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Hipopótamo explorado por circo morre sem cuidados

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Por Patricia Tai (da Redação)

Raja, sendo retirado do rio por moradores. (Foto: Special Arrangemen/The Hindu)
Raja, sendo retirado do rio por moradores. (Foto: Special Arrangemen/The Hindu)

Um hipopótamo foi explorado para entreter multidões em tendas de circo ao longo de toda a sua vida. No final, ele travou uma batalha quase solitária para tentar manter-se vivo.

A batalha foi a última, pois ele não teve ajuda suficiente para que pudesse sobreviver. As informações são do Times of India e do The Hindu.

O hipopótamo Raja, de 45 anos, era explorado pelo circo Gemini desde jovem e há alguns meses, devido a uma lesão em sua perna, fora deixado pelo circo em uma fazenda de café em Ramagiri, de sua propriedade.

O destino de Raja pareceu caminhar para o fim na tarde do dia 03 de julho. O animal fez uma aparição dramática por volta das 17h desse dia em Varayal, próximo a Mananthavady. Residentes locais disseram ter visto o animal com aparência fraca, machucado e cansado, adentrando no rio Varayal.

Embora animais selvagens tenham aparecido muitas vezes na área, foi a primeira vez que os moradores afirmaram ter encontrado um hipopótamo em sua localidade. À noite, eles viram “uma enorme massa boiando no rio. Acreditaram que seria alguma vaca, bezerro ou elefante afogado. Mas não, era Raja, ele estava vivo e olhando para cima”, segundo a reportagem do Times of India.

Funcionários florestais, liderados por A. Shanavas, Diretor de Floresta Divisional de Wayanad, correram até o local após terem sido informados da descoberta. Nesse meio tempo, funcionários da fazenda do circo Gemini também se deslocaram para lá.

O animal passou a noite no rio. Depois de um calvário de sete horas, as autoridades conseguiram puxar Raja para fora do rio com a ajuda de moradores, na quinta-feira de manhã.

Apesar de ferido na perna, espectadores disseram que ele havia nadado cerca de 2 km.

Após ter sido retirado do rio, o hipopótamo conseguiu andar por aproximadamente 300 metros, puxado com uma corda pelas pessoas, mas caiu quando chegou à estrada, e não foi mais capaz de se levantar.

Ele permaneceu na beira da estrada Manathavady-Thalassery agonizando, durante todo o dia. Os moradores reclamaram que o animal não recebeu ajuda ou alimentação adequada.

Funcionários do departamento de florestas de Wayanad alegaram que não poderiam intervir para retirá-lo da estrada, pois o hipopótamo não estaria sob a alçada da Lei de Vida Selvagem da Índia. Um funcionário declarou, sob a condição de anonimato, que seu departamento estava de mãos atadas, e que não teriam equipamentos e veículos necessários ao transporte do animal.

Autoridades enviaram alguns policiais ao local para garantir a fluidez do tráfego de veículos. Um veterinário visitou o animal e saiu logo depois de inspecioná-lo, conforme relatos de moradores.

Quando perguntado sobre o hipopótamo deitado na estrada asfaltada por longas horas, o Dr. TS Rajiv, professor assistente na Faculdade de Veterinária de Thrissur mostrou-se alarmado:

“Ele deve ser levado imediatamente para um local aquático. Isto é importante porque o hipopótamo deve submergir em água para manter a sua temperatura corporal em condições normais. Deve ser dada ao animal uma dieta de batata e de folhas de couve, para saciar a sua fome. Ele deve ser transferido imediatamente do local e levado para reabilitação”, disse ele.

Na manhã de quinta-feira, o circo informou que enviaria um guindaste de Kannur para levantar o animal. Um manipulador do circo foi ao local, onde teria dito aos moradores que o animal tinha 14 anos de idade. Hipopótamos normalmente vivem 40 a 50 anos. Mas na realidade, Raja tinha 45 anos.

Às 23h30 da quinta-feira, ainda deitado na estrada, abatido pela fraqueza, pelo calor, provavelmente com sede e fome, Raja morreu.

Sem resgate, sem cuidados, sem dignidade.

Uma equipe de veterinários deu início a uma autópsia para determinar a causa da morte, mas o resultado ainda não foi divulgado.

Repercussões do caso

A morte de Raja reacendeu as discussões sobre a proibição de exploração de animais por circos na Índia.

A Federação de Organizações de Proteção Animal da Índia (FIAPO) lançou um apelo para a cúpula de bem-estar animal indiana e ao Ministério de Meio Ambiente e Florestas (MoEF), pedindo alterações na atual Lei de Prevenção à Crueldade aos Animais no sentido de estender a proteção a animais que são explorados em circos por todo o país.

Um porta voz da FIAPO disse: “Animais em circos são sujeitos a condições miseráveis, e forçados a realizar performances contra a sua natureza, além de serem mantidos acorrentados ou amarrados, em jaulas pequenas, e sem acesso a cuidados veterinários. Nós imploramos às autoridades que tomem medidas contra o Gemini por ter causado a morte do hipopótamo devido à negligência, bem como apelamos para que os animais atualmente mantidos presos pelo Gemini sejam resgatados e reabilitados”.

