na região de Nova Pauliceia, distrito de Gavião Peixoto (SP), outro filhote ao lado da mãe que havia sido atropelada na rodovia. O animal fêmea recebeu o nome de Anga (alma em tupi) e também foi entregue ao veterinário.

Filhotes foram encontrados pela polícia em setembro na região de Araraquara (Foto: Fabio Rodrigues/G1)
Filhotes foram encontrados pela polícia em setembro na região de Araraquara (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

“Foi complicado porque a cada duas horas tinha que amamentar. Com a chegada do segundo filhote, minha mulher e eu nos revezávamos para dar mamadeira de hora em hora para eles. Se não fosse a ajuda dela, tudo seria ainda mais difícil porque eles mamaram por quase um mês”, contou.

Projeto

O veterinário vai buscar apoio do poder público para tentar viabilizar um centro de triagem na cidade. A ideia é convidar ONGs, empresas e universidades que tenham interesse no projeto. “As empresas não terão custo porque o valor será abatido na dedução do imposto de renda. A parceria vai gerar benefícios para a cidade em termos de preservação ambiental e de conservação dessa espécie”, disse.

A ideia é criar uma área de um mil a cinco mil metros quadrados para acomodar os lobos. Com esse espaço, eles poderão se exercitar, além de encontrar uma vegetação similar presente no habitat deles.

A princípio o centro abrigaria os canídeos selvagens (lobos, raposas e cachorros do mato) e pequenos felinos. Aves silvestres também poderiam ser tratadas no local caso o projeto se concretize e alcance uma maior dimensão.

Os animais resgatados atualmente na cidade e na região são levados para locais especializados que possam recebê-los. Segundo o veterinário, o Parque Ecológico de São Carlos (SP) já tem lobo-guará e não é possível misturar uma família com a outra.

Rotina

Os filhotes de lobo ocupam um espaço anexo à clínica do veterinário. Ativos, eles são alimentados com ração e frutas como manga, mamão, melão, abacaxi e goiaba.

Veterinário com os filhotes Pi e Anda que estão na clínica em Araraquara (Foto: Fabio Rodrigues/G1)
Veterinário com os filhotes Pi e Anda que estão na clínica em Araraquara (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Furtado explicou que o lobo-guará é onívoro e prefere fruta a carne. Os animais não comem presa de grande porte e que por isso não oferecem perigo a um criador de gado, por exemplo. Eles também não atacam galinheiro. “Se tiver um cachorro no sítio, ele não se aproxima, não quer encrenca”.

Os lobos têm hábitos noturnos e chegam a caminhar cerca de 30 quilômetros em uma noite para procurar alimento. Tímidos e solitários, eles não andam em matilha. “Quando se encontram pegadas de mais de um lobo é porque estão com os pais. Na natureza, a mãe é a caçadora, quem vai atrás dos alimentos. Os filhotes passam a andar com o pai”, explicou o veterinário.

Ameaça de extinção

Apesar de o lobo ser uma espécie ameaçada de extinção, os animais são encontrados com certa frequência na região de Araraquara, disse o tenente da Polícia Ambiental Leandro José Oliveira. “A região é muito rica em fauna. Os filhotes passarão por tratamento para possivelmente serem reintroduzidos à natureza. Caso não seja possível a adaptação ao meio silvestre, vamos procurar um centro onde eles possam ser acomodados”, afirmou.

Os filhotes deverão ficar com o veterinário de oito meses a um ano, até completarem 80% do porte adulto. Durante esse período será feito um trabalho de zoometria, que é medir o animal. A ideia é ter parâmetros para que futuramente estudantes e pesquisadores possam estudar o crescimento desses animais.

Embora sejam animais quase que exclusivamente da fauna brasileira, cerca de 90% dos lobos-guarás que existem no mundo estão no Brasil, eles são pouco estudados aqui ainda. A minha ideia é que eles tenham um recinto adequado para crescer, viver e se reproduzir. Eles têm uma carga genética extremamente rica”, disse o veterinário.

Fonte: G1

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