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A vingança não é justa nem ética!

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Todos os dias lemos notícias sobre humanos tratando animais com crueldade, abandonando-os, negligenciando cuidados devidos a eles, torturando-os, explorando-os, abusando de sua vulnerabilidade física, devastando o ambiente natural no qual os animais precisam viver, matando-os para churrascos, em diversões e todo tipo de violência que se pode imaginar. Todos os dias lemos sobre isso e nos deparamos com as imagens horrendas desse holocausto sem fim.

Também lemos todos os dias comentários de internautas clamando por vingança. Praguejando contra os humanos cruéis e violentos. Desejando o mesmo para eles. Esses textos mostram uma terrível identificação das pessoas com o sujeito violento, não no sentido em que elas o abominam por fazer o que faz, mas no de se colocarem, com seu ódio e ferocidade, exatamente no lugar emocional e moral do outro que dilacera o corpo dos animais indefesos.

Se promulgamos os princípios da ética abolicionista vegana, queremos que as práticas institucionalizadas da maldade contra os animais, contra todos os animais sejam finalmente extintas da face da terra. Mesmo sabendo que isso não acontecerá por mágica, nem por magia, é isso que almejamos. Que um dia nenhum ser senciente sofra qualquer intervenção em seu corpo com o propósito de feri-lo para dar satisfação a qualquer outro humano.

Desejar ver uma pessoa violenta sendo violentada é desejar que no corpo dela sejam feitas feridas para que ela sinta a dor e sofra tanto ou mais do que sua vítima sofre ou sofreu com seu abuso ou agressão. Se pensamos e sentimos assim, nos identificamos com os violentadores. Repetir sua façanha não nos liberta da cadeia da maldade, pelo contrário, nos enreda na malha do gozo unilateral com a dor do outro.

Custa ensinar às pessoas que causar dor e sofrimento a um animal, não importa a espécie, é um ato abominável para o animal que sofre a interferência humana, e para o humano que se reproduz como ser violento? Custa muito trabalho pedagógico.

Muitos estão nesse momento sofrendo todo tipo de abuso físico no lar, proveniente da mãe ou do pai, ou de um deles com a cumplicidade do outro. Não é desejando que esse pai e essa mãe sofram o mesmo tipo de abuso que vamos corrigir a mentalidade concebida na forma hierárquica especista elitista. A saída ética é mostrarmos aos humanos vítimas da violência que essa existirá enquanto eles compartilharem o sentimento da raiva, do ódio e da vingança com aqueles que as torturam. Dá revolta ler notícias de violência contra os animais? Dá. Como lidar com isso? Fazendo algo para defender os animais, sem acrescentar ainda mais violência à cena. Essa é a virada que todos somos chamados a fazer para eliminar da nossa cultura a violência somatofóbica que a domina.

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  1. Sônia, compartilho com seus princípios de não-violência. A energia vingativa pode prejudicar não só a pessoa a quem é dirigida, mas principalmente a quem a emanou. E essas formas- pensamento poluem o ar..

  2. Bela questão levantada.
    No desespero que sentimos ao ler as noticias cada vez mais bárbaras do que fazem com os animais e mesmo com as pessoas, o primeiro impulso nosso é o de desejar que aconteça o mesmo aos maníacos que cometem essas barbaridades. Porem, como bem colocado no texto, temos que quebrar esse circulo de violência, algo que Jesus há 2.000 anos nos ensinou com o simbólico e não literal “se te baterem em uma face, ofereça a outra”.
    Quebrar o circulo de ódio, mesmo que esse ódio fique só no pensamento, a emissão desse pensamento irá influenciar outros a coloca-lo em pratica como bem comentou nina rosa.
    Se combate o mal com o bem.
    Se nos desesperamos com a maldade incontrolável que vemos hoje em dia e a falta de leis e punições para coibirem esse atos, busquemos fazer algo, nos manifestar, quando lermos alguma noticia de que terá manifestações contra a violência aos animais ou qualquer outra que seja, deixemos a preguiça de lado a vamos as ruas, vamos fazer nossa parte por menor que ela seja.
    Se Gandhi conseguiu a independência da Índia sem que nenhum indiano levantasse um dedo se quer, com certeza, nós que nem chegamos aos pés de um Gandhi, conseguiremos pelo menos a libertação do sofrimento animal cada vez mais.

