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Amor aos animais inspira trabalho acadêmico no Ceará

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Fernanda Leite decidiu fazer como trabalho conclusão de curso uma edição voltada para a defesa dos bichos. Ela convidou a colega Danielle Parente para a pesquisa. Hoje as duas atuam na proteção animal (Foto: Fabiane de Paula)
Fernanda Leite decidiu fazer como trabalho conclusão de curso uma edição voltada para a defesa dos bichos. Ela convidou a colega Danielle Parente para a pesquisa. Hoje as duas atuam na proteção animal (Foto: Fabiane de Paula)

O amor pelos animais já inspirou muitas ações heroicas. Uma delas foi transformar este sentimento em um trabalho de conclusão de curso acadêmico (TCC). Assim fez as jornalistas Fernanda Leite e Danielle Parente. “Revista É Animal! Uma publicação que retrata o direito dos animais” foi o tema do TCC das duas no curso de Jornalismo da Faculdade Cearense (FAC).

“Nossa meta foi criar um produto jornalístico, que tivesse como objetivo informar sobre os direitos dos animais em prol de seu bem-estar. Dessa forma, poderíamos estimular os leitores do nosso produto a uma construção sadia de relacionamento entre humanos e animais”, explica Fernanda Leite, que já se identifica como uma militante da proteção animal em Fortaleza.

Ela conta que, ao ingressar no curso, ainda não tinha a ideia de fazer a revista. Começou com uma monografia que falaria da influência de games violentos em crianças de 5 a 10 anos. Assim fez, durante a fase do Projeto I. Porém, mesmo tirando boas notas na disciplina, sentia que não era o que queria abordar verdadeiramente.

“Foi quando mudei totalmente. Resolvi no Projeto II que não faria uma monografia e sim, uma revista, e que seria sobre algo que amo fazer”, relembra, contando que já era tutora de cães e gatos.

Ela pesquisou, mas nada encontrou sobre trabalhos no curso de Jornalismo em Fortaleza falando sobre animais. “Aí surgiu a ideia de fazer uma revista sobre proteção animal para apresentar como trabalho de conclusão de curso”, conta.

No Projeto III, em sua fase final, ela percebeu que trabalhar uma revista teria custos inviáveis ao seu orçamento. Daí teve a ideia de chamar a colega Danielle Parente, que se juntou à pesquisa. “Eu já sou militante da luta, hoje tenho sete cães e três gatos, mas a Danielle não conhecia o tema e ficou com medo, mas, com minha ajuda, ela conseguiu fazer direitinho e hoje defende os animais em sua rede social”, afirma.

Fernanda Leite ficou responsável pela parte teórica do trabalho científico. Antes da execução da revista, fez uma pesquisa bibliográfica para definição das correntes teóricas que nortearam o estudo. Entre os autores, destaques para William Roberto, Thereza Cochar, Thomaz Souto, Peter Singer, Lenize Maria, Edna Cardozo, Bruna Ramayane, e outros estudiosos e textos que falavam sobre direito animal.

Também foram lidos autores como Maria Scalso, Poliana Rollo, Rogério Mirabali, Paz e Castilho para discussão do jornalismo de revista. O TCC teve como orientadora a professora Klycia Fontenele. “Ela foi excelente, abriu muito nossa mente, mostrando quais caminhos seguir. É também protetora, assim como eu. Só na sua casa tem 23 gatos e faz parte da ONG Aprove”.

A revista teve 44 páginas e o relatório científico também foi com a mesma quantidade de páginas. Além da orientadora Klycia Fontenele, na banca estavam o jornalista Paulo Paiva e a professora doutora em Linguística, Elisabeth Catunda.

A revista teve como público-alvo os amantes dos animais domésticos, bem como os voluntários e criadores de classes B e C. Tem ainda como objetivos, conforme destaca Fernanda, ajudar a população a cuidar melhor dos animais, entendendo suas necessidades e direitos.

“A ideia principal deste trabalho era orientar, informar e estimular o leitor à reflexão para se estabelecer um convívio saudável entre animais e humanos. Uma vez que um dos quesitos básicos do Jornalismo é levantar questões que inspirem a opinião pública, seja por conteúdos específicos ou abrangentes”, diz ela.

Fernanda Leite confirma que cada vez mais as famílias se interessam em ter em casa um animal doméstico. “Ser protetor de animal e tutelar um está virando moda”, admite.

Fofinho e incômodo

Entretanto, na contramão do interesse, verifica-se também o crescente abandono dos bichos, devido à tutela irresponsável por parte de muitos criadores. “As pessoas adotam ou compram, e aí o animal passa a roer os móveis, seus sapatos, destruir a casa e, nessa hora, o que era fofinho, se torna um incômodo e é quando acontece o abandono. É preciso que o homem se conscientize que os animais não são brinquedos e nem objetos”, defende a protetora.

