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Cresce o consumo de carne bovina na Índia

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Por Patricia Tai (da Redação)

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Pesquisas mostram que o consumo de carne está crescendo no mundo, inclusive na Índia, país tradicionalmente associado ao vegetarianismo e onde o abate de vacas é proibido. 80% da população da Índia segue o Hinduísmo, religião que combate o consumo de carne há séculos, mas uma classe média emergente adquiriu o gosto e o hábito de comer carne, embora com pouca consciência dos efeitos que isso pode ter sobre a saúde e sem dimensionar a possibilidade do país alimentar a sua população de 1,2 bilhões de habitantes, a segunda maior do mundo. As informações são da Care2.

A carne como símbolo de status

A dieta vegetariana tem sido considerada a preferida entre os hindus e outros indianos, incluindo os seguidores do jainismo. Mahatma Gandhi foi estritamente vegetariano; ele deixou de comer carne como forma de renunciar a qualquer tipo de violência. Um pesquisa realizada em 2006 levantou que 40% da população da Índia era vegetariana.

Mas comer carne tornou-se um símbolo de status no país, com a população mais jovem associando o hábito de comer carne a uma “atitude cosmopolita e certo nível de educação”, ligando-o à riqueza.

O aumento da demanda por carne significa que, em alguns locais da Índia, as vacas estão perdendo seu status de animal sagrado.

O roubo de bovinos tem se tornado um problema crescente em Nova Deli, com pessoas conduzindo ilegalmente cerca de 40 mil animais pelas ruas em meio a veículos e levando-os a matadouros clandestinos, conforme reportagem do New York Times.

Alguns tipos de carne já eram parte da dieta dos indianos. A diferença tem sido a frequência e a quantidade consumidas. De 2010 a 2012, o consumo geral de carne na Índia cresceu 14%. O consumo de carne per capita era de aproximadamente 5 kg em 2007, quando a United Nations Food and Agriculture Organization começou a registrar tais estatísticas.

Mas, a título de comparação, 2012 teve os mais baixos níveis de consumo per capita de carne nos Estados Unidos – 91 kg por indivíduo.

A “revolução do frango”

Enquanto a Índia é um dos maiores produtores de grãos do mundo, incluindo feijões e lentilhas, é também o maior importador dos mesmos. O incompreensível é que, mesmo com tanta riqueza em grãos, muitos agricultores passaram a preferir o investimento na criação de aves para consumo humano. Vijay Tijare, gerente geral da Venky’s, uma grande avícola, fala sobre uma “revolução do frango” que poderá prover o país “de toda a proteína necessária”.

O setor agrícola da Índia mostra outros superlativos que podem ser ligados ao aumento do gosto pela carne. O país tornou-se o maior criador de gado e o maior exportador de carne bovina, embora metade dessa carne seja de búfalo, que não é considerado “sagrado” e que é muitas vezes vendido ilegalmente.

A reportagem aponta outro fator interessante: a Índia é o maior produtor mundial de leite, e o foco do governo em aumentar a produção de leite pode ser outra razão para maior aceitação ou incentivo em se comer carne. Além disso, uma série de raças de gado que não são nativas da Índia foram importadas, pois estas “não evocam a mesma reverência que as raças nativas”, diz Clementien Pauws, presidente da Karuna Society for Animals and Nature, uma Organização de Andhra Pradesh.

Consumo de carne associado a doenças

Enquanto a subnutrição permanece em larga escala na população mais carente, estima-se que 63 milhões de pessoas sofriam de diabetes em 2012. Médicos da Índia também estão assistindo ao crescimento de doenças consideradas “modernas”, como problemas cardíacos e circulatórios, pressão alta e obesidade. Assim como nos Estados Unidos, muitas pessoas da classe média estão levando um estilo de vida mais sedentário, pois passaram a poder empregar motoristas e empregados domésticos.

O aumento do consumo de carne pode parecer questionável na Índia, que era conhecida como sendo o mais típico país vegetariano do mundo. Mas há outras ironias com consequências mais danosas se o consumo de carne na Índia continuar a crescer. A produção de carne usa muitos recursos naturais como água, terra e grãos. Por tabela, cresce a demanda por agrotóxicos e produtos químicos – nos Estados Unidos, por exemplo, a demanda por carne estimulou a ganância da indústria agrícola, que vem empregando uma lista sem fim de substâncias e técnicas (como dar aos animais altas doses de antibióticos) para “maximizar” a quantidade de carne produzida. Se esta complexidade, diga-se de passagem, é irracional mesmo em países desenvolvidos, pode-se dizer que ela é altamente dispensável em um país ainda tão distante do desenvolvimento como a Índia.

Agricultores na Índia (e em todo o mundo) têm enfrentado a pior seca das últimas décadas. Conforme noticiários, muitos chegaram a cometer suicídio, devido ao desespero. A reportagem lança uma questão simples e direta: “Será que a maior demanda por carne da Índia causará mais competição por recursos naturais valiosos como água e terra e, ao invés de solucionar o problema da falta de alimentos, apenas adicionará mais alguns?”.

Dado que a crise de alimentos e água é problema mundial, pode-se lembrar, de forma complementar e óbvia, que esta questão se aplica a todo o planeta. O consumo de carne, além de desconsiderar os direitos animais e impingir crueldades sem limites, gerando e aumentando uma cadeia de dor, está na total contramão do bom senso.

Em um momento como este, de maior conscientização mundial com relação a todas as consequências nocivas do consumo da carne, quando tudo deveria levar os humanos a deixarem totalmente de comer carne, é difícil compreender como o mundo aumenta o consumo e faz o movimento inverso.

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  1. Essa era uma tradição que eles deviam manter, o das vacas serem sagradas. E não aumetar consumo de carne. Isso é retroceder.

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