    1. Também escrevi Matar não educa, http://www.anda.jor.br/07/01/2013/matar-nao-educa, que serviu de gatilho para que uma chuvarada de balas fosse dirigida por violentos potenciais contra mim. Essa identificação com a violência é figura latejante na cultura somatofóbica. Quebrar a cadeia que leva ao desejo de violentar para ensinar a não ser violento é o desafio pedagógico e ético mais urgente em nosso tempo.

  3. …. AHIMSA …. Faço minhas, as palavras da Dra. Sônia T. Felipe, pois quem me conhece sabe que faz tempo, muito tempo que eu venho alertando sobre essa energia… tomara que agora as pessoas consigam mudar de atitude depois de ler esta chamada de nossa atenção sobre nossas atitudes ‘ativistas’.

    ~ A vingança não é justa nem ética! ~

  4. Você lembra, querida Sonia, o que aconteceu aqui neste site quando escrevi o artigo http://www.anda.jor.br/07/04/2012/direitos-humanos-sao-para-o-ladrao-ou-animais-sao-feitos-para-isso
    Pessoas que se dizem ‘ativistas’, que ‘amam’ os animais e que ‘lutam pelo bem’ praguejando, exaltando-se e contorcendo-se diante do meu texto. Esse seu texto conversa com o meu, penso exatamente assim, somos todos animais e identificar-se com a violência é, no mínimo, triste.

    1. Concordo plenamente – e não vejo mal nenhum em aplicar a lei do “olho por olho”, em muitos casos! E, para quem pode ficar sujeito a crises de consciência, é só lembrar da Lei da Física: ação e reação, simples assim!

  5. Excelente aspecto abordado, Sonia
    No livro que lancei – O Último Teste – uma das questões abordadas é a posição de grupos ativistas em relação aos animais humanos… no episódio do Inst. Royal pudemos perceber a grande diversidade existente no movimento em relação a isso, com milhões de pessoas apoiando a intervenção em prol dos animais, mas divergindo quanto à postura que devemos ter em relação aos pesquisadores e apoiadores da experimentação… em setembro de 2013, um mês antes do ocorrido a ANDA divulgava o lançamento do livro com essa chamada: http://www.anda.jor.br/02/09/2013/escritor-lanca-livro-sobre-acao-de-ativistas-contra-experimentacao-animal-em-curitiba-pr.

  6. CONCORDO Q A VIMGANÇA NAO E JUSTA NEM ETICA,MAS ELA E MUITAS VEZES NECESSARIA…PRINCIPALMENTE QUANDO A JUSTIÇA NOS VIRA AS COSTAS QUANDO SOMOS VITIMAS DE UM CRIME…NO CASO EU Q TIVE MEUS 4 GATINHOS LEVADOS PRA LONGE DE MIM,POR UM INDIVIDUO DO MAL Q INFELIZMENTE E MEU PARENTE,E QUANDO PROCUREI A JUSTIÇA,SOUBE Q NEM UM B O EU PODERIA REGISTRAR POR FALTA DE PROVAS…E OU NAO E UMA QUESTAO DE HONRA ME VINGAR DE UM INDIVIDUO DESTES?