Ela afirma que trabalhar o tema no âmbito acadêmico, foi “grandioso”. Isto porque no desenvolvimento do estudo perceberam não estarem sozinhas na decisão de defender os animais. Há muitas pessoas e ONGs que também atuam na área.

As pesquisadoras esperam que, com o TCC e a revista, tenham contribuído na discussão sobre os direitos das espécies e a necessidade de uma legislação de proteção aos bichos mais rigorosa e realmente vigente.

FIQUE POR DENTRO

Campanha pela guarda responsável

Quem trabalha com proteção animal, sabe que um dos maiores problemas é o crescente abandono dos bichos nas ruas. As pessoas desconhecem os preceitos mínimos para uma guarda responsável de seus animais. Na avaliação de Fernanda Leite, que com sua pesquisa também buscou disseminar a guarda responsável, o problema tem solução. “Devemos fazer uma campanha mais forte sobre a castração. Se tivesse uma ação pública como há na vacina antirábica, já diminuiria o abandono de animais”. Ela também entende que conviver com um bicho é um privilégio que pode mudar a vida da pessoa para muito melhor.

“No entanto, alguns cuidados devem ser observados para a relação ser mais harmoniosa, feliz e com respeito. Campanhas sobre guarda responsável permitem informar aos tutores sobre os diversos aspectos e responsabilidades da guarda de um bicho, bem como características sobre a reprodução e cuidados com a saúde dos animais”, defende ela.

Isto porque, entende ser guarda responsável um nível mais amplo e ecologicamente sustentável de vida humana integrada.

Mais informações

Revista “É Animal”
Fernanda Leite
www.facebook.com/RevistaEAnimal
Fortaleza (CE)
Telefone: (85) 9714.8251

Publicação em equipe

A primeira edição da revista teve as pautas definidas criteriosamente. Sem fins lucrativos, o impresso está em sua segunda edição (Foto: Fernanda Leite)
A primeira edição da revista teve as pautas definidas criteriosamente. Sem fins lucrativos, o impresso está em sua segunda edição (Foto: Fernanda Leite)

A primeira edição da revista “É Animal”, resultando do trabalho de conclusão de curso (TCC) das jornalistas Fernanda Leite e Danielle Parente, teve 44 páginas. “Foi um trabalho em equipe, meu, da Danielle, e da nossa amiga Johanna Joplin, que ficou responsável pela diagramação da revista, e também da nossa orientadora Klycia Fontenelle”, afirma Fernanda.

A publicação traz em suas páginas matérias informativas e de opinião, de uma forma leve, com fotos e cores em harmonia. Seguindo essa linha, o relatório científico foca também na proteção animal no mundo e no Brasil. Mostra que os animais, assim como, os seres humanos, são regidos por direitos que devem ser respeitados e cumpridos.

A revista vai para sua segunda edição agora em julho. A editora fez uma página no Facebook que já tem mais de 5 mil curtidores. “Não temos fins lucrativos, tanto que a revista só tem protetores jornalistas na sua composição. Não temos interesse lucrativo, apenas corro atrás de patrocinadores para ajudar nas impressões e, dessa forma, continuar passando informação às pessoas”, explica ela.

A publicação segue linha editorial para ser um instrumento de debate e informações sobre a defesa dos animais. “Tudo isto dando enfoque para a relação de afeto e carinho entre o ser humano e o animal e a importância de lutar a favor deles”, diz ela.

“A ideia é que, a partir do jornalismo, não somente se questione como são desnecessários todos esses sofrimentos por que passam os animais, mas também,que se estimulem ações à procura de soluções, cada um fazendo sua parte. Este é o caminho a chegar”, pontua.

Assim, ela lembra que, cada pauta escolhida para a primeira edição da revista foi pensada criteriosamente. Os temas foram focados nas polêmicas geradas nos últimos anos, pela mídia, protetores e cidadãos de bem que se indignam perante tanto sofrimento causado desnecessariamente aos animais.

“Desejamos que, em um futuro próximo, ninguém mais pratique essa violência. Entendemos a relevância de nossa proposta e acreditamos que é importante que mais trabalhos assim surjam. De modo a dar mais visibilidade à violência contra animais e contribuir para o aprofundamento do conhecimento sobre o tema, na perspectiva de enfrentá-lo”, aposta, reconhecendo que ainda há muito a fazer no Estado para solucionar o problema de animais abandonados nas ruas.

Fonte: Diário do Nordeste

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