Nos anos 90, a Suprema Corte da Índia baniu o uso de animais selvagens por circos, assumindo o abuso desses animais pela indústria do entretenimento. Mas a proibição não foi e não é respeitada.

Wayanad Prakruthi, um ativista ambientalista indiano, apela para que as autoridades tomem providências contra os donos do circo, com base na Lei de Prevenção à Crueldade aos Animais de 1979.

O Juiz N.D. Mathes disse que medidas serão tomadas contra os tutores do animal após o resultado da autópsia, se eles forem considerados culpados.

A espécie dos hipopótamos é classificada como “vulnerável” na lista de espécies em extinção da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). A instituição estima que nos últimos dez anos tenha havido um declínio de 7 a 20% nas populações de hipopótamos na natureza.

Nota da Redação: Assim termina a história de mais um animal explorado pelos circos, que infelizmente vai se somar a tantas outras histórias de animais que foram retirados da natureza e abusados por toda a sua vida em nome de um suposto entretenimento humano e, quando mais velhos, doentes e cansados de tantos maus-tratos, são abandonados à própria sorte, morrendo sem cuidados.

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  1. O ser humano quando quer, sabe ser a criatura mais nojenta que existe. Exploraram a Raja até cansarem e quando ela precisou de ajuda, simplesmente usaram várias desculpas esfarrapadas: não sei o que fazer, não posso fazer nada, estamos com as mãos atadas, etc. Vão pro inferno bando de incopetentes e aproveitadores, se tivessem um pingo de “boa vontade” teriam salvo a vida dela!

    1. Dolores, o ser humano ainda desumano, se tornou escravo dos Sistemas do papel, por conta disso ele aprendeu com a ganância e os preconceitos, a coisificar e quantificar tudo, inclusive as outras espécies. Temos um caminho longo de evolução e transformação, e os nossos irmãos de morada é que estão sofrendo mais com a lentidão desse processo. O nosso trabalho é esse, é fazer refletir, analisar e apontar todos esses crimes! Vamos tentar juntos afetar o máximo de consciências, o mais rápido possível!

  2. Essa FIAPO e muito incompetente. Deve ter tomado conhecimento do caso e deixou o animal morrer. O Juiz, ainda vai esperar resultado da necropsia,mas o orgao defesa poderia acionar a justica para, atraves de testemunhas incriminar o circo! Pensei que o Brasil era ruim so, mas vejo que na India a coisa tambem nao funciona! Pobre bichinho!

  3. Gente, nós deveríamos sim tomar uma providência! É inadmissível, ver um animal selvático, vivendo fora do habitat natural dele, servindo de joguete nas mãos de um circo, sendo mal tratato, mal alimentado, e morrendo à mingua, à própria sorte! Deveríamos criar um abaixo assinado e fazer com que as pessoas de todos os países abraçassem essa causa! Isso é humilhante! É terrível!

  4. Precisamos ter leis rígidas contra abuso e maus tratos de animais. É muito cruel. ..lamentável.Temos q denunciar e fazer a nossa parte…eu faço!

  5. Que nojoooooooooooo,,,quer dizer q depois que ela morreu ai dá pra fazer algo!!
    Absurdo total,,,gente sem coração,,,ver o animal agonizar,,sentindo fome,sede,frio e não fazer NADA???!!!
    É mesmo o fim dos tempos,,por isso q a natureza anda em fúria.
    #indignada.

  6. É com lágrimas que leio essa noticia.
    Como pode em pleno sec.XXI ainda existir animais sendo explorados em circos.
    E o pior , ter a complacência das pessoas que acham graça e batem palmas com esse tipo de entretenimento.
    Quanta falta de compaixão, meu Deus!!

  7. Pobrezinho……
    Não aos animais em circos, zoologicos e não a nós humanos que invadimos todas as regiões, consumimos demais e estamos acabando com os locais selvagens, unicos locais onde estes seres maravilhosos podem viver em paz !!

  8. O HIPOPOTAMO MORREU POR FALTA DE CUIDADOS.OS SER HUMANO É CAPAZ DE DEIXAR MORRER U POBRE ANIMAL JOGADO EM QUALQUER LUGAR APÓS TER SIDO BEM EXPLORADO PARA ENTRETENIMENTO DE PESSOAS FANÁTICAS.PESSOAS QUE SE DIVERTEM COM ANIMAIS QUE SÃO TOTALMENTE EXPLORADOS E SEM A DIGNIDADE QUE LHES É TIRADA.

  9. ENTAO NESSE CASO EVOCO
    MONSIEUR Jacques Yves Cousteau:

    “Para estabilizar a população mundial nós devemos eliminar 350.000 pessoas por dia. É horrível dizê-lo, mas é igualmente horrível não dizê-lo”. (Courrier de l’Unesco)

    Q VENHA UM VIRUS LETAL OU COISA Q VALHA MAS Q MATE COM SOFRIMENTO POR FAVOR.

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