    1. Jamile, o mal que essa pessoa te fez está escrito para sempre nela. Se te pões a fazer mal a ela, escreves em ti mesma o que fizeres. O que ela resolveu gravar em sua biografia representando o mal não deve ser copiado por ti. O mal está solto por aí. Apenas o bem está guardado, por ser mais precioso, em cada um de nós. Guarda-te no bem que guardas, busca nele a força e serenidade para aguardar o sopro do mal ir para bem longe de ti. Uma forma de fazer isso é ficando distante de quem te fez o mal e em momento algum imitando essa pessoa. Essa é a virtude que o mal nos desafia a aprimorar em nós. Não repetir o mal. Não duplicar o mal. Não imitar o malévolo, porque nos tornamos semelhantes a ele. Grande desafio. Escolher qual a imagem que queremos ter de nós. Se nos vingamos nos tornamos iguais ao malévolo, ao maléfico. Muitas vezes dar uma de poste é a única saída moral. A gente não se move. Apenas fica no lugar que é nosso e deixa a luz iluminar o trajeto de quem passa. Só isso. Somos muito “fazistas”. Sempre queremos fazer algo para mostrar para a pessoa que nos faz mal o mal que ela é capaz de nos fazer. Isso dá a ela mais poder ainda de nos fazer novo mal dali a pouco. Não empodere o malévolo imitando-o. Desempodere-o mantendo teu eixo, tua biografia. O mal quer se alimentar de novas criaturas. Ele quer seguidores. Cai fora. Vira poste. Apenas continua a oferecer a tua luz. Esse é o desafio. Duro de aguentar ser poste? Duríssimo. Se não fosse duro o poste seria de borracha…rs

  7. Profa. Sonia, gostaria de parabenizá-la por um texto, uma crônica impecável do início ao fim.
    E concordando com suas colocações, se me permitir, não pode haver paz sincera em ato algum se ele advir de desejos de vingança, raiva, ódio…

    Parabéns e meus aplausos pelas palavras tão bem arrumadas.

  8. Talvez as palavras de Mahatma Gandhi façam sentido quando ele disse que se todos seguissem o pensamente de “olho por olho, dente por dente” do período Mosaico da Bíblia ninguém teria um só olho. Já Jesus pregou o amor, a compaixão quando disse para oferecer a outra face.

    1. Marcus,
      nunca gostei de oferecer a outra face… essa foi uma forma de os dominadores conseguirem manter-se dominando, porque os violentados continuaram a oferecer-se para a violência. Nada de dar a outra face e ser mais uma vez violentado. Não apresentar a face para levar pancada. Essa é a forma de superar o desejo do outro de dar pancada e o próprio desejo de levar pancada. Sair do ciclo violento sem causar mais danos ainda. Essa é a superação ética da violência.

  9. pois e justamente isso q e o difícil,todo mundo sabe q ser vingativo não e bom,e sabem também q devemos oferecer a outra face,o duro e por isso em pratica…quando somos feridos na própria carne…ou pior ainda quando vemos alguém q amamos muito ser ferido…como no meu caso q tive 4 gatinhos tirados de mim,por um individuo do mal q infelizmente e meu parente…e inevitável sentir ao menos uma sensação de revolta…

    1. Jamile,
      Temos que usar a nossa capacidade de prever a violência a fim de evitar entrarmos na rede da qual depois não poderemos mais sair sem lesões. Se você quer cuidar de animais mas não tem como fazer isso dando segurança aos animais para não serem sequestrados ou mortos, dirija essa compaixão para cuidar de animais de outro modo até poder cuidar deles fisicamente sem que ninguém a impeça disso. Isso não tem nada a ver com “dar a outra face” para alguém bater. Tem a ver com sair do ciclo da violência no qual a violência nos coloca porque nos fragiliza.

  10. eu infelizmente discordo do seu comentário…quer dizer q eu q não estou fazendo mal nenhum a ninguém,pelo contrario,estou cuidando dos meus animais com meus recursos próprios,com muita dificuldade e verdade,muitos deles q eu salvei do abandono,tenho q abrir mao disto,so porq eu.infelizmente possuo um parente q não aceita,nem entende o meu trabalho como protetora.quem esta errada não sou eu…portanto,quem tem q rever seus conceitos,de certo ou errado,e esta criatura,q infelizmente e meu parente…quer dizer q se toda vez q eu não concordar com algo q alguém da minha família fizer,isso me da o direitode ir la e interferir,seja levando os animais da pessoa pra longe,ou qualquer outro tipo de intromissão q seja.ai,a pessoa q esta fazendo o bem,e q tem q parar de faze lo,so porq tem outra Q ESTA DISPOSTA A FAZER ALGO DE MAL?NAO CONCORDO COM ISSO…NEM VOU DEIXAR DE FAZER MEU TRABALHO COMO PROTETORA DE ANIMAIS,OS BICHINHOS NAO MERECEM Q EU DEIXE DE AJUDA LOS,POR CAUSA DE UMA CRIATURA INSIGNIFICANTE COMO ESTE Q INFELIZMENTE E MEU PARENTE…O Q PRECISA E SE TER LEIS MAIS SEVERAS CONTRA QUEM MALTRATA E ABANDONA ANIMAIS,ISSO SI,.E SEM TANTA DIFICULDADE E TANTA BUROCRACIA NA HORA DE SE REGISTRAR UM SIMPLES B O…JA PENSOU SE CADA UM DE NOS PROTETORES DE ANIMAIS,FOSSE DESISTIR QUANDO ENCONTRA ALGUMA RESISTENCIA DE SEUS FAMILIARES?QUANTOS ANIMAIS DEIXARIAM DE SER AJUDADOS?

    1. Jamile,
      Se você encontra tamanha resistência por parte de sua família para o trabalho voluntário que faz salvando os animais, mas se você depende de sua família para fazer o seu trabalho, então é hora de tornar-se independente de sua família. A autonomia é uma forma de estar segura de que pode fazer em sua vida o que deseja. O que quis dizer é que enquanto estiver na dependência de outros para ser bondosa para com os animais, não terá liberdade real para levar a efeito o que tem feito. Se alguém maltrata os animais que você protege, é tempo de fazer BO’s na Delegacia de Polícia. Mas se você protege os animais com o dinheiro alheio (não afirmo isso, não sei nada desse detalhe) então precisa ter a anuência da pessoa para usar o dinheiro dela em favor seja lá de quem for, gente ou bicho. Quando você for independente desse seu parente, ou puder viver onde ele não possa mais ter poder sobre você, tudo estará a seu favor e a favor dos animais que você protege. Até isso acontecer, você estará à mercê dessa criatura. Não se dá beijo com a boca alheia. Mas não acho que esse espaço seja adequado para uma discussão desse tipo. Há muitas pessoas contrariadas em nossas famílias por conta de nossas escolhas veganas. Na minha ninguém faz atos de sabotagem, porque não dependo do dinheiro dela para nada. Conquistar a autonomia própria é a base para poder expressar-se com liberdade. Não tem que desistir de proteger os animais. Tem que ir mais além e criar um escudo de proteção para si mesma, pois se você está desprotegida, como pode pensar que pode oferecer segurança física para os animais que acolhe? É claro que seu parente não está certo em fazer o que faz. Mas você precisa sair dessa. Só não tenho como lhe dar sugestões. Pense em alguma coisa concreta.

  11. ate concordo,eu não dependo do dinheiro desta pessoa q levou meus animais embora…luot com muita dificuldade para cuidar de meus animais,mas com recursos próprios…e esta criatura e meu irmão…e ele levou meus animais embora,pois na época q isto aconteceu,a namorada dele esta época,estava gravida,e achava q so de conviver com meus gatinhos ia pegar toxoplasmose…ai,os gatos foram para a rua…ele so não levou todos,porq terminou o relacionamento…hoje,ele não mora MAIS AQUI,NA CASA DA MINHA MAE,ONDE MORO,EU,MEU MARIDO,MEUS FILHOS,E MEUS ANIMAIS…

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